
Para viabilizar tarifas de pedágio mais baixas em novas concessões de rodovias federais, especialmente em trechos com menor potencial de arrecadação, o Ministério dos Transportes (MT) está finalizando um acordo de empréstimo de US$ 500 milhões (R$ 2,87 bilhões) com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e que deve, num primeiro momento, beneficiar o Nordeste, com potencial de impacto para a logística da região.
A ideia do governo é que recursos sejam destinados a cobrir parte dos custos de obras, beneficiando principalmente a BR-101 no Nordeste, que em seus mais de 2.300 km atravessa nove estados e diversas cidades e estradas locais. Segundo MT, a liberação dos US$ 500 milhões do BID ocorrerá em dez etapas de US$ 50 milhões, vinculadas ao progresso de cada projeto de concessão.
Segundo o secretário-executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro, esse modelo de concessão leva em conta que é necessário o aporte, pelo governo, de um investimento inicial em rodovias que hoje são pouco atrativas para o mercado, levando em conta os índices econômicos das regiões atravessadas por essas estradas, e foi batizado de Programa de Concessões Rodoviárias Inteligentes.
“A ideia é baratear ao máximo a tarifa de pedágio nesses lugares. O investimento vai para recuperar a malha viária, fazer duplicações, tornar a rodovia mais segura e disponível. Isso faz com que ela seja mais atrativa para as concessionárias, e melhor para a população, desde que a tarifa seja reduzida”, afirma Santoro.
A BR-101 na Bahia, com 772 km que ligam o sul do estado a Salvador e dão acesso a importantes áreas litorâneas, será um dos primeiros trechos a receber esse investimento. Estima-se que a concessão desta rodovia, com duração de 30 anos, envolva R$ 13 bilhões em obras e R$ 8,8 bilhões em operação e manutenção.
O secretário-executivo afirmou que, segundo estudos da pasta, os investimentos têm o potencial de multiplicar de três a quatro vezes a economia do entorno dessas estradas, melhorando a logística, escoamento de produção, mobilidade e serviços locais, como o turismo.
“Esse tipo de impacto econômico é conhecido de todo mundo que é do ramos dos transportes. O impacto econômico no entorno é enorme. E é por isso que o governo quer dar atenção às rodovias que foram menos privilegiadas até aqui. Como forma de dinamizar uma cadeia maior”, explica Santoro.
BR 101
A rodovia é fundamental para o transporte de mercadorias, incluindo produtos agrícolas (como a cana-de-açúcar), minerais e bens industrializados, ligando centros de produção aos mercados consumidores e portos para exportação, como o de Suape (PE), facilitando a logística de importação e exportação.
Ela é também uma das principais vias para moradores de diversas cidades litorâneas e do interior acessarem centros urbanos maiores, onde se concentram serviços de saúde, educação, comércio e lazer.
Embora o acordo com o BID esteja em fase final, os projetos para as obras nas rodovias devem chegar à população por meio de consultas públicas no primeiro semestre de 2026, segundo o MT. Hoje eles estão em fase de elaboração.
A aplicação dos recursos do BID será supervisionada pelo governo e pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), com liberações progressivas conforme o avanço das obras e o cumprimento de metas como duplicação e melhorias.
A iniciativa busca expandir o programa de concessões rodoviárias federais, que atualmente abrange 13.023 km, para mais de 18 mil km.
O governo reconhece a necessidade de medidas adicionais para tornar viáveis projetos de concessão em rodovias com menor tráfego, onde a receita de pedágio por si só não seria suficiente para garantir tarifas acessíveis.