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10 de fevereiro de 2026 03:03

Biogás ganha força na transição energética global e ganha cada vez mais espaço em Alagoas

Biogás ganha força na transição energética global e ganha cada vez mais espaço em Alagoas

Novas formas de geração de energia preservam o meio ambiente; em Alagoas, as produções vêm ganhando cada vez mais espaço
Fotos: Divulgação

Os debates sobre transição energética e uso de energias limpas estão cada vez mais presentes no dia a dia. Um dos destaques desse momento é o uso do biogás, que surge como protagonista e grande trunfo para esse momento de atenção e cuidado com o meio ambiente.

Produzido a partir da digestão anaeróbica de resíduos orgânicos, como esterco, vinhaça e gases de aterros sanitários, ele permite que comunidades e indústrias transformem subprodutos orgânicos em energia renovável.

Apesar de parecer distante da realidade da maioria dos brasileiros, esse produto já está  inserido no cotidiano da população. Seja em sua forma mais bruta, como biogás, ou purificado, como biometano, ele pode ser utilizado de diversas formas em atividades ligadas ao dia a dia, a exemplo da geração de energia elétrica, da produção de combustível veicular e da injeção na rede de gás natural.

O que é transição energética?

A transição energética nada mais é do que o processo de substituição das fontes de energia fósseis, a exemplo de carvão, petróleo e gás natural por fontes renováveis. Ela tem aparecido no centro de debates globais nos últimos anos em decorrência dos alertas feitos por cientistas, que apontam para o avanço do aquecimento global, acelerado pela queima de combustíveis fósseis. Por isso, pensar em alternativas mais sustentáveis para o planeta se tornou uma importante bandeira para autoridades e entidades ligadas ao meio ambiente.

Além disso, a transição energética também está ligada ao desenvolvimento econômico sustentável, considerando que novos mercados podem surgir a partir dela. No mesmo caminho, o desenvolvimento de pesquisas ligadas ao setor tem crescido ao longo dos últimos anos, fomentando o desenvolvimento de formas de geração e consumo de energia mais alinhadas ao momento que o planeta vive.

Os 5Ds da transição energética

A transformação nos mercados energéticos está orientada por cinco pilares centrais, chamados de 5Ds.

O primeiro é a descarbonização, que visa diminuir a emissão de gases do efeito estufa, além do abandono do uso de combustíveis fósseis.

Em segundo lugar, temos a descentralização, que nada mais é do que a ideia de tirar das grandes usinas e indústrias o monopólio da geração de energia. Com isso, haverá uma distribuição desse serviço, promovendo o surgimento de pequenas e médias usinas renováveis, a exemplo das fazendas solares.

Em terceiro, a digitalização busca ter a tecnologia como aliada para tornar essa cadeia mais assertiva e eficiente. Para isso, são utilizados medidores e sensores inteligentes, além do monitoramento em tempo real das atividades de produção.

Com o quarto pilar, a democratização, se trabalha para tornar o acesso à energia mais justo, com a inclusão de consumidores de áreas afastadas e a participação ativa da população na geração de energia. Além disso, também visa fomentar novos modelos de negócios, como cooperativas de energia.

Por último, a diversificação tem por objetivo explorar fontes renováveis múltiplas e variadas, enfraquecendo a dependência de uma fonte exclusiva. Assim, abre-se espaço para o biogás e as energias eólica, solar e hídrica, por exemplo.

Biogás em Alagoas

Segundo a Associação Brasileira do Biogás (Abigás), Alagoas tem o terceiro maior potencial energético da região Nordeste, ficando atrás somente da Bahia e de Pernambuco. As energias renováveis representam mais de 87% da produção de energia do estado, com destaque para a hidráulica e a da cana-de-açúcar, de acordo com os dados apresentados no Balanço Energético de 2023. O estado, conhecido como terra do gás, conta com apoios importantes para o desenvolvimento das energias sustentáveis em seu território, como o Governo do Estado e a Algás, companhia de gás.

Algumas das diversas iniciativas espalhadas pelos seus quase 28 mil quilômetros de extensão se destacaram recentemente, recebendo incentivos financeiros de empresas nacionais e internacionais, bem como do Governo do Estado. Em 2022, o município de Pilar recebeu a primeira usina de biogás para geração de energia no estado. Já o Complexo de Biorrefinarias de Alagoas, em São Miguel dos Campos, conta com um projeto inovador de produção de biometano, com investimento de R$ 1,5 bilhão. Além disso, o estado recebeu um investimento de R$ 1 bilhão feito pelo Grupo Origem, em parceria com a empresa francesa TAG, para estocagem de gás natural em nosso estado.

No último mês, a companhia de gás de Alagoas, Algás, esteve à frente de eventos importantes para a área, como o lançamento do primeiro ônibus do estado movido a biometano, e o Meeting Biogás e Biometano, que discutiu propostas e ideias para o setor em Alagoas.

Na ocasião, o presidente da companhia, Ediberto Omena, observou que encontros como esse são de grande valor para o estado. “O biometano, o biogás é o futuro e Alagoas precisa desse gás. Nós temos aqui diversas possibilidades de extração desse biometano, seja através dos resíduos sólidos do lixo, resíduos da agricultura, mas principalmente das usinas de açúcar. É uma proposta do mundo inteiro e nós estamos alinhados à essa necessidade”, apontou.

Durante o evento, realizado em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA) na Casa da Indústria, foram apresentados casos de sucesso com o uso de energia limpa em Alagoas e em outros estados do Brasil, a exemplo do Ceará, da Bahia e do Paraná.

Um dos cases apresentados no Meeting foi o da Cooperativa Pindorama, que conta com  uma unidade industrial inaugurada em Coruripe, a partir de um investimento de cerca de R$ 60 milhões e potencial para produção de 36 mil metros cúbicos de biogás. A iniciativa, além de alinhada à sustentabilidade e ao uso de energia limpa, também gera empregos na região.

A partir de todas essas iniciativas, Alagoas vem se consolidando como um grande nome da transição energética no Brasil, com potencial para expansão de mercado. Além da grande oferta de gás natural disponível no território, os incentivos fiscais e o apoio de instituições como o Governo de Alagoas, a Algás e a Federação das Indústrias impulsionam o desenvolvimento sustentável no estado.

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