
O Banco do Nordeste (BNB) lidera a expansão do crédito na região com ampliação em 18,5% do orçamento do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) para 2025, totalizando R$ 47,3 bilhões. A iniciativa reforça a posição do banco como principal agente financeiro de desenvolvimento da região, com foco na inclusão produtiva, crédito acessível e redução das desigualdades.
Segundo o diretor de Planejamento do BNB, Aldemir Freire, o banco prioriza áreas estratégicas para o crescimento sustentável. “Em 2025, o orçamento do FNE foi ampliado em 18,5% em relação a 2024, totalizando R$47,3 bilhões em recursos programados”, afirma.
Setores estratégicos e volume de crédito recorde
Os recursos do FNE contemplam setores como agricultura familiar (R$ 10,5 bilhões via Pronaf), microcrédito produtivo orientado (R$ 15,5 bilhões pelos programas Crediamigo e Agroamigo), educação (R$ 29 milhões via FNE Estudantil), energia renovável e práticas de baixo carbono (R$ 7,78 bilhões por meio do FNE Verde), infraestrutura econômica (R$ 9,5 bilhões) e setores industrial, comercial, de serviços e turismo — que juntos devem absorver 62% do orçamento.
O volume total contratado pelo banco também cresceu: foram R$46 bilhões em 2022, R$58,4 bilhões em 2023 e R$61,2 bilhões em 2024. A meta é superar esses valores em 2025. “Importante destacar que o Banco do Nordeste aumentou a participação do público prioritário para 62% do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE)”, conclui Freire.

Expansão territorial e novos programas
Com presença em mais de 2 mil municípios, o BNB investe em capilaridade como diferencial competitivo. “Está presente em mais de 2 mil municípios, assegurando acesso ao crédito e à orientação técnica em regiões que, muitas vezes, não contam com alternativas viáveis no setor bancário tradicional”, diz Freire.
A instituição abriu cinco novas agências desde 2023 e pretende alcançar mil unidades do Crediamigo — o maior programa de microcrédito produtivo e orientado do Brasil — até o fim de 2025, abrangendo 770 municípios. O Agroamigo — programa de microfinança rural que deseja melhorar o perfil social e econômico das famílias do campo — será expandido de 231 para 310 unidades.
Outras iniciativas de destaque incluem:
- Fampe Mulher: R$600 milhões para negócios liderados por mulheres;
- FIP Nordeste Capital Semente: R$150 milhões para startups;
- Fiagro Nordeste: R$125 milhões para o agronegócio;
- Acredita no Primeiro Passo: R$550 milhões para beneficiários de programas sociais;
- Nova Indústria Brasil: R$9,5 bilhões para projetos sustentáveis.
Além disso, o banco mantém programas como o Prodeter – Programa de Desenvolvimento Territorial, que fortalece cadeias produtivas locais, e o Fundeci – Fundo de Desenvolvimento Econômico, Científico, Tecnológico e de Inovação, voltado a pesquisas regionais, além de atividades culturais em centros espalhados pelo Nordeste.
Instituições estaduais ampliam fomento em Sergipe e Piauí
Além do Banco do Nordeste, alguns estados da região mantêm instituições próprias voltadas ao financiamento do desenvolvimento. Em Sergipe, o Banese — Banco do Estado de Sergipe — segue operando como sociedade de economia mista, com foco no atendimento a servidores públicos e no apoio a diversos setores da economia local. Em 2024, o banco ampliou sua carteira de crédito e registrou avanços no setor imobiliário.
Já no Piauí, a atuação é conduzida pela Badespi — a Agência de Fomento e Desenvolvimento do Estado — que tem se consolidado no apoio a pequenos empreendedores. A instituição oferece microcrédito, linhas especiais para mulheres e para o setor rural, além de condições facilitadas para inovação e turismo.
“Uma prova disso é que nós estamos dando uma atenção especial cada vez maior ao microcrédito. E o resultado está aí. A gente vem conseguindo sucessivos recordes de liberação e batemos novamente o nosso recorde agora em abril, liberando mais de 2 milhões de reais em crédito para os microempreendedores”, afirma o presidente da Badespi, Marcelo Jannotti.
A Badespi oferece condições diferenciadas de crédito, especialmente para empreendedores que enfrentam barreiras em instituições tradicionais. “Dessa forma, a Badespi se posiciona como protagonista e busca ajudar e apoiar cada vez mais tanto o pequeno quanto o microempreendedor piauiense”, reforça Jannotti.

Articulação com agências federais amplia impacto
Estados que privatizaram seus bancos estaduais nas décadas de 1990 e 2000, como Alagoas, contam com agências de fomento regionais — a exemplo da Desenvolve-AL — e se apoiam na atuação de instituições federais.
Nesse contexto, instituições federais como a Finep — Financiadora de Estudos e Projetos — têm desempenhado um papel estratégico ao ampliar a capacidade de financiamento das agências de fomento locais. A Badespi, por exemplo, tem fortalecido sua parceria com a Finep para captar recursos com condições facilitadas. “Então a gente busca sempre trazer esse recurso, que é um recurso que muitas vezes chega em condições especiais, com juros baratos, para apoiar o nosso empreendedor”, afirma Jannotti.
O presidente da Badespi também destaca a importância de buscar articulações com o mercado nacional para diversificar as fontes de financiamento. “E também estamos de olho no mercado para ver o que existe de possibilidades para trazer recursos federais, recursos com condições melhores, para que a gente possa ofertar para o empreendedor aqui do Piauí e que possa ajudar ele a gerar renda, a gerar riqueza e cada vez mais contribuir para o crescimento dos negócios aqui no estado”, finaliza.