
A atualização 2025 do estudo Info Nordeste, produzido pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), revela dados sociais e econômicos da região nordestina que nos ajudam a entender toda a cadeia produtiva local. A região, composta por nove estados e com uma população total de 57,1 milhões, representa 26,9% da população nacional, além de ocupar 18,3% do território do país. No entanto, apesar de sua significativa participação demográfica e territorial, a região enfrenta desafios econômicos que se refletem em indicadores como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) médio, que é de 0,663, inferior à média nacional, de 0,766. Essa redução entende-se como uma consequência do rápido crescimento das regiões Sudeste e Centro-Oeste, além da queda da taxa de natalidade e migração para outros estados.
O estudo também mostra que um dos aspectos mais notáveis da região é sua estrutura etária: quase metade da população tem até 29 anos – 20,4% com 0 a 14 anos e 24,8% com 15 a 29 anos. Essa juventude representa tanto um desafio quanto uma oportunidade para políticas públicas voltadas à educação e ao mercado de trabalho. A urbanização, por sua vez, também é marcante, com 78% da população vivendo em áreas urbanas, refletindo uma tendência crescente de migração para centros urbanos em busca de melhores condições de vida e trabalho.
O PIB da região nordestina, por sua vez, segue em crescimento constante, alcançando 13,8% no último dado disponível, em 2021. Bahia, Pernambuco, Ceará e Maranhão respondem, ao total, por 72,2% do PIB regional, segundo a atualização do Info Nordeste 2025. Bahia lidera a fila com 29%, seguida de Pernambuco (17,7%), Ceará (15,4%) e Maranhão (10,1%).
O desenvolvimento do PIB nordestino deu-se em oscilações, caindo e aumentando ao longo dos anos. Em 1985, por exemplo, a região representava 14,1% da economia brasileira, tendo uma queda de 2,1% (para 12,0%) em 1995. Em 2002, recuperou-se e atingiu 13,5% em 2010, consequência da expansão dos setores de serviços, comércio e agropecuária, além do desenvolvimento da infraestrutura e digitalização por meio de investimentos.
Atividades econômicas distribuídas por setores entre os estados
O Info Nordeste também detalha as atividades econômicas distribuídas por setores e sua configuração entre os estados ao longo dos anos. São eles:
Bahia: destaque na fabricação de produtos químicos (16,6%), derivados de petróleo (12,7%) e produtos alimentícios (16,6%)
Pernambuco: destaque na indústria de veículos automotores (28,0%) e produtos químicos (15,8%)
Ceará: destaque no setor de metalurgia (15,5%) e produtos alimentícios (15,3%)
Maranhão: destaque no setor de papel e celulose (25,7%) e bebidas (22,7%)
No setor de produtos agrícolas, Bahia também é líder na produção de soja (51,8% da produção nacional), milho (31,7%) e cacau (100% da produção, apesar de já estar começando a ganhar espaço em outros estados nordestinos). A produção de uva, por sua vez, tem foco maior em Pernambuco (86,8% da produção da região), que também se destaca na produção de cana-de-açúcar (28,2%), junto com Alagoas (32,1%).
O setor de serviços e comércio corresponde a 70,4% da atividade econômica do Nordeste e dentro do Valor Agregado Bruto (VAB), o comércio responde por 13% e a administração pública por 24,2%. O Nordeste é responsável por 14,7% do VAB dos serviços em todo o Brasil.
Já na área profissional, a região registrou 10,3 milhões de empregos formais no mercado de trabalho em 2023. A maioria dos cargos está concentrada em serviços (3,7 milhões) e administração pública (2,7 milhões), seguida pelo comércio (1,8 milhão) e indústria de transformação (1,1 milhão).
Apesar dos gargalos, todos os estados apresentam fatores econômicos claros
O estudo mostra que, apesar das diferenças entre a escala dos estados do Nordeste, todos apresentam fatores e indicadores econômicos claros. Por um lado, Bahia, Ceará e Pernambuco, juntos, concentram o maior PIB e infraestrutura mais desenvolvida, enquanto Piauí e Maranhão crescem em áreas como exportações e agropecuária.
Por fim, o Info Nordeste conclui que, embora o Nordeste tenha bons indicadores econômicos em seu estados, ainda enfrenta baixos índices em renda média, precariedade em serviços essenciais (saúde e saneamento) e desigualdade no acesso a oportunidades pela população.