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9 de fevereiro de 2026 13:10

Como Sergipe pretende superar os desafios para virar potência na produção de Cacau

Como Sergipe pretende superar os desafios para virar potência na produção de Cacau

Estado projeta alta de até 40% na safra de 2025 e aposta em viveiros locais, assistência técnica e parcerias estratégicas para superar gargalos na cadeia produtiva
Superar entraves como o alto custo de implantação, falta de mudas certificadas e acesso limitado à irrigação é o foco das ações que visam transformar Sergipe em referência na produção de cacau | Foto: Seagri – SE

Sergipe é considerado pelo Ministério da Agricultura como sendo um estado em expansão com o cultivo de cacau na região Nordeste do Brasil. A cultura, ainda majoritariamente conduzida por pequenos produtores, ganha espaço com apoio de políticas públicas, assistência técnica e sistemas agroflorestais. A expectativa é que a safra de 2025 atinja 15 toneladas de amêndoas, crescimento de até 40% em relação ao ciclo anterior.

De acordo com o assessor técnico da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), o engenheiro agrônomo Luiz Carlos Nunes, esse reconhecimento é pelo fato de que o cacau foi identificado como uma cultura promissora devido à capacidade de adaptação ao clima e solo da região, além do alto valor agregado.

Cacau ganha espaço em áreas antes dominadas pela citricultura

Atualmente, 32 produtores cultivam cacau em 32,4 hectares em municípios como Arauá, Boquim, Estância, Lagarto, Itaporanga, Indiaroba, Itabaianinha, Santa Luzia do Itanhy e Umbaúba. Os plantios seguem o modelo agroflorestal, sendo consorciados com banana, mandioca e mamão, o que garante renda antes da colheita do cacau.

Introduzida pela Emdagro em 2008, a cultura apresenta boa rentabilidade: uma arroba de amêndoa fermentada pode alcançar R$1.000, o que significa receitas entre R$4.000 e R$5.000 por lote.

A tendência é que mais produtores invistam no cacau, aproveitando as condições favoráveis e o suporte técnico oferecido pelo governo. “Hoje, temos 32 produtores de cacau atendidos direto pela Emdagro e esperamos ampliar esse número em 10% até 2026, alcançando 50 hectares de plantio de cacau em Sergipe”, informou Luiz Carlos.

Entraves à expansão

Apesar do avanço, alguns obstáculos ainda limitam a expansão da cacauicultura no estado. Entre eles estão o alto custo inicial para implantação, a ausência de viveiristas locais de mudas certificadas e as restrições de acesso à água para irrigação.

O engenheiro agrônomo Luiz Carlos Nunes, assessor técnico da Emdagro, afirma que o reconhecimento se deve ao fato de o cacau ter sido identificado como uma cultura promissora | Foto: Seagri – SE

Para reduzir a dependência de mudas vindas da Bahia — que hoje custam cerca de R$9 por unidade — a Emdagro iniciou o credenciamento de produtores locais. O primeiro a ser autorizado é o agricultor Jivonaldo Pereira, da comunidade de Nova Descoberta, em Indiaroba, município com a maior área plantada do estado.

A expectativa é que, a partir do segundo semestre de 2025, sua propriedade produza cerca de 6 mil mudas clonais — ou seja, cópias idênticas à planta de onde se retirou o material vegetal para produção — certificadas de cacau, podendo atender entre 35 e 40 agricultores familiares.

Segundo o diretor de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa da Emdagro, Jean Carlos Nascimento, esse é um passo essencial para fortalecer a cadeia produtiva do cacau em Sergipe, pois esse processo que tem sido iniciado pode transformar a produção de cacau no estado. “Com mudas certificadas produzidas localmente, se reduz os custos para os agricultores e garante maior controle sobre a qualidade e sanidade das plantas, o que representa um avanço fundamental para o setor”, explica.

Acordo técnico amplia base de conhecimento

De acordo com informações oficiais fornecidas exclusivamente para o Portal Investindo Por Aí pela Assessoria de Comunicação da Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e Pesca (Seagri), foi firmado, em agosto de 2023, um acordo de cooperação técnica entre a Seagri, a Emdagro e a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), órgão vinculado à Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Sustentável e Irrigação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O acordo tem duração de quatro anos.

O objetivo da cooperação é executar ações de pesquisa e de transferência de tecnologias voltadas ao desenvolvimento da cacauicultura no estado de Sergipe. As iniciativas incluem a capacitação da equipe técnica da Emdagro, a implantação de um Jardim Clonal na área de difusão de tecnologia da Emdagro localizada no município de Boquim, e a realização de ‘Dias de Campo’ voltados à transferência de tecnologias para agricultores familiares.

Também está prevista a análise de dados técnico-científicos gerados nas áreas implantadas com Unidades de Observação da cultura do cacau, além da elaboração de um protocolo técnico específico para o sistema de produção do cacau no estado de Sergipe.

Capacitação e tecnologia para pequenos produtores

A Emdagro tem desenvolvido várias ações voltadas principalmente para a capacitação e orientação técnica dos agricultores familiares, especialmente no manejo da cultura com plantio, adubação, irrigação, tratos culturais, controle de pragas e doenças; além do processo de colheita, beneficiamento com fermentação, secagem e armazenagem.

A empresa realiza intercâmbio técnico de agricultores e técnicos executores junto ao Centro de pesquisa da Ceplac no município de Ilhéus, no estado da Bahia, onde já foram treinados em sistema de produção de produção de cacau a pleno sol, calibração de adubação, realização de podas de condução, colheita, fermentação e beneficiamento de amêndoas de cacau.

A Emdagro também já implantou, em parceria com agricultores familiares nos municípios de Arauá, Estância, Lagarto e Umbaúba, dez Unidades de Observação com a cultura, que são campos experimentais, visando a transferência de tecnologia de produção, implantação de novas variedades e servir de multiplicação de conhecimentos para os demais produtores da região Citrícola do estado. Paralelo a isso foram ofertadas 15 mil mudas para os produtores.

Manoel da Conceição, 68 anos, é um dos pioneiros no cultivo de cacau em Arauá (SE). Há mais de 45 anos, cultiva diversas culturas em sua propriedade de 10 hectares. Em 2012, foi selecionado pela Emdagro para implantar uma Unidade de Observação com testes de clones e manejo do cacau | Foto: Seagri – SE.

Novas iniciativas estão sendo feitas como a produção de cacau em áreas não tradicionais, a exemplo das duas unidades de produção de cacau em Canindé de São Francisco em área irrigada.

Além de todo investimento em assistência técnica, capacitação de técnicos, produtores e ampliação da área cultivada, como já foi dito, a ação estratégica é realmente estimular a produção de mudas certificadas para diminuir o custo de implantação da cultura. A Emdagro tem feito, também, apoio técnico na elaboração de projetos e intermediando financiamento junto aos agentes financeiros para mostrar a viabilidade da cultura nos próximos anos.

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