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9 de fevereiro de 2026 17:38

Ceará, Bahia e Maranhão serão os estados mais afetados pelas tarifas de 50% dos EUA

Ceará, Bahia e Maranhão serão os estados mais afetados pelas tarifas de 50% dos EUA

Estudo da Sudene aponta que toda a região pode perder cerca de R$ 16 bilhões ao ano se o presidente Donald Trump cumprir a ameaça de tarifar as exportações brasileiras

Embora os estados mais afetados pelas tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras impostas pelos Estados Unidos sejam São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, elas também poderão ter um impacto financeiro significativo e consequências em cascata para a economia do Nordeste. 

De acordo com um estudo da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), o Nordeste pode perder cerca de R$ 16 bilhões ao ano se o presidente Donald Trump cumprir a ameaça. 

Foto: Reprodução/Internet

Ceará, Bahia e Maranhão são os estados que devem sofrer os maiores impactos. Juntos, eles representaram 84,1% do total exportado pelo Nordeste para os EUA de janeiro a junho de 2025, somando US$ 1,58 bilhão (cerca de R$ 8,7 bilhões). Em 2024, esses três estados, somados a Pernambuco, foram responsáveis por US$ 2,5 bilhões (aproximadamente R$ 14 bilhões) das exportações nordestinas para os EUA.

O aumento expressivo nos preços das mercadorias exportadas para os EUA, decorrente da tarifa, fará com que os compradores norte-americanos busquem outros fornecedores no mercado global. Isso pode levar ao fechamento ou à redução drástica desse importante mercado para os produtos nordestinos.

A redução das exportações tende a impactar negativamente o Produto Interno Bruto (PIB) da região e a causar perda de empregos, tanto diretos quanto indiretos.

Segundo José Farias, coordenador de Estudos da Sudene, as consequências indiretas podem ser “bem mais pesadas sobre a cadeia produtiva regional”. Isso porque os produtos exportados, mesmo os primários como o cacau, geralmente dependem de uma longa cadeia de atividades no território, que será desestabilizada.

A situação se agrava pela ausência de um acordo comercial formal entre Brasil e EUA e pela falta de perspectiva de renovação do Sistema Geral de Preferências (SGP), um benefício unilateral americano que isentava alguns produtos brasileiros de tarifas. Essa conjuntura torna as exportações nordestinas mais vulneráveis e exigirá das empresas e do governo a busca por novos mercados e estratégias de adaptação.

O problema chama atenção do governador da Bahia, que se posicionou sobre o assunto durante o cumprimento de uma agenda em Salvador. Jerônimo Rodrigues (PT) criticou o envolvimento de questões políticas com a decisão.

“O setor produtivo não pode pagar essa conta. A política não pode atrapalhar o setor produtivo. Na medida em que um presidente escreve uma carta, iniciando dizendo que não concorda com o comportamento jurídico do estado, que não é dele, ele quebra a soberania de um país. Isso é muita irresponsabilidade”, afirmou o governador.

Setores e produtos mais afetados para os maiores exportadores da região 

Ceará

Aço e Ligas Metálicas: O Ceará tem uma indústria de aço relevante. Com a tarifa de 50%, esses produtos terão sua competitividade drasticamente reduzida nos EUA, podendo levar a perdas significativas de mercado e volume de vendas.

Frutas: O setor de fruticultura do Ceará, com exportações para os EUA, será diretamente impactado. Há estimativas de queda de até 70% no volume previsto para 2025 se a taxação for concretizada. Produtores de manga, por exemplo, já paralisaram exportações.

Pescados: A indústria pesqueira do Ceará, um dos maiores produtores de camarão do país (com municípios como Aracati e Jaguaruana liderando a produção nacional), também enfrentará sérios desafios. Empresários norte-americanos já suspenderam compras de pescados do Nordeste, e a tarifa pode levar a perdas de milhões de dólares e afetar milhares de produtores, incluindo a pesca artesanal e a tilapicultura. O mercado americano representa cerca de 70% das exportações brasileiras de pescado.

Calçados: As exportações de calçados do Ceará para os EUA também podem ser prejudicadas, já que os produtos com valor agregado médio perdem competitividade com a taxação adicional.

Foto: Reprodução/Internet

Bahia

Cacau e Derivados: A indústria de cacau da Bahia, que exporta derivados para os EUA, expressou profunda preocupação. Os Estados Unidos representaram uma fatia significativa (mais de 25% no 1º semestre de 2025) das exportações totais de derivados de cacau do Brasil. A medida ameaça a competitividade e sustentação das atividades industriais e a geração de empregos na região produtora.

Pneumáticos: O setor de pneumáticos da Bahia também será significativamente impactado.

Óleos e Frutas: Exportações de óleos e frutas da Bahia para os EUA também devem sofrer as consequências das novas tarifas.

Setor Petroquímico: Embora a celulose e produtos petroquímicos sejam importantes na pauta baiana para os EUA, a diversidade dos produtos químicos pode mitigar ou agravar o impacto dependendo da categorização da tarifa.

Maranhão

Pastas Químicas: As exportações de pastas químicas do Maranhão para os EUA serão diretamente afetadas pela tarifa.

Minérios: O setor de minérios do Maranhão, embora possa ter diversificação de mercados, também sentirá o impacto da taxação para o destino americano.

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