
Indicado desde o início do segundo mandato de Donald Trump como presidente dos EUA, um novo pacote de tarifas comerciais entrou em vigor na última quinta-feira, 3 de abril. A partir de agora, todos os produtos exportados do Brasil para os EUA serão taxados em 10%. Já para o aço e o alumínio, com taxas fixadas em março, o valor será de 25%.
Segundo Alessandro Azzoni, economista e diretor do SINFAC – SP, as principais áreas afetadas por essa nova taxação é o setor siderúrgico, principalmente o aço e o alumínio, e o setor aeronáutico, que já estão praticando uma taxa muito alta para exportar seus produtos para os Estados Unidos. Além disso, a produção voltada para a exportação de etanol, materiais para construção e madeira e derivados passou a ser taxada em 10% em um mercado muito importante.
Ao aumentar a taxa de produtos importados do Brasil, o tarifaço de Trump também deixa a concorrência americana muito mais forte, dificultando a entrada de produtos brasileiros que têm nos EUA uma parte importante do seu mercado consumidor.
“No geral, as principais consequências para o Brasil serão uma perda de exportação para um mercado importante e impacto na paridade monetária entre o dólar e o real”, afirma Alessandro Azzoni. “É essencial que o Brasil realize medidas tarifárias contra os Estados Unidos e procure outros mercados para contornar essa situação”, observa.
No caso do Nordeste, a produção de etanol será uma das principais afetadas, com a taxa de exportação para os EUA indo de 2,5% para 10%. Mercado importante para a produção nacional, os EUA foram responsáveis por US$ 181,8 milhões das exportações da matéria-prima pelo Brasil.
A agricultura nordestina também sofrerá um impacto da taxação, já que setores importantes para alguns estados, como a soja e a fruticultura, têm um público consumidor importante no mercado americano. Com esse pacote de taxas, os produtos locais se tornam mais atrativos para o mercado dos EUA, por isso, as exportações brasileiras também passarão a ter uma concorrência muito forte dentro dos EUA.
O petróleo do Nordeste, produzido especialmente na Bahia, Sergipe e Rio Grande do Norte, tem como um dos principais destinos os EUA. Apesar de ser o único produto isento de tarifas no pacote de taxas de Trump, o petróleo deve sofrer alguns efeitos colaterais das novas tarifas e ter seu rendimento afetado.
Para o economista consultado pela reportagem, apesar de parecer catastrófica, a situação pode ser positiva para a economia nordestina. “O Nordeste, dentro desse contexto, pode aproveitar esse momento de taxação americana para conquistar nos mercados e novos blocos econômicos”, explica Alessandro Azzoni. “Outros países também estão sofrendo com taxações na guerra comercial entre EUA e China. São nesses mercados que o Nordeste pode procurar novos parceiros econômicos”, conclui.
O governo brasileiro, em nota oficial, lamentou as novas medidas da Casa Branca e reforçou a necessidade de negociações sobre o pacote de tarifas. No caso de outros países, a taxa para exportar para os EUA será bem maior do que a imposta ao Brasil: China será taxada em 37%, Japão em 24% e a União Europeia em 20%.
“O principal risco no primeiro momento é uma queda brusca nas exportações entre Brasil e EUA sem que os exportadores foquem em outros mercados”, diz o economista. “Porém, no geral, acredito que serão poucas as consequências para a nossa economia dada a versatilidade do mercado brasileiro”