Jornalismo econômico para a inovação no Nordeste -
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9 de fevereiro de 2026 14:53

Atividade econômica mais diversa faz Nordeste puxar geração de empregos no país

Atividade econômica mais diversa faz Nordeste puxar geração de empregos no país

As empresas têm investido cada vez mais no nordeste brasileiro, seja por meio de criação de fábricas, data centers ou aumento de vagas. A Petrobras, por exemplo, anunciou a ampliação e modernização da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco
Cerimônia que marcou o início das obras de ampliação da RNEST, em Ipojuca (PE), contou com as presenças do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, entre outras autoridades | Foto: Ricardo Suckert

Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego indicam que o Nordeste teve o melhor resultado na geração de empregos formais no mês de outubro. O levantamento, com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), aponta que todos os nove estados nordestinos apresentaram saldo positivo em contratação.

A região registrou 33.831 novos postos no mês, equivalente a 39,7% de todas as vagas criadas no país (85.147). Segundo José Farias, coordenador-geral de Estudos e Pesquisas da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), o ritmo de crescimento regional supera o nacional. “Enquanto o Brasil está mais desacelerado, o Nordeste também desacelerou, mas com menos força. Isso vem muito da questão do consumo, dos programas sociais em geral, mas também dessa geração de emprego da construção civil e dos investimentos em infraestrutura.”

O setor de serviços foi o responsável pelo maior número de vagas (18.083), seguido por construção (6.951) e comércio (6.853). Ecio Costa, professor Titular de Economia da UFPE, acredita que o avanço esteja conectado a uma melhora da atividade econômica, citando também o setor imobiliário e o turístico.

O professor reforça que os dados mostram uma tendência que vem acontecendo nos últimos anos de expansão do mercado de trabalho formal na região. “Pernambuco, apesar de ter, por exemplo, a taxa de desemprego mais alto do país, caiu bastante nesses últimos anos e nesse ano mais ainda.” Os dados do Caged mostraram Pernambuco na liderança de novos postos de trabalho no mês de outubro, com 10.596 vagas.

As empresas têm investido cada vez mais no nordeste brasileiro, seja por meio de criação de fábricas, data centers ou aumento de vagas. A Petrobras, por exemplo, anunciou a ampliação e modernização da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco. “A Petrobras tem planos robustos de investimentos para os próximos anos, alinhados ao novo Plano de Negócios 2026–2030, com projetos voltados ao desenvolvimento econômico, social e sustentável do país. Esperamos que esses projetos sejam responsáveis por gerar e sustentar 311 mil empregos nos próximos cinco anos no Brasil, dos quais esperamos que parcela significativa seja na região Nordeste”, diz a empresa em comunicado. Em 2025, a empresa contribuiu com 7.500 vagas formais diretos com as obras da RNEST e a reabertura das FAFENs (fábricas de fertilizantes nitrogenados) na Bahia e em Sergipe.

A Neoenergia também registrou aumento no número de postos de trabalho. “Em 2025, o reforço de pessoal da Neoenergia no Nordeste esteve concentrado principalmente nas áreas operacionais ligadas à distribuição de energia, especialmente em atividades de campo, manutenção e operação de redes”, comenta Fabio Folchetti, Diretor de RH da Neoenergia. Desde 2019, a companhia internalizou mais de 3 mil profissionais, majoritariamente eletricistas, muitos formados pela Escola de Eletricistas da Neoenergia. Sem abrir números, a companhia avalia novas contratações para 2026.

Miguel Vieira, economista da Sudene, destaca que os dados apontam para uma desaceleração no último trimestre do ano, de modo que se espera um saldo menor em novembro seguido por um saldo negativo em dezembro. “A tendência histórica aponta para uma desaceleração no ritmo de criação de postos no último trimestre. O economista reforça, no entanto, que os dados apresentados em outubro representam um movimento de mão dupla. “Ao mesmo tempo em que o saldo do Nordeste quase duplicou, em comparação com o mesmo mês em 2024, todas as demais regiões apresentaram um saldo menor, a exceção da região Centro-Oeste, cujo saldo também apresentou um grande salto (quase três vezes)”, pontua.

José Farias, da Sudene, lembra que novembro e dezembro são meses de baixa contratação, uma vez que as empresas, principalmente o setor de comércio, já contrataram ao longo do ano.

Para Ecio, os programas sociais, como o Bolsa Família, também movimentam a renda no Nordeste. “É também, de certa forma, um reflexo de uma concentração maior de programas sociais, com transferência de renda forte, o que movimenta bastante a economia no setor de serviços, no setor da indústria de alimentos e bebidas e outras indústrias, que terminam atendendo as famílias que agora têm um poder de consumo mais elevado.”

No acumulado de janeiro a outubro, o Nordeste acumulou 369.596 de empregos gerados, representando 20,5% do saldo nacional. A média mensal de criação de vagas chega a 36,9 mil postos.

Apesar do desempenho acima da média nacional, especialistas ressaltam que o desafio do Nordeste segue sendo transformar o desempenho econômico em melhoria consistente da renda e das condições sociais da população. A economista Ana Célia de Oliveira Prado, aponta para um dinamismo econômico regional, com crescimento do PIB acima da média nacional, mas a renda per capita nordestina segue a menor do país. “Cerca de metade da população ainda se encontra em situação de pobreza, dependente dos programas sociais de distribuição de renda. Esse descompasso entre crescimento econômico e indicadores sociais evidencia desafios estruturais persistentes.”

Para Ana Célia, o Nordeste é um território com amplo potencial de oportunidades, não apenas pela sua posição geográfica estratégica, mas pela diversidade cultural, ambiental e produtiva que caracteriza a região. “Para que o crescimento econômico esteja efetivamente associado ao desenvolvimento social, é necessário adotar estratégias de investimento que ampliem a capacidade e fortaleçam as estruturas produtivas regionais e locais”, conclui.

A pesquisadora do Centro para o Desenvolvimento Econômico do Nordeste do FGV Ibre, Isadora Osterrno, acredita também que investimentos em eventos regionais e datas comemorativas podem gerar impacto positivo na economia. “É um momento de oportunidades estratégicas, e quem planejar com visão de longo prazo poderá colher resultados significativos.”

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