
Ao longo de 2025, o governo federal se provou um dos principais parceiros da região no amadurecimento de ações para desenvolvimento econômico e social. O Nordeste foi alvo prioritário de políticas de redução da desigualdade e investimentos através do Novo PAC.
O programa consiste em investimentos coordenados pelo governo federal, em parceria com o setor privado, estados, municípios e movimentos sociais e tem como objetivo acelerar o crescimento econômico e a inclusão social, gerando emprego e renda, e reduzindo desigualdades sociais e regionais.
Até o ano de 2026, o Novo Pac investirá R$1,3 trilhão em mais de 34,8 mil empreendimentos em todo o país e R$1,8 trilhão até 2030. De acordo com dados do governo federal, até agosto de 2025, foram executados R$944,8 bilhões, representando 70,8% da execução financeira prevista para o período (23/26).
Já para o Nordeste, estão previstos R$ 217,6 bilhões em investimentos até 2026. Até agosto, foram executados mais de R$ 147 bilhões. Só em 2025, foram cerca de R$ 50 bilhões de execução financeira.
Ainda de acordo com o governo, o total de intervenções do Novo PAC no Nordeste supera 14,3 mil empreendimentos, entre obras e equipamentos em nove áreas distintas: transporte; infraestrutura social; cidades; água; inclusão digital e conectividade; energia; educação, ciência e tecnologia; saúde; indústria da defesa. Destas, 3,4 mil foram concluídas de janeiro de 2023 até agosto de 2025.
Alguns empreendimentos são considerados pelo Programa como emblemáticos, ou seja, aqueles que terão grande impacto para uma parcela significativa da população de cada território. Para o Nordeste, 75 obras foram classificadas nesse grupo. Em 2025, as principais obras entregues foram:
| OBRA | INVESTIMENTO |
| Adutora da Fé – 1ª Etapa | R$ 30,2 milhões |
| Barragem Oiticica | R$ 258,7 milhões |
| Barragem Panelas II | R$ 95,8 milhões |
| RNEST: conclusão do Trem 1 da Refinaria Abreu e Lima | R$ 91,5 milhões |
Além disso, o governo ainda destaca as obras que estão em fase adiantada de andamento, com mais de 80% de execução física, os seguintes empreendimentos:
| OBRA | INVESTIMENTO |
| Barragem Baraúnas | R$ 57,7 milhões |
| Adequação da BR-104/PE | R$ 154,0 milhões |
| Ampliação do Sistema de Esgotamento Sanitário (SES) Zona Sul – Natal | R$ 87,0 milhões |
| Adutora do Sistema Integrado Alto Sertão | R$ 8,1 milhões |
| Adutora do Sistema Integrado Tomar do Geru | R$ 3,2 milhões |
| LT 500 kV Medeiros Neto II (BA) – João Neiva 2 (ES) – 283 km | R$ 478,0 milhões |
O professor de economia na UFPB, Cássio Besarria destaca a importância do Novo PAC, principalmente em setores ligados à infraestrutura, e lembra que quanto à execução, o processo de compras do programa depende de licitações e prazos, que por vezes são mais demorados. “Percebe-se que há uma execução financeira em várias frentes, principalmente em infraestrutura, mas todo processo de compra pública envolve prazos específicos que muitas vezes fazem com que demore mais que a média se comparada com o setor privado”. Ele ainda destaca outros fatores que dificultam a realização da obra. “Questão do ritmo de desembolso financeiro, as licitações e a capacidade local de contratar e implementar essas obras”.
Para ele, isso significa que não há falta de dinheiro ou projetos, mas que a concretização das mesmas dependem da velocidade de execução dos estados e municípios.
Ao pensar se esses investimentos são capazes de reduzir a desigualdade na região, Cássio destaca que há várias formas de diferenças sociais, e o investimento em infraestrutura é uma maneira de tentar diminuir esse fator. “Existem várias fontes de desigualdade, seja de renda, escolaridade ou oportunidades, por exemplo. Investimentos em infraestrutura absorvem muita mão de obra, principalmente de baixa qualificação e aí esse acesso a renda acaba reduzindo desigualdades sociais”, afirma Besarria.
De acordo com a casa civil, a região Nordeste sempre foi prioritária nas políticas de investimento, infraestrutura, inclusão e distribuição de renda do Governo do Brasil. No âmbito do Novo PAC, essa é a segunda região com o maior volume de recursos em valores absolutos. Com relação aos empreendimentos com impacto social ou em áreas que estão mais próximas da população, destaca-se a construção de creches, escolas em tempo integral, policlínicas, maternidades, veículos e equipamentos de saúde, esporte, habitação, cultura e educação, dentre vários outros projetos.
| Região | Previsto até 2026 (R$ bilhões) | Executado (R$ bilhões) |
| Sudeste | 513,9 | 357,2 |
| Nordeste | 217,6 | mais de 147 |
| Sul | 72,0 | 70,2 |
| Norte | 53,1 | 36,4 |
| Centro-Oeste | 46,4 | 45,7 |
Banco do Nordeste
Além do governo federal, outro importante ator no desenvolvimento do Nordeste em todo ano de 2025 foi o Banco do Nordeste (BNB) por meio de ações de crédito e parcerias com outras instituições. Em entrevista ao Investindo Por Aí, o diretor de Negócios do Banco do Nordeste, Vandir Farias, destacou o investimento na Transnordestina como grande marco entre os projetos estruturantes.
“Só este ano, avançamos com novos repasses que mantêm o ritmo da obra, que já soma cerca de R$7,4 bilhões financiados desde 2010. Também estamos apoiando concessões rodoviárias estratégicas, como a Ecoriominas e a Grãos do Piauí, que juntas receberam quase R$800 milhões. Tudo isso é viabilizado pelo FNE, que em 2025 trabalha com seu maior orçamento: R$47,3 bilhões, focados em infraestrutura, logística e modernização econômica” , diz o diretor.
De acordo com ele, até setembro de 2025 foram contratados R$61,2 bilhões em toda a área de atuação do banco, sendo a maior parte distribuída em financiamentos de longo prazo, essenciais para ampliar a competitividade. Farias ainda afirma que agricultura, pecuária, comércio e serviços seguem como setores de forte absorção desses recursos, cada um puxando desenvolvimento em seu território.
Apesar disso, o diretor comentou que a maior área de atuação do BNB é o empreendedorismo popular. Segundo números da instituição, os programas de microfinanças — Crediamigo e Agroamigo — já somam mais de R$20 bilhões movimentados no ano. Isso significa milhões de operações que sustentam pequenos negócios, geram renda e fortalecem a economia de base da região.
O Nordeste ainda tem um longo percurso a percorrer, mas os investimentos ao longo do ano de 2025 apontam para um caminho positivo que a Região está seguindo.
