A Região Metropolitana de Maceió entrou oficialmente em um novo ciclo de expansão. Com o lançamento do maior pacote de investimentos da história da Grande Maceió, o Governo de Alagoas reservou R$ 5 bilhões para intervenções que vão de grandes corredores viários a creches, escolas, saneamento, requalificação urbana e equipamentos sociais. O anúncio inclui recursos próprios e parte das indenizações pagas pela Braskem, e inaugura uma fase de obras simultâneas em 13 municípios — o que o governo resume como um “salto de desenvolvimento” capaz de reconfigurar a estrutura urbana do território.
O governador Paulo Dantas afirmou, em nota oficial, que o pacote tem caráter estratégico. “A Grande Maceió vai receber o maior investimento da sua história, com obras que geram emprego, renda e justiça social. Estamos falando de mobilidade, saúde, educação e urbanização chegando de forma integrada aos municípios da região.” Segundo o Executivo, o objetivo é acelerar a recuperação do tecido urbano após os impactos socioeconômicos do afundamento do solo e, ao mesmo tempo, preparar a metrópole para o crescimento populacional e turístico dos próximos anos.

Uma metrópole que se expande para fora do centro
O programa, batizado de “Alagoas Faz a Grande Maceió Maior”, tem como eixo central a descentralização do desenvolvimento. Isso significa que o conjunto de obras foi pensado para “costurar” áreas periféricas ao núcleo central de Maceió, ampliando fluxos de deslocamento e acesso a serviços essenciais.
A lista inclui:
- Triplicação da AL-101 Sul, no trecho Maceió–Barra de São Miguel, orçada em cerca de R$ 500 milhões;
- Duplicação da AL-101 Norte, até Barra de Santo Antônio, com cerca de 30 km de extensão;
- Urbanização e requalificação de sedes municipais e corredores de acesso;
- Ampliação e modernização da Ceasa e requalificação do Mercado de Jaraguá;
- Construção de escolas, creches, equipamentos de assistência social, urbanização de grotas e melhorias habitacionais;
- Avanço de obras de saúde, como a conclusão do Hospital do Idoso e o início do novo Portugal Ramalho.
Parte desses projetos já está em execução e outros entram em fase de contratação ou licitação. Embora o governo não tenha divulgado cronogramas detalhados para todas as frentes, secretarias setoriais trabalham com entregas escalonadas entre 2025 e 2027.
Reconfiguração urbana, turismo e efeito imediato no emprego
O pacote atua em três frentes simultâneas: mobilidade, infraestrutura urbana e serviços públicos essenciais. A expansão das rodovias — especialmente para o Litoral Norte e para o eixo Marechal–Barra de São Miguel — mira diretamente o crescimento acelerado do turismo, um dos setores de maior impacto no PIB alagoano. Já as obras de urbanização e saneamento atingem áreas historicamente negligenciadas e têm potencial de melhorar indicadores sociais de curto e médio prazo.
Do ponto de vista econômico, o impacto é imediato: a construção civil deve ser a primeira a sentir o efeito multiplicador do pacote, aumentando a demanda por mão de obra, materiais, transporte e serviços. O reflexo, segundo analistas do setor, tende a se espalhar para comércio, alimentação e pequenos fornecedores, numa cadeia que costuma responder rápido a injeções volumosas de investimento público.
Integração com obras federais reforça o pacote
O governo também aposta na sinergia com o Novo PAC, que destina R$ 2,8 bilhões a obras federais em Alagoas. Entre elas, uma das mais relevantes para a Grande Maceió é o Arco Metropolitano, que vai duplicar trechos das BR-316 e BR-424 em Pilar, Marechal Deodoro e Satuba. O projeto é considerado decisivo para aliviar o tráfego de cargas e reorganizar o fluxo metropolitano.
Essa sobreposição de investimentos, estaduais e federais, deverá ampliar o alcance do pacote e criar uma malha de mobilidade mais robusta, reduzindo o gargalo hoje concentrado na capital.

O economista Cícero Péricles avalia que o novo pacote de R$ 5 bilhões tem peso estrutural e simbólico para o Estado; e explica que a escolha da Região Metropolitana não é aleatória. Para ele, o governo concentra esforços no território que abriga quase 40% da população alagoana e reúne os municípios mais dinâmicos da economia, responsáveis por cerca de 45% do PIB do Estado.
“Investimentos nessa área tendem a gerar retornos maiores e mais rápidos porque já encontram a economia em movimento.”
Péricles reforça que o impacto econômico decorre não apenas do volume empenhado, mas da diversificação das obras. Ele cita desde a triplicação da rodovia Maceió–Barra de São Miguel, estimada em cerca de R$ 500 milhões, até intervenções de menor porte — como creches, urbanização de grotas e novos equipamentos sociais.
“O eixo de infraestrutura absorve a maior parte dos recursos, mas o eixo do desenvolvimento social deverá gerar importantes dividendos políticos, em pleno ano eleitoral.”
Outro ponto destacado por ele é o caráter heterogêneo e não totalmente articulado do pacote.
“Essa iniciativa não integra um plano detalhado de governo. O propósito é viabilizar um conjunto de obras que atendam aos interesses da população e das prefeituras da Região Metropolitana.”
Segundo o economista, os efeitos previstos são positivos: melhoria da mobilidade entre Maceió e municípios em expansão, suporte ao crescimento acelerado do turismo (com destaque para os investimentos nas AL-101 Norte e Sul), além da modernização da Ceasa e do Mercado de Jaraguá, que fortalecem tanto a economia local quanto o setor de serviços. Ele ressalta ainda que, já em 2025, o impacto será ampliado pelas obras federais do Novo PAC, incluindo o Arco Metropolitano, projeto de R$ 340 milhões considerado vital para o escoamento de cargas e a integração viária.
“O conjunto dos investimentos amplia conexões, melhora a infraestrutura e sustenta o crescimento econômico. O desafio será a capacidade administrativa de executar todas as obras dentro dos prazos e com eficiência.”