
A capital alagoana foi palco, nesta segunda-feira (2), da 5ª edição do Gazeta Summit, realizada no Centro de Inovação, no bairro do Jaraguá, em Maceió. Com foco nas perspectivas para os setores produtivos até 2050, o encontro reuniu representantes da indústria, do comércio e dos serviços para uma análise do cenário atual e a projeção de estratégias para o futuro.
A iniciativa, promovida pela Organização Arnon de Mello (OAM) em parceria com o Governo de Alagoas, teve como um dos destaques a apresentação do Mapa Estratégico da Indústria de Alagoas 2025–2032. O documento estabelece prioridades e diretrizes para fortalecer a competitividade do setor produtivo, orientar políticas públicas e impulsionar novos investimentos no estado.
O diretor de Tecnologia, Inovação e Sustentabilidade Industrial da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (Fiea), Julio Zorzal, explicou que esse mapa vem sendo construído desde 2022, a partir de um amplo levantamento realizado junto à sociedade, ao setor industrial, às universidades e a empresários, que resultou no estudo aprofundado. Segundo ele, no ano seguinte o trabalho passou a buscar sinergia com o mapa estratégico da indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e com a iniciativa Nova Indústria Brasil, voltada ao fortalecimento do desenvolvimento industrial.
“Com o cruzamento desses estudos, chegamos ao mapa estratégico da Federação de Alagoas. A partir daí, estruturamos sete fatores-chave, que se desdobram em quatorze temas prioritários. Um exemplo é a agenda de baixo carbono e recursos naturais, que inclui temas como descarbonização, economia circular e uso sustentável dos recursos naturais. Esses pontos vêm sendo trabalhados com a indústria local e com a sociedade para ampliar a competitividade do setor. Com essa construção, passamos também a gerar indicadores estratégicos para acompanhar cada tema e cada fator-chave”, garante.
Já o professor titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (Feac) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Reynaldo Ferreira, destacou que o mapa estratégico consolida e integra estudos anteriores, como o Renascença, elaborado antes mesmo da Nova Indústria Brasil, mas já alinhado às agendas nacional e global de economia verde, baixo carbono, sustentabilidade e inovação. Segundo ele, o documento organiza prioridades e oferece direcionamento objetivo para as ações voltadas ao fortalecimento da indústria no estado.
“O mapa é resultado da convergência desses estudos e está em sintonia com uma agenda de economia mais sustentável, de baixo carbono e baseada em inovação. Para colocá-lo em prática, precisamos fortalecer parcerias com a universidade, com instituições como o Sebrae e com os diversos atores do setor produtivo”, pondera. “O mais importante é que ele dá objetividade às nossas ações, ao focar em inovação, competitividade e aumento da produtividade. A indústria é um catalisador: quando se moderniza e agrega valor, gera produtos mais competitivos, inclusive no mercado internacional, e eleva o padrão dos serviços ao seu redor. Em Alagoas, já temos uma governança estruturada e caminhos bem definidos para avançar nessas agendas”, enfatiza.
Composta por palestras, painéis e debates com especialistas de relevância nacional, a programação do Summit integra os setores produtivos e o poder público. Além disso, promove o diálogo institucional e a construção de uma agenda alinhada às diretrizes de crescimento econômico e transformação digital do país.
Entre os temas abordados estão o papel da indústria, do comércio e dos serviços como motores do desenvolvimento sustentável; as oportunidades de investimento em Alagoas e os cenários econômicos e perspectivas até 2050. O evento se consolida como um dos principais fóruns de discussão estratégica do estado.
Para o administrador e economista Alexandre Mendonça, o Summit cumpre um papel estratégico ao apresentar, de forma objetiva, as oportunidades que o Brasil e Alagoas têm para crescer, especialmente sob uma perspectiva de longo prazo. Ele ressalta que o desenvolvimento depende da integração entre poder público, setor produtivo e sociedade civil organizada, além de planejamento consistente e continuidade nas políticas e estratégias adotadas.
“O Summit traz uma visão de longo prazo e mostra que ninguém cresce sozinho. É preciso integração entre estado, sociedade civil e entidades representativas. Também precisamos olhar para as oportunidades que estão à nossa frente, com planejamento e método”, salienta. “Alagoas vive um momento importante, com crescimento econômico acima da média nacional e destaque no turismo, mas é fundamental que esse avanço seja sustentável, independentemente de governos. Temos discussões relevantes em pauta, como a transição tributária e mudanças nas relações de trabalho, além de cenários geopolíticos que impactam a economia”.
Mais do que um espaço de debates, o Gazeta Summit se apresenta como uma plataforma permanente de articulação de ideias, conexões e soluções, posicionando Alagoas no centro das discussões sobre o futuro econômico do país.
Visão estratégica
A secretária de Estado do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços de Alagoas, Alice Beltrão, reforçou que o governo mantém diálogo permanente com o setor produtivo e que eventos como o Summit fortalecem essa construção conjunta. Ela frisa que a parceria com a iniciativa privada é essencial para identificar demandas reais e formular políticas públicas mais eficazes, especialmente diante de mudanças estruturais como a reforma tributária.
“Alagoas, por meio de toda a sua estrutura de governo, já mantém uma abertura muito grande de diálogo com o setor produtivo, porque precisamos entender as necessidades reais para construir políticas públicas cada vez mais efetivas. Momentos como este são importantes para debater, apresentar o que já vem sendo estruturado e alinhar os próximos passos”, ressalta. A executiva continua: “temos uma reforma tributária pela frente que vai alterar o cenário nacional, e é fundamental unir esforços para que o desenvolvimento chegue a Alagoas de forma saudável, em escala e com conexão entre todos os elos da economia”.
Entre os palestrantes, o diretor de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles, apontou o ambiente macroeconômico como o principal entrave ao crescimento econômico do país. Segundo ele, o desequilíbrio nas contas públicas pressiona a taxa de juros para cima, o que encarece o crédito e dificulta novos investimentos.
“Para superar esse cenário, precisamos intensificar as políticas de desenvolvimento produtivo e enfrentar o chamado custo Brasil, que reúne fatores que tornam a produção nacional mais cara em comparação com outros países. Com maior equilíbrio macroeconômico, juros mais baixos e melhorias no ambiente de negócios, será possível criar condições mais favoráveis ao investimento, elevar a produtividade e acelerar o crescimento econômico, com reflexos positivos na qualidade de vida da população”, afirma.
Também participaram como debatedores o secretário adjunto de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Luiz Felipe Giesteira; e o âncora da CNN Brasil, Gustavo Uribe, todos com atuação destacada nas áreas discutidas.
A programação do Gazeta Summit prevê novas edições ao longo do semestre, abordando temas estratégicos como Água e Energia Limpa (30/03), Segurança Pública (13/04), Saúde Digital (04/05), Educação (08/06) e Agricultura (29/06), ampliando o debate sobre o planejamento de longo prazo para Alagoas.


