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30 de março de 2026 21:05

Governo de Sergipe avança com criação da Pinacoteca e amplia revitalização do Centro de Aracaju

Governo de Sergipe avança com criação da Pinacoteca e amplia revitalização do Centro de Aracaju

Programa Viva-SE mobiliza R$ 195 milhões em 16 intervenções e reforça estratégia de requalificação urbana, turismo cultural e economia criativa
Autoridades estaduais e representantes do setor cultural durante anúncio da implantação da Pinacoteca de Sergipe. A iniciativa inaugura o Viva-SE, programa de R$ 195 milhões voltado à revitalização do Centro de Aracaju | Foto: Governo de Sergipe

A implantação da Pinacoteca de Sergipe marca o início da execução do Programa Integrado de Desenvolvimento Cultural e Turístico de Sergipe (Viva-SE), estruturado para mobilizar R$ 195 milhões em 16 intervenções. A iniciativa combina política cultural, requalificação urbana e estímulo à economia criativa, com foco no Centro Histórico de Aracaju.

O novo equipamento será instalado no antigo prédio da Procuradoria-Geral do Estado, imóvel de arquitetura eclética tombado desde 1988. A proposta é transformar o espaço em polo de preservação e difusão artística, com potencial de atrair visitantes e fortalecer atividades econômicas ligadas ao turismo e aos serviços.

Durante o anúncio do projeto, o governador Fábio Mitidieri destacou o caráter estruturante da iniciativa para o desenvolvimento da capital.

Investimento e modelo de execução

A implantação da Pinacoteca contará com investimento estimado em R$ 8,6 milhões. A obra será executada pela GP Engenharia, com projeto arquitetônico assinado por Ana Libório. A supervisão técnica ficará a cargo da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano e Infraestrutura (Sedurbi), com acompanhamento da Secretaria Especial da Cultura (Secult) e da Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap).

Segundo o secretário da Sedurbi, Luiz Roberto Dantas, a contratação segue o modelo semi-integrado, que reúne projeto executivo e obra em um único contrato, com a meta de dar mais eficiência à execução.

O Viva-SE é financiado por meio de operação de crédito junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no valor de R$ 180 milhões, além de R$ 15 milhões de contrapartida estadual. O prazo de execução previsto é de quatro anos.

A obra, orçada em R$ 8,6 milhões, integra o pacote de investimentos do Viva-SE financiado pelo BNDES | Foto: Governo de Sergipe

Cultura como eixo de desenvolvimento econômico

A Pinacoteca será responsável por reunir, catalogar e expor o acervo público de artes visuais do Estado, composto por mais de 1.200 obras atualmente distribuídas em órgãos públicos e reservas técnicas.

O secretário especial de Cultura de Sergipe e vice-presidente regional do Nordeste do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura, Valadares Filho, afirma que o equipamento inaugura uma política concebida de forma sistêmica. “Oportunidade também dos nossos artistas poderem mostrar o seu trabalho não só para a população local, mas também turistas e amantes das artes”, complementa.

Valadares Filho afirma que a requalificação do Centro Histórico de Aracaju por parte do Governo de Sergipe é estratégica, pois estamos falando de um território de grande densidade patrimonial, histórica e simbólica.

Segundo ele, ao implantar um equipamento cultural desse porte, fortalecemos a preservação do patrimônio, estimulamos a ocupação qualificada do espaço urbano e reforçamos a identidade cultural sergipana.

Ele acrescenta que a Pinacoteca deve ser entendida como parte de uma rede integrada de investimentos. “É importante destacar que o Viva-SE não se limita à capital; há mais 18 equipamentos culturais contemplados. O programa foi concebido para alcançar todas as regiões de Sergipe, com investimentos em museus, memoriais, centros culturais e rotas turísticas que valorizam a diversidade dos territórios”, diz.

Valadares Filho considera que a Pinacoteca é um ponto de partida, não um ponto isolado; ela simboliza o início de uma rede integrada de equipamentos culturais que dialogam entre si e fortalecem a cultura como eixo de desenvolvimento.

