Quer saber quais são as cidades mais ricas do Nordeste — e, mais do que isso, entender como esse ranking é construído? Lançamos uma tabela aberta ao público que reúne os principais indicadores socioeconômicos de todos os municípios da região. Com ela, qualquer pessoa pode consultar, comparar e até montar seu próprio ranking com base nos requisitos que desejar.
O que está na tabela
O material organiza, município por município, as seguintes informações:
- Código IBGE: número de identificação oficial da cidade.
- Município e UF: nome da cidade e estado.
- IDHM (2010): Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, que mede saúde, educação e renda.
- Gini (2010): indicador de desigualdade, que mostra o quanto a renda está concentrada.
- Equidade: cálculo que inverte o Gini (1 − Gini) para valorizar a distribuição mais justa da renda.
- PIB per capita (2021): a produção econômica dividida pelo número de habitantes.
- PIBpc_norm e IDHM_norm: padronizações que colocam todos os indicadores na mesma escala, de 0 a 1, para permitir comparação.
- IRAE (Índice de Riqueza Ajustado por Equidade): métrica final criada para medir onde a riqueza de fato chega às pessoas.
- Rank IRAE: a posição de cada município no ranking, considerando o IRAE.
Como usar a tabela
A tabela foi pensada para facilitar a exploração dos dados. É possível:
- Filtrar por estado para ver a posição de cada cidade dentro do próprio território.
- Ordenar os indicadores para descobrir quais municípios lideram em renda, qualidade de vida ou equidade.
- Construir rankings personalizados, ajustando o peso de cada variável (por exemplo, dar mais valor ao IDHM do que ao PIB per capita).
O objetivo é entregar transparência: os dados estão organizados e acessíveis para qualquer cidadão, pesquisador ou gestor público.
O que é o IRAE
O IRAE, Índice de Riqueza Ajustado por Equidade, é um indicador que busca medir a forma como a produção econômica alcança as pessoas das cidades. Ele funciona em três etapas:
- Calcula-se a média entre renda (PIB per capita) e qualidade de vida (IDHM).
- Multiplica-se essa nota pela equidade (1 − Gini), que corrige a concentração de renda.
- O resultado final é o IRAE, que varia de 0 a 1. Quanto maior, melhor a posição da cidade.
Assim, cidades com renda média e serviços de qualidade podem subir no ranking se tiverem menos desigualdade. Já polos industriais, mesmo ricos, perdem pontos quando a renda é concentrada em poucas mãos.
Na tabela, a coluna “Rank IRAE” mostra a posição de cada município dentro do Nordeste. Essa classificação vai de 1 a 1.794, de acordo com o desempenho da cidade no Índice de Riqueza Ajustado por Equidade (IRAE). Assim, o número 1 corresponde ao município mais bem colocado do ranking e o 1.794, ao último.
Por que isso importa
Pensar em riqueza apenas pelo PIB é limitar a discussão ao tamanho da produção econômica, deixando de lado a forma como ela impacta a vida das pessoas. Foi por isso que buscamos uma metodologia que combina renda, qualidade de vida e distribuição, criando o IRAE.
Mas é importante reconhecer: mesmo esse índice carrega escolhas e, portanto, um viés. Optamos por dar pesos iguais à renda e ao IDHM, por exemplo, mas alguém poderia argumentar que qualidade de vida deveria ter mais peso, ou o contrário. Além disso, trabalhamos apenas com os dados disponíveis, que nem sempre estão atualizados.
A proposta, portanto, não é apresentar uma “verdade absoluta”, e sim oferecer uma ferramenta mais justa e transparente para compreender como a riqueza circula no Nordeste.
Este texto integra a série de reportagens do Investindo Por Aí sobre as cidades mais ricas do Nordeste

