
Fortaleza consolidou em 2025 sua posição como o principal mercado imobiliário de luxo e super luxo do Nordeste. A capital cearense lançou 698 unidades no segmento (classificado pelo valor a partir de R$ 2.000.001) superando em 53,7% o segundo colocado, Recife, que registrou 454 lançamentos no período. Os dados são do levantamento Mercado Imobiliário da Região Nordeste, referente ao 4º trimestre de 2025, realizado pela Brain Inteligência Estratégica.
O Ceará também liderou o ranking de unidades disponíveis na faixa de luxo e super luxo, com 331 imóveis em oferta ao longo do ano. Em todo o Nordeste, o estoque total foi de 407 unidades, o que posiciona o estado como responsável por mais de 80% da oferta regional. A Bahia aparece em segundo lugar com apenas 30 unidades disponíveis — cerca de 91% menos que o Ceará.
Completam o ranking de lançamentos de 2025 João Pessoa (368 unidades), Salvador (353), Barra de São Miguel (95), Petrolina (62), Teresina (59), Natal (34), Maceió (32) e São Luís (30).
O protagonismo de Fortaleza no segmento premium tem explicações estruturais. A flexibilidade da legislação urbana da cidade para a construção de superprédios, especialmente nos bairros litorâneos é um desses fatores determinantes. Segundo o sócio-consultor da Brain Inteligência Estratégica, Guilherme Werner, a cidade também se beneficia de um mercado ativo de produtos a preço de custo, o que pressiona o valor do metro quadrado para baixo.
Esse dado aparentemente paradoxal se confirma nos números: apesar de liderar em volume de lançamentos, Fortaleza tem apenas o quarto metro quadrado mais caro entre as capitais nordestinas, com média de R$ 11.362 — 3,2% acima da média regional de R$ 11.004. À frente estão Maceió (R$ 13.662), João Pessoa (R$ 12.255) e Salvador (R$ 11.756).
O grande volume de unidades econômicas, empreendimentos na faixa do Minha Casa Minha Vida, também puxa a média para baixo. Em 2025, foram lançadas 5.575 unidades econômicas em Fortaleza, 55% a mais que Recife, segunda colocada com 3.597 unidades.
Geograficamente, a lógica do mercado se imprime no mapa da cidade: os imóveis de maior valor estão concentrados no litoral, nos bairros Meireles, Mucuripe, Aldeota e Cocó, enquanto os empreendimentos mais acessíveis ocupam regiões afastadas da orla, como Mondubim, Messejana e Passaré.