
A construtora alagoana Engemat vem consolidando uma estratégia de expansão baseada em parcerias público-privadas (PPPs), modelo que tem ganhado espaço no Brasil como alternativa para viabilizar grandes projetos de infraestrutura. Com cerca de três décadas de atuação, a empresa saiu de obras regionais para integrar iniciativas de grande porte, incluindo o novo Centro Administrativo do Governo de São Paulo, estimado em R$ 6 bilhões.
A participação no consórcio MEZ-RZK Novo Centro, vencedor do leilão realizado na B3, marca um ponto de inflexão na trajetória da empresa. O grupo será responsável pela construção, operação e manutenção do complexo por 30 anos, em uma área de 60 mil metros quadrados na região dos Campos Elíseos, que deverá concentrar cerca de 22 mil servidores públicos estaduais. O projeto inclui ainda a restauração de imóveis históricos, ampliação de áreas verdes e a criação de espaços comerciais e de convivência, com potencial de gerar milhares de empregos.
A aposta da Engemat nesse modelo não é recente. Nos últimos anos, a empresa passou a direcionar esforços para contratos de concessão de longo prazo, nos quais o setor privado assume não apenas a execução das obras, mas também a gestão e operação dos ativos públicos. Segundo o sócio Virgílio Vilar, trata-se de um movimento estrutural. “Esse modelo é um caminho sem volta. Ele permite ao poder público ampliar investimentos sem a necessidade de desembolso imediato”, afirmou em entrevista ao Movimento Econômico.
Essa estratégia também se reflete em projetos como o Centro Administrativo de Maceió, atualmente em andamento. Com investimento de R$ 197 milhões, o empreendimento aposta no retrofit de edifícios abandonados no centro da capital alagoana, preservando o patrimônio histórico e estimulando a reocupação urbana. O contrato prevê concessão de 30 anos, incluindo construção, manutenção e prestação de serviços.
A diversificação sempre foi uma característica central da Engemat. Com atuação em áreas como habitação popular, saneamento, rodovias e unidades hospitalares, a empresa expandiu sua presença para diferentes regiões do país, com projetos recentes em estados como Pernambuco, Paraná e Mato Grosso. Essa amplitude, segundo Vilar, foi uma resposta às limitações do mercado local. “Não dá para ser especialista em uma economia pequena. Precisamos atuar em várias frentes”, explica.
No contexto das PPPs, a empresa também participa de projetos nas áreas de educação e infraestrutura social, como concessões de escolas em São Paulo. Nesse modelo, a iniciativa privada fica responsável pela construção e manutenção das unidades, enquanto o Estado mantém a gestão pedagógica.
Apesar do avanço, o modelo ainda enfrenta desafios. O principal deles é o financiamento de longo prazo, necessário para cobrir os investimentos iniciais elevados. Além disso, a escassez de mão de obra qualificada na construção civil tem pressionado prazos e custos em diferentes regiões do país. Como resposta, a Engemat avalia ampliar o uso de métodos construtivos industrializados, como estruturas pré-moldadas, para reduzir a dependência de trabalho intensivo.
Com participação em projetos estratégicos e presença crescente em diferentes estados, a Engemat busca se posicionar como um player relevante no mercado nacional de infraestrutura. A aposta nas PPPs, nesse contexto, surge não apenas como uma alternativa de crescimento, mas como eixo central de uma estratégia que combina diversificação, inovação e atuação de longo prazo.