
O Nordeste vive um período de forte dinamismo econômico, com destaque para a construção civil. O mercado de obras, infraestrutura e habitação tem apresentado crescimento consistente nos últimos anos, refletindo o avanço da demanda e a reestruturação de empresas que atuam ao longo da cadeia produtiva do setor.
Inserido nesse contexto, o Grupo Hiperferro inaugurou sua nova megaloja em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. O município reúne forte presença industrial e conexão com importantes corredores logísticos, o que o posiciona como ponto estratégico para a interiorização das operações da empresa.
Com atuação em diferentes estados, o grupo chega a um dos principais polos de crescimento da Bahia com o objetivo de levar ao interior o mesmo padrão de qualidade oferecido na capital, como explica Eduardo Pacheco, diretor executivo da empresa. “A megaloja entra exatamente na nossa estratégia de interiorização e capilaridade, já que levamos para fora da capital o mesmo padrão de mix, estoque profundo, serviços (corte, dobra, telhas, perfis, tubos) e atendimento técnico que antes o cliente só encontrava em Salvador. Em vez de puxar tudo para a capital, estamos espalhando a Hiperferro pelos polos regionais onde a população e a atividade econômica têm crescido, e Camaçari é um desses nós estratégicos da nossa malha.”
A adaptação das empresas do setor responde a um mercado cada vez mais exigente em termos de agilidade e serviços especializados, impulsionado pelo volume de obras e pelos empreendimentos lançados na região ao longo da última década.
Para o economista Renan Laurentino, a interiorização é um movimento natural das empresas que buscam ampliar mercados e aproveitar as potencialidades regionais. “No contexto de uma economia globalizada, é necessário que as empresas avancem para além das capitais, porque existem oportunidades relevantes de desenvolvimento em outras regiões. O que observamos é uma mudança estrutural: sair dos grandes centros e explorar esses potenciais de forma mais distribuída”, afirma.
“O aquecimento da construção no Nordeste mudou o jogo principalmente em dois pontos: velocidade e regionalização. Hoje temos muito mais obras de médio porte e loteamentos pulverizados, o que exige entregas mais rápidas, volumes fracionados e uma operação logística mais precisa, já que nem todos os canteiros recebem carretas completas. Em resposta, reforçamos a malha de depósitos regionais, ajustamos rotas internas na Bahia e criamos uma lógica de transferência diária entre bases para equilibrar o estoque conforme a demanda”, destaca Eduardo Pacheco.
Segundo o executivo, além do aumento da atividade, há uma mudança no comportamento dos clientes. “Percebemos um consumidor mais informado, comparando preço e prazo em tempo real, e mais sensível a serviço e valor agregado do que apenas ao preço da tonelada. As construtoras estão mais estruturadas, com áreas de engenharia e suprimentos profissionalizadas, buscando parceiros de longo prazo, contratos de fornecimento e previsibilidade. Já os pequenos construtores e serralheiros demandam agilidade, flexibilidade de prazo, além de apoio técnico e financeiro na escolha das soluções.”

Renan Laurentino avalia que esse processo de atualização das empresas é parte da dinâmica competitiva dos setores e tende a beneficiar os consumidores. “A competitividade é fundamental para que o cliente, seja pessoa física ou jurídica, tenha acesso a melhores produtos e preços mais justos.”
A expansão do segmento também impõe o desafio de manter estruturas preparadas para um ritmo mais acelerado de crescimento. Pacheco afirma que a estratégia do Grupo Hiperferro é não apenas acompanhar o aquecimento da construção civil, mas se posicionar à frente desse movimento. Para isso, a empresa tem investido em diferentes frentes operacionais.
“Estamos avançando simultaneamente em várias áreas. Em infraestrutura física, ampliamos e modernizamos galpões, pontes rolantes, linhas de corte e perfiladeiras, com foco em produtividade e na ampliação de serviços agregados ao aço. Em tecnologia, seguimos em um processo de evolução de sistemas de ERP, BI e ferramentas digitais de orçamento, pedidos e acompanhamento de entregas, o que amplia a previsibilidade tanto para a empresa quanto para o cliente”, explica.
Perspectivas para o próximo ano
Em 2025, o setor registrou 133.493 edificações em andamento no Nordeste, segundo dados da Hoff Analytics. A expectativa é de manutenção — ou até superação — desses números ao longo do próximo ano.
Renan Laurentino avalia que o cenário permanece favorável. “As projeções para 2026 são bastante positivas. Os investimentos em habitação no Nordeste cresceram em todas as faixas de renda — baixa, média e alta. Os dados indicam um ambiente sólido, com perspectivas consistentes de continuidade desse crescimento.”
Para o Grupo Hiperferro, as projeções também são otimistas. “Trabalhamos com um cenário de crescimento sustentado até 2026, acompanhando o ciclo de obras de infraestrutura, habitação e logística na Bahia e no Nordeste. Nosso objetivo é crescer acima do mercado, ampliando participação principalmente nos polos do interior e na Região Metropolitana de Salvador ampliada, onde ainda há espaço para profissionalizar a oferta de aço”, conclui Eduardo Pacheco.