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5 de março de 2026 16:25

Equipamentos culturais do Ceará se tornam vitrines da economia solidária

Equipamentos culturais do Ceará se tornam vitrines da economia solidária

Iniciativa conjunta das secretarias do Trabalho e da Cultura prevê quatro edições entre março e julho de 2026, com expectativa de movimentar até R$ 250 mil em vendas e fortalecer redes locais de economia popular e criativa
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A partir deste mês, equipamentos culturais do Governo do Ceará passarão a abrigar não apenas programação artística, mas também bancas de artesanato, agricultura familiar, moda autoral, gastronomia e produtos da economia solidária. A proposta integra o Circuito de Feiras Itinerantes de Economia Solidária, resultado de um Termo de Cooperação Técnica em fase final de formalização entre a Secretaria do Trabalho (SET) e a Secretaria da Cultura do Ceará (Secult).

A iniciativa prevê quatro edições até julho, com paradas em Fortaleza, Crato, Quixadá e Viçosa do Ceará, conectando políticas públicas de trabalho e cultura com foco em inclusão socioprodutiva e geração de renda. A estimativa é que cada feira reúna entre 30 e 60 empreendimentos e movimente entre R$ 150 mil e R$ 250 mil em vendas diretas.

Segundo a Secult, a articulação surgiu da aproximação de prioridades entre as duas pastas. “A articulação nasceu da convergência de agendas entre a Secretaria do Trabalho (SET) e a Secretaria da Cultura (Secult), ambas comprometidas com políticas de inclusão socioprodutiva no Ceará. A ideia foi potencializar a economia solidária e criativa por meio dos equipamentos culturais do Estado, criando espaços de comercialização e valorização cultural”, informou a pasta, em entrevista.

Para a Secretaria, a cultura não é apenas cenário, mas estratégia de desenvolvimento. “Nesse contexto, a cultura é vista como um motor para a geração de emprego e renda, fortalecendo a economia do país, estimulando a indústria criativa no Ceará e contribuindo para a soberania nacional”, destacou.

O Termo de Cooperação definirá responsabilidades conjuntas, incluindo logística, programação cultural, critérios de seleção dos empreendimentos e estratégias de comunicação. O acordo também prevê a colaboração de instituições como o Instituto Dragão do Mar e o Instituto Mirante, ampliando a capacidade de articulação territorial.

Como vai funcionar na prática

Cada edição do circuito será realizada em um equipamento cultural diferente. Em Fortaleza, a feira acontecerá no Complexo Cultural Estação das Artes. No interior, as atividades passarão pelo Centro Cultural do Cariri, pela Casa de Saberes Cego Aderaldo e pelo Sobrado Dr. José Lourenço, em formato itinerante.

Além da comercialização de produtos, as feiras contarão com programação artística, oficinas e atividades formativas. A proposta é atrair público por meio da cultura e, ao mesmo tempo, estimular o consumo consciente e a valorização da produção local.

“A cultura é o eixo de valorização simbólica e de atração de público. As feiras terão programação artística, oficinas e atividades culturais, fortalecendo a identidade local e ampliando o consumo consciente”, informou a Secult.

Os participantes também terão acesso a apoio técnico, formação e divulgação institucional. “Além da infraestrutura necessária para realização das feiras, os participantes terão acesso à formação, apoio técnico e institucional e divulgação dos empreendimentos”, detalhou a pasta.

A seleção dos empreendimentos será realizada em parceria com o Programa Paul Singer de Formação de Agentes de Economia Popular e Solidária, priorizando iniciativas já cadastradas em redes estaduais e municipais. O Ceará possui atualmente cerca de 1.200 empreendimentos mapeados na economia solidária, número que deve ser atualizado ao longo do circuito.

O projeto dará prioridade a mulheres, jovens, povos tradicionais, população rural e pessoas em situação de vulnerabilidade social, alinhando-se às diretrizes de inclusão socioprodutiva do Governo do Estado.

A expectativa é que o circuito fortaleça redes já existentes e amplie o alcance territorial das políticas públicas. A Secult destaca que, por meio de sua rede de equipamentos culturais, já atua no fortalecimento de feiras e da economia criativa. A parceria com a SET deve potencializar essas ações e expandir a rede de produtores vinculando cultura, trabalho, emprego e renda.

Impacto regional e descentralização

Um dos principais desafios enfrentados pelos empreendimentos da economia solidária é a falta de espaços estruturados para comercialização. Ao ocupar equipamentos culturais consolidados e com programação permanente, o circuito pretende enfrentar esse desafio e descentralizar oportunidades.

“A falta de espaços estruturados para comercialização da produção da economia solidária e criativa, além da necessidade de descentralizar políticas culturais, é um dos principais problemas que o circuito pretende enfrentar”, afirmou a Secretaria.

Ao levar as feiras para diferentes cidades, a iniciativa busca distribuir oportunidades de geração de renda para além da capital. “Com esse movimento, o circuito descentraliza tanto políticas culturais quanto oportunidades de geração de renda”, destacou.

Em regiões como o Cariri e o Sertão Central, onde a economia criativa e o artesanato têm forte presença, a inserção em espaços culturais pode ampliar o acesso a novos públicos e consolidar redes de comercialização futuras.

O circuito dialoga com programas já em curso no Estado, como o apoio a cooperativas, ao artesanato e à agricultura familiar. Também integra ações estratégicas do Conselho Estadual de Economia Popular e Solidária (CEEPS), que vem articulando frentes de trabalho com diferentes secretarias.

Segundo a Secult, a iniciativa também abre espaço para pesquisas sobre as especificidades do campo cultural e produtivo, fortalecendo a formulação de políticas públicas baseadas em dados.

Haverá investimento financeiro direto das duas pastas, com recursos orçamentários complementados por parcerias institucionais. O valor total será divulgado após a assinatura do Termo de Cooperação.

Política permanente e expansão

Embora o circuito inicial contemple quatro edições em 2026, a intenção do Governo é consolidar a ação como política pública permanente, com calendário anual e expansão para outras macrorregiões do Estado.

O plano prevê, inclusive, a possibilidade de integração a circuitos nacionais de economia solidária, ampliando mercados e oportunidades para os empreendimentos cearenses.

O Ceará aposta na economia popular e solidária como vetor de desenvolvimento regional. A ideia primária é fortalecer práticas de cooperação, autogestão e valorização da produção local, princípios que orientam o conceito de economia popular e solidária no Estado.

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