O agronegócio de Pernambuco registrou uma leve retração nas exportações em 2025, com queda de 3,48% em relação ao ano anterior. O setor movimentou US$ 781,1 milhões, frente aos US$ 809,2 milhões de 2024, segundo dados da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do estado e do AGROSTAT, sistema do Ministério da Agricultura e Pecuária. Apesar do recuo de US$ 28,1 milhões, o desempenho segue entre os mais relevantes da série histórica.
No contexto geral, Pernambuco exportou US$ 2,53 bilhões em 2025, com o agronegócio respondendo por 30,76% desse total. Para o secretário de Desenvolvimento Econômico, Guilherme Cavalcanti, os números demonstram a resiliência do setor. “Mesmo diante de uma leve variação, seguimos com um dos melhores resultados da nossa série histórica”, afirmou.

A avaliação é compartilhada pelo presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Pernambuco, Pio Guerra, que classifica o resultado como uma acomodação após um ano mais aquecido. Segundo ele, o patamar permanece elevado, embora fatores externos pressionem os custos de produção, especialmente no mercado de insumos agrícolas.
Um dos principais pontos de atenção é a dependência brasileira de fertilizantes importados, que supera 85%. Nesse cenário, tensões geopolíticas, como possíveis bloqueios no Estreito de Ormuz, ganham relevância. A região concentra parcela significativa da oferta global de insumos como ureia e enxofre, essenciais para a produção agrícola. Qualquer interrupção pode elevar preços internacionais e impactar diretamente o planejamento das próximas safras.
Entre os destaques da pauta exportadora, o setor sucroalcooleiro mantém protagonismo. Na safra 2024/2025, Pernambuco exportou 428,6 mil toneladas de açúcar, com destinos que incluem Canadá, Estados Unidos, países europeus e mercados emergentes. Segundo o presidente do Sindicato da Indústria de Açúcar de Pernambuco, Renato Cunha, a presença internacional é sustentada por contratos consolidados, sobretudo para o açúcar VHP, destinado ao refino no exterior.