
O incentivo à diversificação agrícola tem transformado a realidade de produtores sergipanos beneficiados pela irrigação pública. No perímetro irrigado Jacarecica II, localizado em Malhador, no agreste central do Estado, agricultores ampliam o cultivo de novas espécies frutíferas e garantem produção durante todo o ano, impulsionados pelo apoio técnico e logístico da Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri).
Um dos exemplos é o agricultor Valmir de Oliveira, do Assentamento Marcelo Déda. Com a oferta permanente de água e assistência da Coderse, ele adotou novas técnicas de irrigação e ampliou a diversidade de culturas em seu lote. “No passado, tivemos até 2.250 pés de acerola ‘sertaneja’. Hoje reduzimos essa quantidade, mas incluímos as variedades ‘okinawa’ e ‘junco’, que produzem no período frio. Também plantamos abacate, sapota, goiaba, cana e coco. Essa diversidade só foi possível por conta da irrigação”, explicou o agricultor.
Valmir contou com o apoio da Coderse para adquirir mangueiras e microaspersores, equipamentos que garantem o uso mais eficiente da água. Segundo o coordenador operacional da Diretoria de Irrigação da Coderse (Cope/Dirir), Roberto Marques Santos, a iniciativa partiu da observação direta em campo. “O senhor Valmir regava as frutas manualmente. Diante disso, nossa equipe identificou as necessidades e forneceu o material para instalar um sistema de microaspersão, que consome menos água e amplia a área irrigada”, destacou.
Alternativa à monocultura
A diversificação de culturas é uma estratégia defendida pela Coderse para reduzir riscos econômicos e ambientais. O diretor de Irrigação da Companhia, Júlio Leite, ressalta que a assistência técnica busca orientar produtores a não depender de uma única lavoura. “Uma praga, doença ou queda de preço pode comprometer toda a produção. Incentivar diferentes cultivos é essencial para garantir estabilidade e renda ao agricultor”, afirmou.
A introdução de novas variedades, como a acerola ‘okinawa’, também trouxe vantagens para o manejo. Desenvolvida no Japão, a fruta se adapta bem ao clima mais frio e permite ao produtor manter a colheita mesmo no inverno sergipano. “A mão de obra para colher acerola está cada vez mais difícil. Por isso, estamos apostando em frutos maiores, como a sapota e o abacate, que facilitam a colheita”, explicou Valmir.
Seu filho, Marcos Vinícius Freitas, que trabalha ao lado do pai, reforça que a irrigação garante produção constante. “Durante o verão colhemos a acerola ‘sertaneja’. No inverno, passamos para a ‘okinawa’, além da goiaba, sapota, coco e abacate. Essa rotatividade mantém nossa renda e nos ajuda a permanecer no mercado”, contou.
Com o uso racional da água e o estímulo à diversificação, o Governo de Sergipe aposta na irrigação pública como instrumento de sustentabilidade e desenvolvimento rural, fortalecendo a economia agrícola em diversas regiões do estado.