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26 de fevereiro de 2026 13:37

Embasa prepara carteira de projetos para destravar investimentos em saneamento na Bahia

Embasa prepara carteira de projetos para destravar investimentos em saneamento na Bahia

Credenciamento de empresas para elaboração de estudos e projetos básicos de engenharia sinaliza estratégia para acelerar obras e cumprir metas do novo marco do saneamento
Foto: Reprodução/Internet

A Embasa deu início a uma nova etapa de planejamento para ampliar e modernizar os sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário na Bahia. A companhia abriu credenciamento de empresas especializadas para elaboração de estudos e projetos básicos de engenharia, em movimento que antecipa a estruturação de um portfólio robusto de intervenções e pavimenta o caminho para novos investimentos no setor.

Com atuação em 368 dos 417 municípios baianos, a Embasa enfrenta o desafio de operar e expandir sistemas em um território marcado por grandes distâncias, diversidade climática e desigualdades regionais. A formação de uma carteira consistente de projetos executivos é considerada condição essencial para destravar recursos públicos, viabilizar financiamentos e garantir previsibilidade na execução de obras nos próximos anos.

O credenciamento terá vigência de 360 dias e abrange a contratação de serviços técnicos para elaboração de estudos de concepção, projetos básicos e demais peças de engenharia necessárias à implantação, ampliação ou melhoria de sistemas de água e esgoto. A iniciativa foi anunciada pelo governo baiano como parte de uma estratégia mais ampla de fortalecimento da infraestrutura de saneamento no estado.

Segundo o presidente da Embasa, Gildeone Almeida, o credenciamento é uma estratégia fundamental para ampliar a capacidade de resposta da empresa. “Estamos estruturando futuras contratações que nos permitam acelerar os investimentos e enfrentar o desafio da universalização do saneamento em um estado marcado pela diversidade e grande extensão do seu território”, destaca.

A movimentação ocorre em sintonia com as metas estabelecidas pelo Novo Marco Legal do Saneamento, que prevê a universalização do acesso à água potável até 2033 e a ampliação da cobertura de esgotamento sanitário para 90% da população no mesmo horizonte. Para estados com forte presença de municípios de pequeno porte e áreas rurais dispersas, como a Bahia, o desafio é ainda mais complexo.

Portfólio como estratégia

No setor de infraestrutura, a existência de projetos executivos maduros é requisito central para acessar linhas de crédito de bancos públicos e organismos multilaterais. Sem projetos detalhados, com estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental consolidados, os empreendimentos dificilmente avançam para a fase de captação de recursos.

Ao estruturar um banco de projetos previamente elaborados, a Embasa busca reduzir essa dependência de processos demorados e fragmentados. A ideia é que, à medida que surjam oportunidades de financiamento, seja por meio de recursos federais, operações de crédito ou parcerias, a companhia já tenha propostas tecnicamente prontas para serem apresentadas.

Especialistas em gestão pública e infraestrutura analisam que a estratégia é coerente com as exigências do novo marco regulatório, e que o marco do saneamento aumentou a pressão por metas e desempenho, exigindo planejamento de médio e longo prazo. O credenciamento para projetos de engenharia indica uma mudança de postura: sair da lógica reativa e passar a trabalhar com carteira estruturada, o que dá previsibilidade e melhora a qualidade do gasto público.

Além disso, a ausência de projetos é um dos principais desafios históricos do investimento em saneamento no Brasil. Muitos municípios e até companhias estaduais têm dificuldade em manter equipes técnicas suficientes para desenvolver estudos complexos. Ao credenciar empresas, a Embasa amplia sua capacidade operacional sem necessariamente inflar a estrutura interna.

A Bahia é o maior estado do Nordeste em extensão territorial, com realidades muito distintas entre o litoral densamente povoado, o semiárido e regiões com baixa densidade demográfica. Esse cenário impõe desafios técnicos específicos, desde a captação e tratamento de água em áreas com escassez hídrica até a implantação de redes de esgoto em cidades com crescimento urbano desordenado.

Em municípios menores, a viabilidade econômica dos sistemas também é um ponto sensível. Projetos precisam considerar soluções adaptadas à escala local, como sistemas simplificados, tecnologias alternativas de tratamento e modelos que equilibrem custo e sustentabilidade operacional.

De acordo com a Embasa, o credenciamento permitirá contemplar diferentes tipologias de projetos, adequadas às características de cada região. A expectativa é que a ampliação da carteira de estudos contribua para reduzir déficits históricos, sobretudo no esgotamento sanitário, que ainda apresenta cobertura inferior à de abastecimento de água em diversas localidades.

A corrida pela universalização

Desde a aprovação do novo marco, companhias estaduais de saneamento têm intensificado esforços para comprovar capacidade econômico-financeira e garantir investimentos compatíveis com as metas de universalização. No caso baiano, a atuação da Embasa em 368 municípios reforça o papel estratégico da empresa na coordenação das políticas públicas de saneamento.

Para alguns especialistas, a preparação de projetos também fortalece a posição da companhia em eventuais disputas por recursos. Quem apresenta projetos mais estruturados tende a ter prioridade em programas de financiamento. Além disso, projetos bem elaborados reduzem riscos de paralisações, aditivos contratuais e questionamentos de órgãos de controle.

Em um ambiente regulatório mais rigoroso, a governança e a qualidade técnica ganham peso, ou seja, não se trata apenas de investir mais, mas de investir melhor. A formação de um portfólio robusto sinaliza maturidade institucional.

Impactos esperados

A ampliação dos investimentos em água e esgoto tem efeitos diretos na saúde pública, na preservação ambiental e no desenvolvimento econômico. Estudos nacionais indicam que cada real investido em saneamento gera economia em gastos com saúde e aumenta a produtividade da população.

Na Bahia, onde parte dos municípios ainda enfrenta limitações de infraestrutura básica, o avanço de projetos pode representar salto qualitativo para comunidades urbanas e rurais. Além de reduzir doenças de veiculação hídrica, a expansão do esgotamento sanitário contribui para a despoluição de rios e áreas costeiras, com impactos positivos sobre turismo e atividades produtivas.

A abertura do credenciamento, portanto, vai além de um procedimento administrativo. Ela indica a tentativa de alinhar planejamento, regulação e financiamento em um setor historicamente marcado por defasagens. A preparação técnica é a base de qualquer política pública consistente. Se a Embasa conseguir transformar esse credenciamento em um pipeline contínuo de projetos prontos para execução, o estado poderá acelerar significativamente sua trajetória rumo à universalização.

Nos próximos meses, o andamento do credenciamento e a velocidade de contratação das empresas habilitadas serão acompanhados de perto por gestores e pelo mercado.

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