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9 de fevereiro de 2026 13:25

Governo fecha acordo com o BID para investimentos em rodovias que irá beneficiar a logística do Nordeste

Governo fecha acordo com o BID para investimentos em rodovias que irá beneficiar a logística do Nordeste

O investimento deve bancar parte dos custos de obras de novas concessões de rodovias federais em trechos menos favoráveis para cobrança de pedágio, permitindo que seja adotada uma tarifa mais barata ao usuário
Foto: Reprodução/Internet

Para viabilizar tarifas de pedágio mais baixas em novas concessões de rodovias federais, especialmente em trechos com menor potencial de arrecadação, o Ministério dos Transportes  (MT)  está finalizando um acordo de empréstimo de US$ 500 milhões (R$ 2,87 bilhões) com o BID  (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e que deve, num primeiro momento, beneficiar o Nordeste, com potencial de impacto para a logística da região. 

A ideia do governo é que recursos sejam destinados a cobrir parte dos custos de obras, beneficiando principalmente a BR-101 no Nordeste, que em seus mais de 2.300 km atravessa nove estados e diversas cidades e estradas locais. Segundo MT, a  liberação dos US$ 500 milhões do BID ocorrerá em dez etapas de US$ 50 milhões, vinculadas ao progresso de cada projeto de concessão. 

Segundo o secretário-executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro, esse modelo de concessão leva em conta que é necessário o aporte, pelo governo, de um investimento inicial em rodovias que hoje são pouco atrativas para o mercado, levando em conta os índices econômicos das regiões atravessadas por essas estradas, e foi batizado de Programa de Concessões Rodoviárias Inteligentes. 

“A ideia é baratear ao máximo a tarifa de pedágio nesses lugares. O investimento vai para recuperar a malha viária, fazer duplicações, tornar a rodovia mais segura e disponível. Isso faz com que ela seja mais atrativa para as concessionárias, e melhor para a população, desde que a tarifa seja reduzida”, afirma Santoro. 

A BR-101 na Bahia, com 772 km que ligam o sul do estado a Salvador e dão acesso a importantes áreas litorâneas, será um dos primeiros trechos a receber esse investimento. Estima-se que a concessão desta rodovia, com duração de 30 anos, envolva R$ 13 bilhões em obras e R$ 8,8 bilhões em operação e manutenção.

O secretário-executivo afirmou que, segundo estudos da pasta, os investimentos têm o potencial de multiplicar de três a quatro vezes a economia do entorno dessas estradas, melhorando a logística, escoamento de produção, mobilidade e serviços locais, como o turismo. 

“Esse tipo de impacto econômico é conhecido de todo mundo que é do ramos dos transportes. O impacto econômico no entorno é enorme. E é por isso que o governo quer dar atenção às rodovias que foram menos privilegiadas até aqui. Como forma de dinamizar uma cadeia maior”, explica Santoro. 

BR 101

A rodovia é fundamental para o transporte de mercadorias, incluindo produtos agrícolas (como a cana-de-açúcar), minerais e bens industrializados, ligando centros de produção aos mercados consumidores e portos para exportação, como o de Suape (PE), facilitando a logística de importação e exportação. 

Ela é também uma das principais vias para moradores de diversas cidades litorâneas e do interior acessarem centros urbanos maiores, onde se concentram serviços de saúde, educação, comércio e lazer.

Embora o acordo com o BID esteja em fase final, os projetos para as obras nas rodovias devem chegar à população por meio de consultas públicas no primeiro semestre de 2026, segundo o MT. Hoje eles estão em fase de elaboração.

A aplicação dos recursos do BID será supervisionada pelo governo e pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), com liberações progressivas conforme o avanço das obras e o cumprimento de metas como duplicação e melhorias. 

A iniciativa busca expandir o programa de concessões rodoviárias federais, que atualmente abrange 13.023 km, para mais de 18 mil km. 

O governo reconhece a necessidade de medidas adicionais para tornar viáveis projetos de concessão em rodovias com menor tráfego, onde a receita de pedágio por si só não seria suficiente para garantir tarifas acessíveis.

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