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9 de fevereiro de 2026 14:28

Guerra tarifária dos EUA pode abrir novos mercados para suco de laranja de Sergipe

Guerra tarifária dos EUA pode abrir novos mercados para suco de laranja de Sergipe

Com tarifas sobre produtos agrícolas dos EUA, suco de laranja congelado ganha potencial de expansão no mercado asiático e europeu. Produto já representa 82,9% das exportações sergipanas

 

Foto: Reprdoução/Internet

A guerra tarifária iniciada pelos Estados Unidos pode abrir novas oportunidades para a laranja sergipana no mercado internacional. A avaliação é do economista Rodrigo Rocha, do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), vinculado à Federação das Indústrias de Sergipe (FIES). Segundo ele, o cenário atual, embora desafiador para diversos setores produtivos, também pode favorecer produtos em que o estado tem vocação exportadora, como o suco de laranja congelado.

“Afeta diretamente o acesso a insumos estratégicos e impacta a competitividade das empresas locais. Mas também abre uma janela de oportunidades para produtos em que Sergipe tem vocação exportadora”, afirmou Rocha.

Custos mais altos e cadeia produtiva em alerta

Entre os principais impactos negativos da guerra tarifária, o economista destaca o aumento no custo de importação de insumos industriais provenientes de outros países. Segundo ele, as tensões comerciais podem provocar interrupções na cadeia global de suprimentos e elevar os custos logísticos.

“Outro fator que agrava esse quadro é a desvalorização cambial, impulsionada pela política monetária norte-americana, o que encarece importações essenciais — como fertilizantes — e pressiona ainda mais os custos operacionais no estado”, observou. Por outro lado, o contexto internacional pode beneficiar segmentos estratégicos da economia sergipana. Rocha cita como exemplo a aplicação de tarifas chinesas sobre produtos agrícolas dos Estados Unidos, o que pode abrir espaço para a expansão das exportações de suco de laranja congelado — principal item da pauta exportadora de Sergipe.

“Esse cenário pode favorecer a inserção do estado no mercado asiático, além de outros mercados que enfrentem tensões comerciais com os EUA”, afirmou.

Balança comercial: laranja responde por 82,9% das exportações

Em março deste ano, Sergipe exportou US$ 19,6 milhões, segundo levantamento do Centro Internacional de Negócios (CIN/SE), da FIES, com base nos dados do Comex Stat. O valor representa um crescimento de 37% em relação a março de 2024, embora haja uma retração de 57,5% na comparação com fevereiro de 2025.

Entre os 23 produtos exportados, três concentraram mais de 90% do total:

  • Suco de laranja congelado (não fermentado, sem adição de álcool): US$ 16,3 milhões (82,9%)
  • Óleos essenciais de laranja: US$ 853,3 mil
  • Outros açúcares (de cana, beterraba e sacarose pura): US$ 786,3 mil

Os principais destinos foram: Estados Unidos (US$ 10,5 milhões), Bélgica (US$ 5,7 milhões) e Países Baixos (US$ 1,1 milhão).

Importações lideradas por tubos de aço e fertilizantes

No mesmo período, o estado importou 228 produtos, somando US$ 39 milhões. Os principais itens foram:

  • Tubos de aço não ligado, sem costura: US$ 11,1 milhões (28,5%)
  • Fosfato monoamônico ou diamônico: US$ 7,7 milhões
  • Outros trigos e misturas com centeio (exceto para semeadura): US$ 6,7 milhões

Os países que mais venderam para Sergipe foram: China (US$ 15,1 milhões), Rússia (US$ 12,1 milhões) e Argentina (US$ 6,7 mil).

Óleos essenciais também ganham destaque

Rocha ressalta que a menor taxação sobre exportações brasileiras, em comparação com outros países, pode beneficiar diretamente os produtores sergipanos.

“Produtos com tarifas reduzidas, como os óleos essenciais de laranja, também despontam como oportunidades. Nesse caso, a taxação sobre exportações brasileiras para os EUA é menor em comparação com outros países, o que pode beneficiar diretamente os produtores sergipanos”, disse.

O economista defende que a atuação coordenada entre o poder público e o setor produtivo será determinante para aproveitar o momento. “A articulação entre o poder público e o setor privado será decisiva. É preciso investir em políticas de comércio exterior que incentivem a diversificação de produtos e mercados, aumentando a resiliência das exportações sergipanas”, destacou.

Na Bahia, a Federação das Indústrias (FIEB) também acompanha o cenário com atenção. O presidente da entidade, Carlos Henrique Passos, destacou os riscos para a indústria brasileira.

“É um momento que exige muita cautela e um olhar atento para os movimentos que estão acontecendo. A maior ameaça para a indústria brasileira é o fato de que todos os países que não puderem exportar para os Estados Unidos vão mirar a exportação para outros mercados e o Brasil, por sua dimensão, pode ser um deles”, disse.

Ele também alertou para impactos no setor agropecuário.

“Ainda não temos como saber qual será a extensão dos impactos dessa guerra de tarifas iniciada pelos Estados Unidos, mas estamos falando de um cenário de tensão instalada que afeta o humor do setor produtivo e da sociedade como um todo”, completou.

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