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30 de março de 2026 16:12

Inadimplência cai no Rio Grande do Norte, mas endividamento alto e juros elevados ainda pressionam famílias

Inadimplência cai no Rio Grande do Norte, mas endividamento alto e juros elevados ainda pressionam famílias

Com 84,6% das famílias com algum tipo de dívida, estado potiguar reflete tendência nacional de reorganização financeira ainda frágil
Foto: Deposiphotos

O Rio Grande do Norte registrou queda expressiva na inadimplência em fevereiro de 2026. O percentual de famílias com contas em atraso recuou para 29,9%, configurando uma redução de 7,9 pontos percentuais em relação ao mesmo mês de 2025. Os dados são da  Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC). O resultado aponta melhora na capacidade de pagamento das famílias potiguares, impulsionada por recebimentos típicos do início do ano, renegociações de débitos e maior cautela no uso do crédito.

O alívio, porém, é parcial. O nível de endividamento segue elevado: 84,6% das famílias no estado têm algum tipo de dívida ativa. Para o presidente do Sistema Fecomércio RN, Marcelo Queiroz, o cenário reflete um esforço de reorganização financeira, mas com limites claros. “O endividamento segue elevado, mas a inadimplência recua de forma significativa, indicando esforço das famílias para regularizar dívidas”, afirmou ao jornal AgoraRN.

No comércio, os efeitos são ambíguos. A redução das contas em atraso pode abrir espaço para retomada moderada do consumo, especialmente em setores com parcelamento. Por outro lado, o comprometimento elevado da renda restringe novas compras a prazo, levando varejistas e instituições financeiras a endureceram critérios de concessão de crédito e priorizarem operações de menor valor.

O cenário potiguar contrasta com um quadro nacional ainda mais preocupante. Em fevereiro, o endividamento das famílias brasileiras atingiu 80,2% — o maior nível da série histórica da Peic, iniciada em 2010. A inadimplência no país também voltou a subir, alcançando 29,6% após três meses de recuo. Para o presidente da CNC, José Roberto Tadros, o quadro é reflexo direto da política monetária restritiva. “O endividamento das famílias brasileiras atingiu um patamar crítico e inédito, asfixiado pela manutenção da Selic em níveis elevados”, disse.

A deterioração da qualidade do crédito é visível nos dados: o tempo médio de atraso chegou a 65,1 meses, e 49,5% dos inadimplentes acumulam dívidas superiores a 90 dias. A desigualdade também se aprofunda entre famílias com renda de até três salários mínimos, 38,9% têm contas em atraso. O cartão de crédito segue como principal vilão, citado por 85% das famílias endividadas.

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