A economia costuma ser apresentada ao grande público como um território árido, dominado por fórmulas, gráficos e termos técnicos. Em “Economia em Lições do Dia a Dia”, o professor Cássio Besarria propõe o caminho inverso: traduzir conceitos centrais da ciência econômica para uma linguagem direta, didática e ancorada em situações cotidianas. O livro, que começou a ser produzido no fim de 2024, tem como foco leitores não economistas e busca transformar o rigor acadêmico em ferramenta prática de compreensão da realidade brasileira. A obra já está em pré-venda nas plataformas digitais e será lançada em março do próximo ano.
“Leitores irão perceber que a principal característica desse livro são os textos curtos e com linguagem acessível. É um livro para não economistas”, afirma Besarria. A proposta se materializa em capítulos que explicam temas como inflação, taxa de juros, câmbio e Produto Interno Bruto (PIB) por meio de analogias simples, relatos pessoais e exemplos do dia a dia, conectando a teoria às escolhas que famílias e gestores fazem diariamente.
Ao abordar inflação e juros, o autor demonstra como esses indicadores moldam o poder de compra e o planejamento doméstico. Juros elevados, por exemplo, podem estimular a poupança, mas também funcionam como um “remédio amargo” ao encarecer o crédito e frear o consumo. Já a inflação afeta desde a feira do mês até decisões de longo prazo, como a contratação de um financiamento. “Temas que são apresentados com grande carga matemática e estatística serão apresentados de maneira mais simples. O objetivo é entender como esses temas afetam as pessoas no dia a dia”, resume o professor.
O câmbio aparece como outro fator decisivo na vida cotidiana. A valorização ou desvalorização do real influencia preços de alimentos, combustíveis e produtos importados, afetando diretamente o orçamento familiar. Em cenários de incerteza econômica, argumenta Besarria, a tendência é que as famílias se tornem mais cautelosas, reduzindo consumo e adiando decisões, enquanto empresas e gestores revisam investimentos diante de riscos menos previsíveis.
O livro também dedica atenção especial à modernização do sistema financeiro, tendo o Pix como principal exemplo. Implementado em 2020, em meio à pandemia, o sistema é apresentado como um divisor de águas na inclusão financeira. Ao reduzir custos de transação e eliminar barreiras geográficas, o Pix permitiu que pequenos negócios, trabalhadores autônomos e até aposentados operassem com mais agilidade e segurança. A analogia usada por Besarria compara o sistema à abertura de uma grande rodovia digital em um terreno antes ocupado apenas por trilhas estreitas e caras, como DOC e TED.
O autor não ignora os desafios. Golpes digitais e a exclusão de pessoas sem acesso à internet mostram que a inclusão financeira ainda não é plena. Mesmo assim, a expansão contínua do Pix, com inovações como o pagamento por aproximação e o Pix automático, reforça seu papel estruturante na economia brasileira e na execução de políticas públicas, inclusive na distribuição de benefícios sociais.
Para gestores públicos e privados, “Economia em Lições do Dia a Dia” funciona como um mapa conceitual. O livro discute a importância de diferenciar risco e incerteza, de usar evidências empíricas na formulação de políticas e de manter eficiência e transparência na gestão. Besarria destaca que decisões guiadas apenas pela intuição podem gerar políticas contraditórias e custos elevados de ajuste, enquanto instituições sólidas e incentivos corretos são fundamentais para o crescimento de longo prazo.
O PIB surge como síntese desses movimentos. Seu crescimento influencia empregos, salários e planejamento empresarial, mas o autor alerta para os limites do chamado PIB potencial. A economia, explica, é como um caminhão com capacidade máxima de carga: operar acima desse limite aumenta o risco de “acidentes”, como pressões inflacionárias e gargalos produtivos, exigindo ajustes de expectativas por parte de famílias e gestores.
Ao abrir mão, deliberadamente, do excesso de estatística e matemática, Besarria reconhece o desafio. “Abrir mão dessas ferramentas foi um exercício desafiador para mim. Espero que a obra possa atender a essa demanda da sociedade; principalmente a paraibana”, afirma. O resultado é um livro que aposta na clareza como estratégia e reforça a ideia de que compreender economia não é um luxo acadêmico, mas uma necessidade prática para navegar em um país marcado por decisões econômicas que impactam, diariamente, a vida de todos.
