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30 de março de 2026 16:04

Agrofloresta transforma propriedade no agreste sergipano em referência sustentável

Agrofloresta transforma propriedade no agreste sergipano em referência sustentável

Projeto iniciado na pandemia alia produção sem agrotóxicos, inovação tecnológica e turismo rural
Agrofloresta é um sistema abundante, onde o produtor cultiva várias espécies no mesmo espaço | Fotos: Thiago Santos

Durante a pandemia de covid-19, em 2021, o empresário Luiz Henrique Cunha Andrade deu início a um projeto de agroecologia no agreste sergipano que hoje se consolida como referência regional. Em uma área de 27 mil metros quadrados, localizada no povoado Figueiras, em Moita Bonita, o produtor desenvolve um sistema de agrofloresta voltado à produção de alimentos sem agrotóxicos, cultivo de madeira de lei e transição para o plantio de café.

A iniciativa, que começou como uma horta familiar, evoluiu ao longo dos últimos cinco anos para um modelo produtivo sustentável, combinando hortaliças, frutas e espécies florestais como o mogno. O projeto também incorporou o turismo de experiência e ações de capacitação, com apoio técnico da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe.

De acordo com o coordenador local da entidade, Waltenys Braga Silva, a propriedade caminha para a sustentabilidade financeira ao diversificar a produção e estruturar uma estação de beneficiamento. O espaço também passou a ser visto pelo governo estadual como um “laboratório vivo” de práticas agroecológicas, incluindo o cultivo de Plantas Alimentares Não Convencionais (Pancs).

O sistema agroflorestal adotado integra culturas de ciclos curtos, que garantem renda imediata, com espécies de médio e longo prazo, como frutíferas e árvores nativas. A técnica utiliza plantas adubadeiras para enriquecer o solo naturalmente, eliminando a necessidade de fertilizantes químicos e promovendo a recuperação ambiental. Entre os benefícios estão a resiliência produtiva, a redução de custos e a possibilidade de integração com a pecuária.

Segundo Luiz Henrique, o projeto já demonstra resultados concretos. A propriedade permanece há cerca de 60 dias sem irrigação, mantendo a produtividade mesmo em condições de estiagem, graças ao manejo que preserva a umidade do solo. Parte da produção é destinada ao consumo próprio, enquanto o excedente é comercializado, com destaque para o uso de sementes crioulas, que preservam a biodiversidade local.

A expansão do modelo conta também com suporte tecnológico do Centro de Desenvolvimento de Tecnologias da Emdagro, coordenado por Lucas Travassos. Técnicas como vermicompostagem e gongocompostagem vêm sendo aplicadas em 25 propriedades no estado. A proposta é ampliar a autonomia do agricultor, reduzir a dependência de insumos industriais e fortalecer a agroecologia como alternativa econômica e ambientalmente sustentável em Sergipe.

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