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9 de fevereiro de 2026 19:57

FAPERN e universidades do RN ampliam articulação para fortalecer pesquisa e inovação no Estado

FAPERN e universidades do RN ampliam articulação para fortalecer pesquisa e inovação no Estado

Encontro entre a Fundação de Amparo e Promoção da Ciência, Tecnologia e Inovação do RN e reitores das principais universidades públicas define estratégias para captação de recursos e estímulo à economia do conhecimento
Divulgação/FAPERN

O Rio Grande do Norte articula um novo ciclo de fomento à pesquisa, à inovação e à formação acadêmica por meio da integração entre a Fundação de Amparo e Promoção da Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio Grande do Norte (FAPERN) e as três principais instituições públicas de ensino superior do estado: Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA).

A iniciativa pretende fortalecer a economia do conhecimento, ampliar a competitividade científica local e estimular a atração de investimentos federais destinados ao desenvolvimento tecnológico.

Encontro reúne FAPERN e reitores para definir prioridades

No último mês, o diretor-presidente da FAPERN, Gilton Sampaio, reuniu-se com o reitor da UFRN, Daniel Diniz, e, de forma remota, com os reitores da UERN, Cicília Maia, e da UFERSA, Rodrigo Coes.

O encontro tratou de estratégias para aplicação de recursos voltados à pesquisa, à pós-graduação e à inovação. As instituições também discutiram formas de ampliar a captação de financiamentos junto a órgãos federais como a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Durante a reunião, foi destacada a atuação conjunta entre a FAPERN e as universidades na execução de projetos de pesquisa e inovação. A Fundação também analisou formas de ampliar seu suporte a instituições e órgãos estaduais, com o objetivo de fortalecer um ambiente mais integrado para o desenvolvimento científico, tecnológico e educacional no estado.

Nesse contexto, o diretor-presidente da FAPERN, Gilton Sampaio, ressalta que a instituição desempenha um papel central no fortalecimento das universidades públicas e na ampliação da competitividade do Rio Grande do Norte. Segundo ele, esse avanço é impulsionado pelo financiamento de projetos vinculados aos ecossistemas locais de inovação, pelo apoio a programas de pós-graduação, pela promoção de pesquisas e pelo estímulo ao desenvolvimento tecnológico.

“A FAPERN inclusive já faz isso, com diferentes editais em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para pesquisas em áreas estratégicas para o desenvolvimento do Rio Grande do Norte; com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), fomentando pesquisas em mais de 40 programas; com a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), em ações junto a institutos nacionais sediados no Estado, institutos internacionais e empresas; lançando programas como o Tecnova, o Centelha, e iniciativas voltadas à modernização das indústrias patronais”, destaca.

Ele acrescenta que as ações já resultam no financiamento de centenas de iniciativas. “A FAPERN tem atuado diretamente no financiamento das principais universidades públicas do estado — UFRN, UERN e UFERSA —, garantindo recursos para todos os programas de pós-graduação, incluindo os cursos de mestrado em suas diversas áreas”, afirma.

Universidades ampliam presença no setor produtivo

A pró-reitora de Pesquisa da UFRN, Silvana Zucolotto, observa que a universidade tem intensificado, nos últimos anos, os esforços para estreitar a relação com o setor produtivo não acadêmico. Segundo ela, esse avanço vem sendo consolidado por meio da realização de workshops, diálogos estratégicos e da presença ativa da UFRN em eventos que reúnem atores-chave da inovação e do desenvolvimento.

Ela pontua que a UFRN também tem investido em iniciativas para ampliar a visibilidade de seus indicadores, capacidades e potenciais. “A Agência de Inovação (AGIR) e a Pró-Reitoria de Pesquisa desenvolveram um novo site para apresentar, de forma clara e acessível, nossas ações de inovação e pesquisa. O objetivo é atrair novas parcerias e mostrar o que a UFRN tem para oferecer às empresas”, explica.

Silvana enfatiza que é essencial reforçar à sociedade que a universidade dispõe de soluções concretas para desafios reais. “Estamos trabalhando para mostrar que, além de produzir conhecimento, a universidade pública tem competência e infraestrutura para responder a demandas de empresas públicas e privadas, e também às necessidades da população”.

Ela menciona que a UFRN tem realizado um mapeamento contínuo de eventos estratégicos que reúnem setores com grande potencial de parceria. Nesses espaços, a universidade apresenta seu portfólio de pesquisas e seus pesquisadores, com o objetivo de ampliar a captação de recursos externos — algo que, segundo ela, é fundamental para a sustentabilidade dos laboratórios.

