
A crise climática é, antes de tudo, uma crise ética. Mas sua mitigação passa pela economia. A degradação ambiental que enfrentamos revela uma ruptura profunda entre a humanidade e a natureza — uma cisão que desafia os fundamentos de nossa convivência com o planeta. A filosofia, desde os gregos, nos ensina que viver bem é viver em harmonia com a natureza. No entanto, a modernidade substituiu essa visão por uma lógica de dominação e exploração. O resultado é visível: colapsos ecológicos, eventos extremos, deslocamentos forçados e a ameaça concreta à continuidade da vida como a conhecemos. Soluções econômicas têm sido exploradas por líderes mundiais para demover esses efeitos nefastos.
Nesse contexto, o hidrogênio verde surge não apenas como uma alternativa energética, mas como uma possibilidade de reconciliação. Produzido a partir da eletrólise da água utilizando fontes renováveis como o sol e o vento, esse vetor energético não emite carbono — e pode substituir gradualmente combustíveis fósseis em setores industriais de alta emissão. Mais que uma inovação tecnológica, representa um novo pacto moral com as futuras gerações.
O Nordeste brasileiro, historicamente visto como periférico nos grandes projetos nacionais, pode agora ocupar o centro dessa transformação. A região, rica em radiação solar e ventos constantes, possui um dos maiores potenciais do mundo para a produção de hidrogênio verde. Estados como o Ceará, o Piauí, Pernambuco e Bahia já atraem investimentos internacionais, desenhando um futuro em que desenvolvimento sustentável e justiça climática caminham juntos.
São as circunstâncias, potencialidades e desafios dessa realidade que envolvem a série especial sobre hidrogênio verde que Investindo Por Aí publica ao longo desta semana. São seis reportagens buriladas como afinco, senso crítico e inquietação por um time polivalente que comunga da filosofia de que desenvolvimento econômico é biótico.
Ao apostar no hidrogênio verde, o Brasil — e em especial o Nordeste — tem a chance de se colocar como protagonista ético e energético em um mundo em transição. É o momento de refletirmos: que legado queremos deixar? O da destruição ou o da regeneração? A resposta passa por escolhas concretas, e o hidrogênio verde, como atesta essa série, é uma delas.