Jornalismo econômico para a inovação no Nordeste -
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9 de fevereiro de 2026 14:11

Indústria cervejeira do Nordeste ganha destaque em cenário de expansão nacional

Indústria cervejeira do Nordeste ganha destaque em cenário de expansão nacional

Apesar do crescimento modesto, região se fortalece com inovação, uso de ingredientes locais e turismo gastronômico
Foto: Arquivo pessoal

O setor cervejeiro brasileiro manteve crescimento em 2024, registrando 1.949 cervejarias ativas — 102 novas unidades em relação ao ano anterior, o que representa uma alta de 5,5%, segundo o Anuário da Cerveja 2025, elaborado pelo Ministério da Agricultura em parceria com o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv). O estudo também aponta 43.176 rótulos e 55.015 marcas registrados no país, reforçando a força e a diversidade do mercado.

A indústria emprega hoje 43 mil pessoas de forma direta e mais de 1,5 milhão indiretamente. No comércio exterior, o Brasil exportou 332,5 milhões de litros de cerveja em 2024, gerando US$ 204 milhões em receita. A produção nacional totalizou 15,34 bilhões de litros, mantendo estabilidade em relação ao ano anterior, mas com destaque para a fabricação de cervejas sem álcool, que já representam 4,9% do mercado.

Nordeste cresce pouco em número, mas muito em identidade

O crescimento do Nordeste foi mais tímido: em 2024, a região passou de 120 para 122 cervejarias, um avanço de 1,7%, o menor entre todas as regiões brasileiras. Ainda assim, o setor tem mostrado força pela originalidade e pela conexão com a cultura local.

A Bahia lidera o número de estabelecimentos, com 29 unidades, seguida por Ceará (22), Rio Grande do Norte (20) e Pernambuco (14). Em quantidade de rótulos registrados, a liderança também é baiana, com 408 cervejas, seguida por Ceará (278), RN (247) e Alagoas (186). Fortaleza é a única cidade nordestina que aparece entre as que possuem mais de dez cervejarias, somando 11 estabelecimentos.

Alguns estados mantiveram estabilidade, enquanto Bahia e Alagoas apresentaram queda no número de cervejarias, de 3,3% e 14,3%, respectivamente. Apesar disso, a região vem se destacando no cenário nacional com produtos que unem inovação, ingredientes nativos e identidade cultural — um diferencial que conquista consumidores e jurados em competições.

O exemplo de Alagoas: tradição, premiações e estratégia

Em Maceió, a microcervejaria Caatinga Rocks é um exemplo de como a valorização de ingredientes regionais pode gerar reconhecimento internacional. “A Caatinga Rocks nasceu com a ideia de incorporar o nosso DNA nordestino e alagoano nos estilos de cerveja que produzimos, seja nos rótulos ou nos ingredientes”, afirma o sócio-administrador Marcus Leal.

Um dos rótulos mais premiados da casa é a Mandacaru Atômico, sour que utiliza três tipos de cactáceas — mandacaru, palma e xique-xique — e já acumula nove prêmios, incluindo reconhecimento no World Beer Cup, considerado o concurso mais prestigiado do setor.

Outro destaque é a Alagoas Funky Wild, inspirada nos povos originários e fermentada a partir da microflora presente na água de manipueira coletada em Porto Calvo (AL). “O resultado é um produto único, de personalidade selvagem e carregado de identidade”, diz Leal. O rótulo já conquistou oito premiações, entre elas o título de Melhor Cerveja Brasileira de 2024 e um Best of Show.

Após a pandemia de covid-19, a Caatinga Rocks percebeu uma queda na demanda, mas também uma oportunidade. “Criamos o Gastrobar da Fábrica, onde o cliente tem a oportunidade de ter a experiência completa e ampliar a percepção sensorial dos nossos produtos”, explica Marcus Leal. A estratégia fortaleceu as vendas diretas e aproximou a marca de seu público.

Apesar dos avanços, Leal aponta desafios significativos: “Os maiores desafios encontrados são na parte logística e principalmente tributária, onde as microcervejarias continuam pagando a mesma carga de impostos que as grandes indústrias”.

Perspectivas para a região

Para o Sindicerv, o aproveitamento de insumos regionais, aliado à criatividade dos produtores, deve fortalecer a posição do Nordeste no mercado nacional. O setor contribui para a economia local não apenas pela produção e comercialização, mas também pelo impacto no turismo gastronômico, na geração de empregos e na promoção da cultura e diversidade regional.

O cenário, embora ainda com números discretos de crescimento, indica que o futuro da cerveja artesanal nordestina passa menos pela quantidade e mais pela qualidade, autenticidade e identidade que a região imprime em cada rótulo.

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