A movimentação de cargas nos portos nordestinos ganhou fôlego em 2025 e registrou o maior volume desde 2021. Segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), os terminais da região movimentaram 213,9 milhões de toneladas entre janeiro e agosto, alta de 1,14% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Os números refletem um momento de expansão logística no Nordeste, impulsionado por investimentos estruturais — especialmente da esfera federal — voltados ao enfrentamento de gargalos históricos do setor. Esse movimento, em curso desde 2021, posiciona a região de forma estratégica na cadeia brasileira de exportação de commodities, como grãos e combustíveis, ampliando sua competitividade no cenário nacional.
De acordo com o Ministério dos Portos e Aeroportos, os investimentos do Governo Federal são orientados pelo Planejamento Integrado de Transporte (PIT), instituído pelo Decreto nº 12.022/2024, e pelo sistema nacional de planejamento portuário. Ao Investindo Por Aí, o MPor destaca que os resultados recentes refletem uma estratégia focada no fortalecimento da infraestrutura e da governança logística. “Na execução das políticas públicas do setor portuário, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) busca o provimento de disponibilidade de infraestrutura portuária, com integração multimodal, sustentabilidade ambiental, social e econômica, na quantidade e qualidade necessárias à demanda de movimentação de produtos da região.”
Sob a ótica econômica, a previsibilidade regulatória proporcionada pelos planejamentos e concessões é considerada fundamental para a atração de capital privado, que tende a ampliar seus investimentos no setor diante dos resultados recentes. “O potencial de atração de capital privado para essa agenda é integral, visto que, por se tratar de modalidades como arrendamentos e concessões de serviços e infraestrutura, a natureza do capital a ser investido é intrinsecamente privada”, reforça o ministério.
O MPor aponta ainda que os projetos devem avançar nos próximos anos, com ações previstas em diversos portos nordestinos. “Estão previstos arrendamentos de áreas em complexos portuários como Natal, Recife, Suape, Fortaleza, Santana e Ilhéus. Adicionalmente, está prevista a concessão parcial dos portos organizados de Salvador, Aratu-Candeias e Ilhéus, administrados pela Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba). Esses projetos visam modernizar e expandir a capacidade operacional dos portos nordestinos, esperando-se que o investimento privado impulsione a eficiência e a competitividade da região.”
Maranhão ganha projeção com o Porto do Itaqui
Um dos destaques desse cenário é o Porto do Itaqui, no Maranhão. Segundo dados da Antaq, o terminal movimentou 8 milhões de toneladas de granéis líquidos em 2024. Desse total, cerca de 3,4 milhões de toneladas corresponderam a importações de derivados de petróleo, o que representou 30% do volume movimentado por portos públicos no país, conforme explica a presidente do Porto do Itaqui, Orquelina Costa. “O Porto do Itaqui consolidou-se em 2025 como um dos principais corredores logísticos do Arco Norte, com destaque para a movimentação de grãos e combustíveis. Esse desempenho acima da média é resultado de uma combinação de fatores estratégicos.”
As estratégias envolveram diferentes frentes operacionais. No segmento de grãos, houve ampliação da capacidade estática e da produtividade por navio no Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram) e em outros terminais. A integração logística com rodovias e com a Ferrovia Norte-Sul garantiu maior fluidez no transporte. Também foram adotadas operações ship-to-ship em dois berços, com parte da movimentação de combustíveis sendo realizada diretamente de navio para navio, além da expansão dos terminais de granéis líquidos, com novos tanques e sistemas de bombeamento. Houve ainda evolução contínua nos sistemas de planejamento e controle das operações, visando reduzir o tempo de permanência das embarcações no porto.
Para a Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), as expectativas para o fechamento de 2025 são positivas. “Até 27 de novembro, o Itaqui já havia alcançado 34,1 milhões de toneladas, superando, antes mesmo do fim do ano, o total movimentado em 2024. Com as operações previstas para dezembro, o porto deve reafirmar 2025 como o segundo maior ano de sua história em movimentação de cargas. Portanto, o Itaqui não apenas colaborou, mas foi um dos principais motores do recorde regional, graças ao crescimento expressivo do fluxo de grãos e granéis líquidos e à capacidade de ampliar a operação sem comprometer a eficiência”, afirma Orquelina.
Os impactos da alta movimentação se estendem para além da atividade portuária e alcançam a economia do estado como um todo. De acordo com a presidente do Porto do Itaqui, entre janeiro e novembro deste ano, o terminal respondeu por 61,6% das exportações e 91,5% das importações do Maranhão. “O aumento da movimentação de cargas no Porto do Itaqui tem gerado impactos diretos e significativos na economia do estado. Esse desempenho fortalece a balança comercial maranhense e atrai novos investimentos privados. Além disso, o porto gera aproximadamente 100 mil empregos diretos e indiretos em toda a sua cadeia produtiva e logística”, destaca.
