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5 de março de 2026 06:01

Dados do Pnad mostram assimetria na renda dos estados do Nordeste

Dados do Pnad mostram assimetria na renda dos estados do Nordeste

Dados do IBGE revelam crescimento da renda domiciliar per capita no Brasil em 2025, mas disparidades regionais persistem e trajetórias dentro do próprio Nordeste divergem
Agência Brasil

O Brasil registrou rendimento domiciliar per capita de R$ 2.316 por mês em 2025, o maior patamar da série recente, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados pelo IBGE. O crescimento nominal de 11,9% em relação a 2024 reflete um mercado de trabalho aquecido, a taxa de desemprego fechou o ano em 5,6%, a menor da história da série, iniciada em 2012, mas esconde uma realidade mais complexa: dentro do Nordeste, estados vizinhos trilham caminhos opostos.

Sergipe e Piauí figuram entre os destaques positivos da região. O estado sergipano registrou o maior avanço percentual do Nordeste, com crescimento de 15,2% na renda domiciliar per capita, que saltou de R$ 1.473 em 2024 para R$ 1.697 em 2025, posicionando Sergipe como o segundo maior rendimento da região. Para Michele Doria, gerente de Estudos Socioeconômicos do Observatório de Sergipe, o resultado é animador. Ela avalia que o crescimento indica melhora na renda média das famílias sergipanas e reflete um cenário de aquecimento econômico no estado, com impactos positivos no consumo e nas atividades locais — ainda que os valores sejam nominais e não considerem os efeitos da inflação.

O Piauí também surpreendeu. Com alta de 14,5%, a renda domiciliar per capita piauiense passou de R$ 1.350 para R$ 1.546, permitindo ao estado superar cinco unidades do Nordeste e três do Norte no ranking nacional. O governador Rafael Fonteles comemorou o resultado e reafirmou o compromisso com ações nas áreas de educação, qualificação profissional e atração de investimentos. “Vamos continuar trabalhando forte, em conjunto com o setor produtivo, para melhorar a renda do nosso povo e superar a média nacional em poucos anos”, afirmou.

O desempenho de ambos os estados contrasta com o da Bahia, maior economia do Nordeste e que, paradoxalmente, apresentou um dos piores desempenhos relativos do país em 2025. O rendimento domiciliar per capita baiano cresceu apenas 7,2% no período, passando de R$ 1.366 para R$ 1.465 — um acréscimo nominal de R$ 99, abaixo do salário mínimo vigente de R$ 1.518. Como consequência, a Bahia recuou duas posições no ranking nacional, passando do 20º para o 22º lugar, e perdeu terreno também dentro do Nordeste, caindo da 5ª para a 6ª posição regional, justamente em razão do avanço mais acelerado do Piauí.

O crescimento baiano de 7,2% colocou o estado na 23ª posição entre todas as unidades da Federação em termos de variação percentual — entre os cinco menores crescimentos do país. Em valores absolutos, o acréscimo de R$ 99 ficou acima apenas de Mato Grosso, Pará e Alagoas. A distância em relação à média nacional também se ampliou: enquanto o Brasil cresceu 11,9%, a Bahia avançou pouco mais da metade desse ritmo.

O cenário reforça uma característica histórica do Brasil: a persistência de desigualdades regionais profundas, mesmo em anos de expansão econômica generalizada. Em 2025, todas as 27 unidades da Federação registraram crescimento nominal da renda domiciliar per capita, mas o ritmo desigual fez com que os mais lentos perdessem posição relativa. No extremo superior do ranking, o Distrito Federal lidera com R$ 4.538 mensais per capita, seguido por São Paulo (R$ 2.965) e Rio Grande do Sul (R$ 2.839). Na outra ponta, o Maranhão registra o menor rendimento do país, R$ 1.219, seguido por Ceará (R$ 1.390) e Acre (R$ 1.392).

Os dados da Pnad Contínua têm também relevância institucional direta: são enviados pelo IBGE ao Tribunal de Contas da União e utilizados como critério para a distribuição do Fundo de Participação dos Estados (FPE), principal mecanismo de transferência de recursos da União para os governos estaduais.

O que os números de 2025 deixam evidente é que crescer não é suficiente. É preciso crescer mais rápido do que os demais. No Nordeste, enquanto Sergipe e Piauí mostram que é possível avançar de forma acelerada mesmo em contextos desafiadores, a Bahia serve de alerta: em um cenário em que todos sobem, quem sobe menos acaba ficando para trás.

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