
O Extreme Group lançou a Volund, empresa que se apresenta como a primeira brasileira especializada em engenharia agêntica de software, que é um modelo em que agentes de inteligência artificial deixam de funcionar como ferramentas de apoio e passam a conduzir ativamente todas as etapas do desenvolvimento: do levantamento de requisitos à documentação final de entrega. Com sede no Porto Digital, em Recife, a companhia mira contratos de grande porte nos setores público e privado e projeta R$ 830 milhões em faturamento acumulado ao longo dos próximos quatro anos.
A proposta central da Volund é substituir o modelo tradicional de desenvolvimento, baseado em squads numerosas, fluxos longos entre áreas e cronogramas que se estendem por meses, por uma esteira agêntica ponta a ponta. Na prática, grupos de agentes especializados assumem tarefas como análise de requisitos, geração de propostas comerciais, decomposição de backlog, escrita e revisão de código, execução de testes e produção de documentação. Equipes humanas enxutas, de duas a quatro pessoas, ficam responsáveis pela supervisão estratégica, arquitetura, qualidade e relacionamento com o cliente.
O resultado prometido é expressivo: projetos que no modelo convencional levariam entre seis e doze meses podem ser entregues em aproximadamente 15 dias. “O mercado de desenvolvimento de software está preso a um paradigma que não serve mais às organizações que precisam competir em tempo real”, afirma Vinicius Guedes, CEO da Volund. “Estamos entregando o futuro do desenvolvimento de software agora.”
Ainda antes de ser oficialmente apresentada ao mercado, a Volund já acumulava casos que sustentam sua tese. O mais emblemático envolve a plataforma Legis, voltada à gestão jurídica: uma solução que havia demandado 14 meses de desenvolvimento e cerca de R$ 2 milhões foi reconstruída em dois meses por menos de R$ 200 mil, com agentes de IA atuando em todas as etapas. No mês de lançamento, o projeto gerou R$ 400 mil em valor contratual.
Para o setor público, a empresa entregou um projeto a uma estatal em 15 dias corridos. Um cronograma que, no modelo tradicional, levaria cerca de sete meses.
Segurança e supervisão sistemática
Um dos pontos de atenção em modelos altamente automatizados é a qualidade e a segurança do que é gerado. A Volund afirma ter estruturado uma cadeia em que agentes auditam os outputs uns dos outros em cada etapa, com revisores dedicados checando padrões arquiteturais, vulnerabilidades e conformidade com os requisitos. A empresa garante ainda que nenhum dado proprietário dos clientes é utilizado para treinar modelos externos.
Internamente, a companhia já opera com uma diretora virtual baseada em IA, chamada Vitória, que possui os mesmos privilégios de acesso que diretores humanos e executa tarefas administrativas como geração e pagamento de boletos.

Ambição de longo prazo
Até 2030, a meta da Volund é entregar mil projetos corporativos com menos de 5% de intervenção humana direta no desenvolvimento. A empresa estima que, no modelo tradicional, essa mesma carteira levaria entre 22 e 60 anos para ser concluída. Em 18 meses, a projeção é que uma única pessoa seja capaz de conduzir múltiplos projetos complexos simultaneamente, com ganho de até 25 vezes no tempo de entrega.
O mercado endereçado pela empresa é vasto. Segundo a consultoria MarketsandMarkets, o segmento global de agentes de IA deve saltar de US$ 5,1 bilhões em 2024 para US$ 47,1 bilhões em 2030.
Nascer em Recife faz parte da estratégia. O Porto Digital consolidou o Nordeste como polo relevante de tecnologia na América Latina, e a Volund pretende usar essa base para disputar contratos historicamente concentrados no eixo São Paulo–Rio, com expansão planejada para a América Latina e os Estados Unidos.
“A Volund não é uma startup tentando encontrar mercado. É uma empresa que nasce grande porque o ecossistema ao redor dela já é grande”, resume Guedes.