
Localizado em uma posição estratégica, o Porto Piauí tem previsão de início das operações comerciais ainda em 2026. Um empreendimento desenhado para ser um dos principais projetos de infraestrutura do estado e que está em obras desde 2023 – ano em que a companhia passou a ser uma subsidiária da Investe Piauí, a agência de atração de investimentos do Governo do estado.
Até 2025, R$ 200 milhões foram investidos pelo estado para realização dos projetos e trabalhos de terraplanagem, iluminação pública, regularização fundiária, dragagem, construção do canal de acesso, do pátio de contêineres e do cais multipropósito.
Raimundo Dias Junior, engenheiro civil e diretor-presidente da companhia Porto Piauí, comenta que as equipes trabalham com zelo, respeitando todos os ritos legais e necessidades de licenciamentos. “Com o apoio do Governo do Estado do Piauí e dos nossos parceiros privados, estamos conseguindo superar o nosso principal desafio: tornar realidade um porto que é sonhado pela população piauiense há quase cem anos”, diz.
Desde o início das obras, em 2023, Raimundo afirma que o cronograma tem avançado conforme planejado e que todas as questões estão sendo tratadas simultaneamente com os órgãos responsáveis: como a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), o ICMBio e a Receita Federal, e os demais atores da cadeia logística, como a Polícia Rodoviária Federal, associações de pescadores, Marinha do Brasil e Antaq.
De acordo com o diretor-presidente, os esforços estão focados para viabilizar as primeiras operações comerciais em 2026. O funcionamento será iniciado pelo desembarque do fertilizante marinho (lithothamnium), colhido do solo do mar do Piauí, além da exportação de minério de ferro oriundo do município de Piripiri, a cerca de 180 quilômetros do Porto de Luís Correia. O projeto prevê também o início da operação do Terminal Pesqueiro, que vai agregar valor à produção local. Segundo a Porto Piauí, o terminal vai contar com unidades de beneficiamento de pescado, fábrica de gelo e posto de combustível, com o objetivo de profissionalizar a atividade local.
Raimundo diz que o projeto possui muitas fases “Algumas delas foram concluídas, como a dragagem do canal de acesso e a construção da nossa sede administrativa. Outras, estão em execução, como a sinalização náutica, a área alfandegada do Terminal de Uso Privado e a urbanização do espaço onde vai funcionar o Terminal Pesqueiro. Há ainda outras fases que ainda não iniciaram, como a recuperação do rio Parnaíba para operacionalizar a Hidrovia do Rio Parnaíba, que está em fase de estudos técnicos.”
A empresa informa que até 2025, as operações de projetos e construção geraram cerca de 200 empregos diretos. Com expectativa de criar mais de 400 novas vagas conforme o avanço das fases da obra e início das operações.
Com uma área de influência que abrange 8 dos 9 estados do Nordeste e todo o Tocantins, região que concentra cerca de 50% do PIB agregado dessas áreas, a Porto Piauí informa que, a partir das operações com minério de ferro, a exportação pelo litoral deve agregar valor e impulsionar ainda mais a produção do estado, que cresceu mais de 4.000% entre 2023 e 2024.
Segundo a companhia, há ainda R$ 400 milhões destinados às demais fases: obras de urbanização, alfandegamento, rede elétrica e outros serviços. O cais pesqueiro também deve entrar em operação ainda em 2026, conforme comunicado da empresa. A companhia afirma que até 2029, o Porto Piauí deve contar com seis berços de atracação, operando combustíveis, cargas gerais em contêineres, grãos, fertilizantes e amônia.
“Também estamos em negociações com a Green Energy Park para a instalação de um terminal de granéis líquidos, para movimentar combustível e derivados de Hidrogênio; e com a empresa paulista CNAGA, que deve operar a movimentação de contêineres e carga geral na área alfandegada”, comenta Raimundo.
Já as obras para ampliação da Hidrovia do Rio Parnaíba têm a previsão de começar no segundo semestre de 2026, com objetivo de facilitar o transporte de mercadorias entre o sul e o norte do estado. O projeto de revitalização prevê investimento de R$ 995 milhões e inclui ações ambientais, sociais e econômicas ao longo de mais de 900 km. O plano inclui: recuperação de nascentes, recomposição florestal, saneamento, dragagem e derrocagem, construção de estações de transbordo e ações de educação ambiental e regularização fundiária.
Em agosto de 2025, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional destinou R$ 995 milhões do Fundo de Desestatização da Eletrobras para recuperar a navegabilidade da hidrovia.