Ele afirma que o programa foi estruturado para gerar impactos econômicos duradouros. “É um programa com investimentos robustos, que atua diretamente no fortalecimento da economia criativa, na geração de emprego e renda e na atração de público local, regional e nacional para conhecer os equipamentos culturais e os destinos turísticos”.

Valadares Filho detalha que a implantação ou revitalização de equipamentos culturais movimenta uma cadeia produtiva ampla, que envolve artistas, técnicos, guias, produtores, artesãos, empreendedores e o setor de serviços.

“O que representa um investimento não só na cultura, mas na economia local, ampliando oportunidades, especialmente nas cidades do interior, que também estão contemplados pelo programa”, diz.

Valadares ressalta que, no caso da capital, no Centro de Aracaju, o Governo do Estado tem o objetivo de estimular nessa região da capital a circulação de visitantes, fortalecer o turismo cultural e contribuir para a revitalização econômica.

“Em escala estadual, o Viva-SE cria uma rede de destinos culturais conectados, com possibilidade de ampliar o tempo de permanência do turista nos diversos municípios sergipanos, desenvolvendo ainda mais a economia criativa e cultural”, conclui.

Requalificação urbana e novos investimentos

Além da Pinacoteca, o governo anunciou investimento de cerca de R$ 18 milhões para a restauração do Palácio Museu Olímpio Campos, ampliando o escopo do programa no Centro Histórico.

Também estão previstos aportes para modernização tecnológica e melhoria da experiência do visitante no Museu da Gente Sergipana.

Para a Secretaria Especial de Planejamento, Orçamento e Inovação, o Viva-SE integra uma estratégia mais ampla de requalificação urbana.

“O programa permitirá  revitalizar espaços históricos e culturais localizados no coração da capital — como a implantação da Pinacoteca de Sergipe, a elaboração dos projetos de revitalização dos casarões e implantação de novo projeto de orla fluvial da Vila Vaticano, a reforma e atualização do Museu e do Largo da Gente Sergipe e a construção do Mirante Santo Antônio — agregando valor ao ambiente urbano e conectando o Centro a novos fluxos culturais e turísticos”, afirma.

“Essa integração visa não apenas recuperar fisicamente espaços relevantes, mas também reforçar a identidade local, promovendo maior atratividade, apropriação social e protagonismo da região central na dinâmica cultural e econômica da cidade”, complementa.

Segundo a pasta, o programa pretende contribuir para o repovoamento e a dinamização do Centro por meio da recuperação de edifícios históricos e da criação de novos usos para imóveis ociosos.

“Ao implantar e modernizar esses equipamentos culturais e turísticos, o programa cria condições para ampliar a circulação de pessoas na região, fomentar o turismo, incentivar atividades culturais e gerar novas oportunidades de negócios e empregos locais”, diz.

De acordo com a secretaria, ao valorizar bens culturais existentes e introduzir novos atrativos, o Viva-SE busca fortalecer as cadeias produtivas da cultura, do turismo e da economia criativa, estimulando comércio e serviços no entorno.

“Merece destaque, embora não conste do programa Viva-SE, o anúncio feito pelo governador Fábio Mitidieri, de que o campus da Universidade Estsdual de Sergipe também será na região central, bem como a revitalização do Edifício Hotel Palace, do Palácio Serigy, do Edifício Walter Franco e da antiga sede do Ministério da Fazenda, além da possibilidade de PPPs para edifícios-garagem”, destaca.

Projeto prevê integração entre cultura, turismo e economia criativa como estratégia de requalificação urbana | Foto: Governo de Sergipe

Demanda histórica do setor artístico

Representando o Fórum de Artes Visuais de Sergipe, o coordenador Antônio da Cruz afirmou que a criação da Pinacoteca atende a uma reivindicação antiga da classe artística.

“A Pinacoteca do Estado é uma demanda antiga dos artistas. Não faz sentido termos tantas obras guardadas sem que a população possa conhecê-las. Esse espaço permitirá que o público usufrua da produção artística sergipana, fortaleça o turismo e sirva também como espaço de pesquisa e formação para estudantes e artistas”.

Ele acrescentou que a política de acervo deve ser contínua. “É fundamental que o acervo seja ampliado ao longo do tempo, permitindo exposições temáticas e dialogando com a produção contemporânea”.

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