
A guerra comercial entre Estados Unidos e China, disparada pela aplicação de super tarifas pelos Estados Unidos ao gigante asiático e outros países, terá efeito diverso não só entre os países e diferentes blocos econômicos, mas também entre estados e regiões do Brasil. O Nordeste, por ter uma economia centrada em serviços, com menor escala de produção de commodities, não sofrerá um desaquecimento econômico como outras regiões do país.
Um levantamento feito pela Lifetime Investimentos mostrou que alguns dos estados nordestinos, como Piauí, Ceará e Pernambuco, estão no topo da escala de exportadores tanto para a China quanto para os Estados Unidos.
A economista-chefe da Lifetime, Marcela Kawauti, explica, no entanto, que a região, ainda que tenha a característica de estados menores e com mercados exportadores menos diversificados, se beneficia por uma economia geral mais voltada para os serviços.
“O Nordeste tem uma fonte de riqueza super importante que é o turismo. A capacidade de atrair investimentos é maior que em outras regiões com estados relativamente pequenos, como o Paraná”, afirma Kawauti.
De todos os estados brasileiros, o Ceará é o maior estado exportador para os Estados Unidos, com 45,2% de todas as exportações para os norte-americanos, com protagonismo da indústria siderúrgica. Já a soja no Piauí contribui para que 62% de toda a exportação do estado vá para a China, e com isso apareça no topo da lista de estado mais exposta ao tarifaço.
Mas, como explica a economista, o Brasil, de modo geral, não só está fora da mira da guerra comercial – ficou com 10% da taxa sobre seus produtos, a taxa mínima imposta pelos Estados Unidos, como também se vê na posição de abrir espaço para novas negociações e mercados.
“O maior fornecedor de soja para a China hoje são os próprios Estados Unidos. Para usar exemplo, a soja é um produto cujo mercado no Brasil é bem desenvolvido. É possível aprofundar a parceria comercial com os chineses”, disse Kawauti.
Ainda assim, os estados com maior concentração de exportações para os Estados Unidos estão mais vulneráveis nesse momento do que aqueles que têm a pauta de exportação focada na China.
Apesar da desaceleração da economia em todo o mundo, a economista afirma que a guerra comercial ainda está numa fase errática. Ou seja, novas rodas de negociação e uma acomodação das tarifas no médio prazo irão mostrar como governos e setor privado irão se mover.
O crescimento da economia chinesa no primeiro trimestre mostra fôlego, efeito da política de estímulo lançada pelo governo em outubro do ano passado e da antecipação das compras diante da iminência do aumento das taxas.
A economista destaca que a perda de credibilidade dos Estados Unidos, pode reforçar a posição da China no mercado asiático, aumentar a relevância da União Europeia para o Ocidente, mas também ampliar o papel do Brasil nessa reorganização do comércio internacional.
“As tarifas não são surpresa. O Donald Trump se elegeu com essa pauta. Mas elas foram muito além do esperado. O mundo hoje está fragmentado. Ainda é cedo para calcular a extensão do dano, mas já é hora dos países, blocos econômicos e estados repensarem seus modelos de atrair investimentos, pois oportunidades surgirão, isso é certo”, conclui.
Apesar da desaceleração da economia em todo o mundo, a economista afirma que a guerra comercial ainda está numa fase errática. Ou seja, novas rodas de negociação e uma acomodação das tarifas no médio prazo irão mostrar como governos e setor privado irão se mover.
O crescimento da economia chinesa no primeiro trimestre mostra fôlego, efeito da política de estímulo lançada pelo governo em outubro do ano passado e da antecipação das compras diante da iminência do aumento das taxas.
A economista destaca que a perda de credibilidade dos Estados Unidos, pode reforçar a posição da China no mercado asiático, aumentar a relevância da União Europeia para o Ocidente, mas também ampliar o papel do Brasil nessa reorganização do comércio internacional.
“As tarifas não são surpresa. O Donald Trump se elegeu com essa pauta. Mas elas foram muito além do esperado. O mundo hoje está fragmentado. Ainda é cedo para calcular a extensão do dano, mas já é hora dos países, blocos econômicos e estados repensarem seus modelos de atrair investimentos, pois oportunidades surgirão, isso é certo”, conclui.



