
O mercado de fusões e aquisições (M&A) no Nordeste brasileiro apresentou um movimento notável no terceiro trimestre de 2025, com um aumento de cerca de 45% no número de transações em comparação ao mesmo período do ano anterior, um salto que contrasta com os resultados do acumulado dos nove meses do ano, em que os números gerais permanecem abaixo dos de 2024.
Segundo dados da pesquisa trimestral de M&A da KPMG, o Nordeste registrou um crescimento expressivo nas operações realizadas entre julho e setembro de 2025, reforçando o terceiro trimestre como o mais ativo do ano. O número de negócios fechados superou em cerca de 45% os registrados no mesmo período de 2024, sinalizando maior dinamismo e interesse de investidores em ativos regionais.
Esse desempenho alavancado ocorre em um contexto em que o mercado nacional de M&A também apresentou forte ritmo no terceiro trimestre, com 425 operações no Brasil inteiro, o melhor desempenho do ano, ainda que o acumulado total dos primeiros nove meses tenha mostrado ligeira queda em relação ao ano anterior.
Apesar da performance robusta no trimestre, o cenário anual permanece em território negativo ou de estabilidade reduzida. O total de fusões e aquisições no Brasil caiu cerca de 2,6% nos primeiros nove meses de 2025, enquanto os negócios envolvendo fundos de private equity e venture capital subiram mais de 13% no mesmo período.
Esse contraste evidencia uma certa volatilidade no ambiente nacional; momentos de aceleração trimestral convivem com uma tendência de leve retração acumulada, refletindo fatores macroeconômicos, como juros elevados e desafios fiscais, que ainda pesam sobre decisões de fusões e aquisições.
Embora a KPMG ainda não tenha publicado um ranking detalhado dos estados nordestinos com maior número de operações no terceiro trimestre, levantamentos anteriores e comparativos setoriais indicam que Bahia, Pernambuco e Ceará costumam concentrar a maior parte das transações na região, representando historicamente cerca de 75% do total de M&A no Nordeste.
Paulo Guilherme Coimbra, porta‑voz da pesquisa da KPMG, destaca que o aumento trimestral reflete uma retomada de confiança em segmentos estratégicos do Nordeste, especialmente nos setores de tecnologia, saúde, energia e infraestrutura, áreas que têm atraído fundos de investimento e empresas estratégicas em busca de crescimento e diversificação. Para ele, “o terceiro trimestre de 2025 mostrou que mesmo em um cenário macroeconômico desafiador, há nichos e geografias com grande apetite por operações de M&A.”

Do ponto de vista macroeconômico, a ativação mais intensa de transações no trimestre, em contraste com uma performance anual mais moderada, pode ser interpretada como um reflexo da busca por oportunidades pontuais e do amadurecimento de empresas locais que, após um período de ajustes, encontraram melhores condições de negociação e captação de recursos.
“O Nordeste está deixando de ser periferia nas decisões de investimento do Brasil. Mesmo que o total anual ainda tenha recuado à vista de 2024, o crescimento trimestral mostra que existe capital disponível — especialmente de fundos e investidores externos — mirando ativos com potencial de expansão. Isso é um sinal positivo para o ambiente de negócios regional, pois tende a atrair mais capital humano e financeiro ao longo de 2026”, explica o trader de investimento Maurício Dutra.
O aumento de M&A sinaliza que empresas e investidores estão encontrando valores atrativos em ativos nordestinos, muitas vezes com foco em setores de tecnologia, energia renovável e serviços especializados, segmentos que têm forte potencial de crescimento.
Negócios de fusões e aquisições podem promover consolidação de mercados regionais, criando players com maior capacidade competitiva e mais aptos a disputar mercados nacionais e internacionais.
Ao mesmo tempo, o contraste entre o forte desempenho trimestral e a queda do acumulado do ano aponta para reais desafios macroeconômicos, juros, incerteza fiscal e cenário externo, que ainda pressionam decisões de M&A no Brasil.