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30 de março de 2026 20:07

Brasil realiza maior leilão de geração elétrica da história e contrata 19 GW por R$ 64 bilhões

Brasil realiza maior leilão de geração elétrica da história e contrata 19 GW por R$ 64 bilhões

Certame garante segurança energética para os próximos dez anos e deve economizar R$ 33,6 bilhões para consumidores; térmicas respondem por 86% da potência contratada
Foto: Divulgação/Origem

O Brasil realizou na quarta-feira (18) o maior leilão de geração elétrica de sua história. O Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência de 2026 (LRCAP 2026), conduzido pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, na sede da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), em São Paulo, contratou 19 gigawatts (GW) de potência, somando R$ 64 bilhões em investimentos e uma economia estimada de R$ 33,6 bilhões para os consumidores ao longo do horizonte dos contratos.

“Hoje é um dia histórico para o setor elétrico brasileiro e para os próximos dez anos da segurança energética do Brasil. Nós fizemos o maior leilão de térmicas da história desse país”, declarou Silveira. Para o ministro, o certame representa não apenas um reforço ao sistema elétrico nacional, mas uma resposta estrutural às novas exigências de uma matriz energética cada vez mais dependente de fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica. “A transição energética não se faz apenas com mais renováveis, mas com um sistema capaz de sustentá-las ao longo do tempo”, afirmou.

A magnitude do leilão pode ser medida pelo volume de interesse que atraiu. Foram cadastrados 330 projetos — 311 termelétricas a gás natural, 16 ampliações de hidrelétricas e três usinas a carvão mineral. Somados, os empreendimentos inscritos representavam cerca de 120 GW de capacidade, o equivalente a aproximadamente oito usinas de Itaipu. Desse universo, foram contratados os projetos mais competitivos, que garantem potência firme ao Sistema Interligado Nacional (SIN) nos momentos de maior pressão sobre a rede.

As usinas termelétricas dominaram o resultado, respondendo por 86% da potência contratada. A baixa competição entre os participantes, no entanto, resultou em um deságio médio de apenas 5,52% em relação aos preços-teto estabelecidos pelo governo. Um sinal de que o mercado enxerga valor nos contratos, mas também de que há espaço para aprimorar os mecanismos de competição em edições futuras. Os grandes vencedores foram players consolidados do setor energético brasileiro, como Petrobras, Eneva e J&F, que garantiram tanto a permanência de usinas existentes quanto a viabilização de novos projetos.

Alagoas estreia no mapa das termelétricas

Um dos resultados mais simbólicos do leilão foi a entrada de Alagoas no mapa da geração termelétrica brasileira. A Origem Energia venceu o certame para a implantação de sete usinas a gás natural no município de Pilar, na Região Metropolitana de Maceió, com capacidade total de aproximadamente 380 MW — sendo 330 MW com previsão de operação a partir de 2028 e 50 MW em 2029. O investimento estimado é de R$ 2 bilhões, tornando esses os primeiros empreendimentos do tipo no estado.

O diferencial do projeto vai além da geração em si. O CEO da Origem Energia, Luiz Felipe Coutinho, explicou que as usinas estarão conectadas ao primeiro projeto de Estocagem Subterrânea de Gás Natural (ESGN) do Brasil, também em desenvolvimento pela empresa em Alagoas. A integração entre produção, armazenamento e geração elétrica é apresentada como uma resposta estratégica à intermitência das renováveis e à dependência do país de combustíveis importados, como o gás natural liquefeito (GNL) e o diesel.

“A combinação entre produção de gás em terra e projetos de estocagem tende a ganhar relevância nos próximos anos, à medida que o sistema elétrico brasileiro passa a demandar usinas capazes de responder rapidamente às intermitências das fontes renováveis”, afirmou Coutinho.

Luiz Gonzaga ganha nova unidade geradora

No campo das hidrelétricas, a AXIA Energia venceu o leilão para ampliar a Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga, antiga Itaparica, localizada no rio São Francisco, na divisa entre Pernambuco e Bahia. A empresa investirá cerca de R$ 1 bilhão para construir uma nova unidade geradora de 246,6 MW, com fornecimento previsto para agosto de 2031.

Inaugurada em 1988, a usina possui atualmente 1.479,6 MW de capacidade instalada distribuídos em seis unidades geradoras e é um dos principais empreendimentos de geração hidrelétrica do Nordeste. Para o vice-presidente de Estratégia da AXIA, Elio Wolff, a ampliação é apenas uma parcela dos planos de expansão da companhia no segmento. “Diante da crescente demanda por potência no país, entendemos que as hidrelétricas são as soluções mais adequadas do ponto de vista técnico e econômico”, afirmou.

O desafio que vem depois

Vencer o leilão, como observam analistas do setor, é apenas o primeiro passo. Para as usinas existentes, o foco agora é eficiência operacional e renovação de contratos. Para os novos empreendimentos, o desafio real será o cumprimento dos prazos de entrega e a garantia de suprimento de gás natural em um mercado de infraestrutura que ainda apresenta gargalos logísticos relevantes.

O ministro Silveira reconhece que a previsibilidade regulatória será determinante para que os investimentos se concretizem. “Quando há planejamento, o investimento responde. É isso que faz do setor elétrico brasileiro um dos mais resilientes e confiáveis para atrair investimentos em infraestrutura”, disse. Segundo ele, a agenda de planejamento energético seguirá avançando nos próximos anos, com novos mecanismos para sustentar a expansão da matriz elétrica brasileira e para garantir que a luz permaneça acesa enquanto o país avança na transição para as renováveis.

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