
A crescente aproximação entre o Nordeste brasileiro e a China ganhou novos contornos institucionais e econômicos nos últimos dias, reforçando uma estratégia de cooperação que combina investimentos, inovação tecnológica e intercâmbio cultural. Na segunda-feira (23), a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste recebeu, no Recife, a visita da cônsul-geral chinesa Lan Heping, em um encontro voltado à ampliação de parcerias estratégicas na região.
Durante a reunião, o superintendente Francisco Alexandre apresentou o Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE), destacando áreas prioritárias como infraestrutura, inovação e sustentabilidade. Também foram detalhados instrumentos de financiamento, como o Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), considerados fundamentais para viabilizar projetos estruturantes.
Do lado chinês, a diplomata trouxe diretrizes do novo ciclo de planejamento econômico do país, com base no 15º Plano Quinquenal (2026-2030), que prioriza inteligência artificial, autossuficiência tecnológica e transição energética. Nesse contexto, o Nordeste surge como território estratégico dentro da lógica do Sul Global, especialmente pela sua vocação para energias renováveis e potencial agrícola.
Um dos pontos centrais do encontro foi a possibilidade de cooperação na mecanização da agricultura familiar. A proposta envolve estudos para a produção de máquinas agrícolas de pequeno porte, com possível instalação de unidade fabril no Rio Grande do Norte. A iniciativa pode ampliar a produtividade no campo e fortalecer um setor responsável por grande parte do abastecimento alimentar no país.
A presença chinesa na região já é significativa, com investimentos em energia eólica, solar e indústria. Projetos como a instalação da fábrica da BYD na Bahia ilustram essa tendência, que contribui para diversificar a matriz produtiva nordestina.
Essa aproximação, no entanto, não se limita ao plano institucional. Em estados como Alagoas, a relação com a China também se consolida no campo econômico e cultural. O estado tem se destacado como exportador de cobre, recurso estratégico para a transição energética global, atraindo o interesse de empresas chinesas como a Baiyin Nonferrous, que apresentou proposta bilionária para aquisição da mineradora Vale Verde.
O cobre já representa parcela significativa das exportações alagoanas, evidenciando a importância dessa cadeia produtiva na conexão com o mercado asiático. Esse vínculo econômico tem impulsionado também trocas culturais. A Universidade Federal de Alagoas, por exemplo, firmou parcerias com universidades chinesas para o ensino de mandarim, ampliando a formação de profissionais aptos a atuar nesse eixo de cooperação.
Além disso, elementos da cultura chinesa começam a ganhar espaço no cotidiano local, seja por meio do entretenimento digital ou da popularização de conteúdos audiovisuais. Esse movimento reflete um padrão recorrente nas relações internacionais: o fortalecimento dos laços comerciais abre caminho para uma integração cultural mais ampla.