“A captação de financiamento externo é indispensável. A universidade não dispõe de orçamento para sustentar toda a pesquisa que desenvolve, assim como as agências de fomento do país enfrentam limitações orçamentárias. Por isso, fortalecer parcerias com o setor produtivo é fundamental. Além de garantir a sustentabilidade dos laboratórios, essas iniciativas ampliam a empregabilidade dos nossos egressos, que passam a atuar como pesquisadores nesses projetos”, detalha.

Para Silvana, superar percepções distorcidas sobre o papel das universidades públicas também é parte desse trabalho. “É muito importante mostrar o imenso potencial que temos, como universidade pública, de oferecer respostas, desenvolver soluções e contribuir efetivamente para transformar realidades”.

Inovação avança no interior com protagonismo da UERN

A diretora da Agência UERN Inova, Priscilla Felipe de Sousa, avalia que o papel da universidade é central para a consolidação de um ecossistema de inovação forte e inclusivo. “Como universidade multicampi presente em diferentes regiões do estado, temos atuado de forma integrada para transformar produção científica em soluções que gerem impacto social e econômico, respeitando as vocações e necessidades de cada território”.

Segundo ela, os avanços recentes refletem um movimento institucional consistente. “Nos últimos anos, avançamos significativamente na institucionalização da inovação através da criação da Agência UERN Inova, fortalecendo o NIT, ampliando ações de empreendedorismo acadêmico, fomentando a proteção de propriedade intelectual e criando condições para que nossos pesquisadores e estudantes possam transformar ideias em produtos, serviços e tecnologias”, acrescenta.

Priscilla destaca ainda a atuação da UERN na governança dos Ecossistemas Locais de Inovação (ELI) em cinco cidades do estado: Mossoró, Pau dos Ferros, Assú, Caicó e Natal. Nesses ambientes, a universidade atua como articuladora entre setor produtivo, poder público, academia e sociedade civil, contribuindo para identificar desafios, orientar políticas locais de inovação e apoiar iniciativas que aproximam ciência e desenvolvimento regional.

Outro movimento relevante, segundo a diretora, é o crescimento das empresas juniores na instituição. “Hoje, contamos com um conjunto de EJ’s atuantes em diferentes áreas que desenvolvem projetos reais para o mercado, promovem vivência empreendedora e ampliam a capacidade dos estudantes de transformarem conhecimento acadêmico em soluções práticas. Esse movimento tem gerado impacto positivo direto nas regiões e ajudado a disseminar a cultura da inovação e do empreendedorismo dentro da universidade”.

Ela também ressalta o papel estratégico da FAPERN na descentralização do fomento científico. “Esse movimento amplia a capilaridade das ações da Universidade ao estimular a presença de profissionais nos campi, fortalecer grupos de pesquisa, dinamizar a gestão acadêmico-científica e consolidar projetos estruturantes. Ao diversificar áreas contempladas e incentivar a participação de diferentes perfis, a FAPERN favorece o desenvolvimento de iniciativas alinhadas às necessidades reais do RN”.

“Essa colaboração reforça a inserção da UERN em agendas estratégicas, aproximando políticas de fomento das prioridades institucionais. Atuando de forma conjunta, as duas instituições constroem um ambiente mais propício à inovação, à formação de redes colaborativas e à geração de soluções que fortalecem a economia do conhecimento e ampliam o impacto social da ciência produzida no interior e na capital”, comenta.

Pesquisa e inovação como motores econômicos

O alinhamento entre FAPERN e universidades fortalece a base científica necessária para impulsionar setores estratégicos da economia potiguar. Entre as áreas com maior potencial de impacto estão energia renovável, biotecnologia, agricultura sustentável e tecnologia da informação — segmentos que se destacam pela capacidade de atrair investimentos, gerar emprego qualificado e ampliar a competitividade regional.

Gilton explica que o Governo do Rio Grande do Norte, ao regulamentar a FAPERN e instituir o Sistema Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação por meio da Lei Complementar nº 716/2022, determinou que as áreas estratégicas de fomento fossem definidas pelo Conselho Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação do RN. O colegiado é presidido pela governadora, tem o presidente da FAPERN como secretário-executivo e reúne órgãos do governo, empresas, representantes da sociedade civil e todas as universidades públicas e privadas.

Para o biênio 2023–2025, ciclo que se encerra agora, foram estabelecidas áreas prioritárias de investimento. “Entre dezembro e janeiro, a depender da agenda institucional, será realizada nova reunião do conselho para definir as áreas estratégicas para o período de dezembro de 2025 a 2027, que podem ser mantidas, ajustadas ou substituídas”, conclui.

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