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9 de fevereiro de 2026 22:42

Gripe aviária preocupa mercado de frango no Nordeste e pode derrubar preços para produtores locais

Gripe aviária preocupa mercado de frango no Nordeste e pode derrubar preços para produtores locais

Surto no Sul e Sudeste do país ameaça saturar o mercado interno e comprometer a avicultura nordestina, mesmo sem casos confirmados na região
Foto: Reprodução/Internet

Apesar de não haver registro oficial de casos de gripe aviária no Nordeste, produtores de frango da região já sentem a pressão de uma crise que se espalha a partir dos grandes polos exportadores do Sul e Sudeste do Brasil. O surto da doença, que levou ao fechamento temporário de importantes mercados internacionais como China, Argentina, União Europeia e Canadá, pode gerar um excedente de carne de frango no mercado interno, derrubando os preços pagos aos avicultores nordestinos.

Segundo especialistas, o risco é real e pode atingir fortemente estados como Pernambuco, Bahia, Ceará e Paraíba, locais onde a avicultura representa uma importante fonte de renda para pequenos e médios produtores. A combinação entre a paralisação parcial das exportações e, consequentemente, a saturação do mercado interno, levanta preocupações quanto à sustentabilidade econômica da cadeia produtiva na região. 

Impacto indireto da gripe aviária

O foco atual da gripe aviária, oficialmente chamada de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAPP), está restrito às regiões Sul e Sudeste, onde se concentram os principais frigoríficos e cooperativas exportadoras do país. No entanto, a reação do mercado internacional à notificação de surtos no Brasil foi imediata. Países com protocolos sanitários rigorosos suspenderam temporariamente a compra de carne de frango brasileira, temendo contaminações.

A interrupção nas exportações redireciona toneladas de carne que seriam vendidas ao exterior para o mercado interno. Com a oferta em excesso, os preços tendem a cair, e os produtores locais, especialmente os nordestinos, que não contam com o mesmo poder de negócio das corporações do Sul e Sudeste, acabam ficando em desvantagem, já que a entrada de grande volume de carne pode desvalorizar o produto local.

Risco de saturação e queda de preços

Segundo dados do IBGE, o Nordeste representa cerca de 12% da produção nacional de carne de frango, com destaque para Pernambuco e Bahia. Embora o volume não seja comparável ao do Paraná ou Santa Catarina, a atividade tem forte impacto social e econômico na região, principalmente em municípios do interior.

A queda dos preços no atacado e no varejo de cara pode parecer positiva e vantajosa para o consumidor, mas, para quem está na ponta da produção, o cenário é preocupante. Com custos de produção elevados, margens apertadas e dificuldades de acesso a crédito, os produtores locais têm pouco espaço para manobrar em momentos de crise.

De acordo com levantamento feito pela Safras & Mercado, os preços dos cortes de frango congelado no atacado de São Paulo apresentaram queda ao longo de maio: 

  • Peito: de R$ 11,00 para R$ 10,60/kg
  • Coxa: de R$ 8,30 para R$ 7,50/kg
  • Asa: de R$ 12,20 para R$ 11,60/kg

A queda também atinge o preço do frango vivo. O levantamento mensal apontou queda em várias regiões do Brasil, como mostra o infográfico abaixo:

A pressão sobre a cadeia produtiva nordestina

Além dos produtores, todo o ecossistema que gira em torno da avicultura nordestina pode ser afetado: desde fornecedores de insumos até transportadoras, abatedouros locais e trabalhadores do campo. Com a possibilidade de queda de demanda por aves criadas na região, muitos desses profissionais podem ver seus rendimentos diminuírem ou, até mesmo, suas atividades paralisadas.

Outro desafio é a logística, uma vez que o Nordeste, historicamente menos integrado à malha ferroviária e com maiores custos de transporte, não consegue competir igualmente com os produtos do Sul, que chegam ao mercado com preços mais competitivos, mesmo com o frete. Caso o excedente das regiões afetadas pela gripe aviária invada os mercados consumidores do Norte e Nordeste, essa disparidade tende a aumentar.

A Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária do Estado de Pernambuco – Adagro publicou recentemente a Resolução nº 016/2025, tendo como anexo o Plano de Contingência para Influenza Aviária Patogênica (IAPP) e Doença de Newcastle no Estado de Pernambuco. O documento segue as diretrizes do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e apresenta detalhadamente as ações para enfrentamento da gripe aviária, caso a doença chegue ao estado. 

Segundo Samy Bianchini, superintendente de defesa e inspeção animal da Agência, “o documento define as ações a serem executadas em caso de ocorrência da enfermidade, bem como medidas de biosseguridade a serem adotadas pelas equipes que estarão na linha de frente. É importante lembrar que os procedimentos descritos no Plano poderão ser aprimorados e atualizados, já que esta é a primeira ocorrência da gripe aviária no plantel comercial do país, com registro em Montenegro, no Rio Grande do Sul”, ressaltou

A superintendente também afirma que “o sistema de defesa agropecuária age de forma integrada, com troca de experiências e apoio operacional do MAPA, através de capacitação das equipes e fortalecimento institucional das agências estaduais, para que estejamos preparados para enfrentar este desafio e continuarmos trabalhando na defesa do plantel de importância para o agronegócio e para população de Pernambuco.”

Foto: Reprodução/Internet

Brasil consegue manter o controle dos focos detectados

Segundo o MAPA, o Brasil tem conseguido manter o controle dos focos detectados e as medidas de contenção têm sido eficazes até o momento. 

Analistas apontam que uma das alternativas é a diversificação dos canais de escoamento da produção local, com o fortalecimento de feiras regionais, parcerias com supermercados e ampliação da industrialização do frango na região. Além disso, fomentar o cooperativismo entre produtores nordestinos para ganhar escala e competitividade em comparação às grandes indústrias do Sul, também é uma possibilidade de saída.

No Nordeste, para controlar e evitar os casos de gripe na região, a gerente de defesa animal da Adagro, Isabelle Valente, orienta aos estabelecimentos avícolas que adotem medidas como evitar o contato de aves comerciais com aves silvestres, não tocar ou recolher aves com suspeita de influenza aviária, controlar o acesso de pessoas, veículos e equipamentos na propriedade, além de instalar telas nos aviários.

Isabelle reitera que “é de extrema importância que os produtores e a população, especialmente moradores de áreas rurais, caso identifiquem aves que apresentem sintomas como dificuldade de voar, andar cambaleante, pescoço torto ou quando houver alta mortalidade de animais na sua região, não manipulem os animais e procurem o escritório da autarquia agropecuária mais próximo para que possamos adotar as medidas sanitárias necessárias”.

A gripe pode não ter contaminado as granjas no Nordeste, mas os reflexos econômicos já se espalham e são perceptíveis na avicultura regional. O desafio é evitar que a crise sanitária, embora distante geograficamente, transforme-se em uma crise econômica de grandes proporções para milhares de produtores que dependem da atividade para sustentar suas respectivas famílias.

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