
O mercado de alimentação no Rio Grande do Norte atravessa um momento de redefinição estrutural. Entre os dias 21 e 23 de abril o Centro de Convenções de Natal recebe a Expo Sabores, evento que se posiciona como uma feira setorial e ambiente que pretende discutir os desafios que historicamente limitam o lucro do empresariado potiguar. A proposta central é a consolidação de uma rede de abastecimento que priorize o Nordeste, reduzindo a dependência de grandes distribuidores externos e fortalecendo o PIB (Produto Interno Bruto) regional.
A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, conhecida como Abrasel, atua como o alicerce institucional dessa transição. Trata-se de uma entidade nacional que representa e apoia os estabelecimentos de alimentação fora do lar, buscando qualificar a gestão e promover o desenvolvimento econômico e político da categoria. No estado potiguar a associação funciona como uma ponte estratégica entre fornecedores e empresários. Octávio Santiago, profissional que atua na assessoria da Abrasel, ressalta que o evento foi planejado para ser um ambiente de conexão ativa.
De acordo com Santiago, “além do espaço de exposição, a Expo Sabores foi estruturada como um ambiente de conexão ativa, com rodadas de negócios, cozinhas show e espaços de relacionamento que aproximam produtores de compradores estratégicos, como bares, restaurantes e hotéis”. Ele afirma ainda que “a proposta é encurtar distâncias dentro da cadeia, estimular parcerias diretas e valorizar os insumos do Nordeste, fazendo com que os negócios permaneçam, prioritariamente, na própria região”.
Um dos principais pontos de pressão para o setor em 2026 é a inflação de insumos que corrói as margens de lucro sem que o empresário consiga repassar integralmente os custos ao consumidor final. A saída apresentada pela feira reside na tecnologia e na otimização de processos. Santiago explica que “a programação técnica foi pensada para enfrentar diretamente o impacto da inflação de insumos, com foco em gestão eficiente, inovação e tecnologia aplicada ao food service”. O assessor pontua que “as palestras abordam temas como controle de custos, otimização de processos, uso de dados e automação, incluindo Inteligência Artificial e oferecendo caminhos práticos para ampliar margem de lucro sem pressionar o consumidor final”.

A feira projeta movimentar cerca de R$ 10 milhões, valor que engloba contratos imediatos e parcerias de longo prazo iniciadas nas rodadas de negócios. Para a organização o sucesso do evento não é medido apenas pelo volume de público mas pela capacidade de converter aprendizado em transações comerciais efetivas. Existe uma preocupação clara em reduzir o que a entidade chama de hiato de competitividade no cenário local.
Octávio Santiago observa que “o principal gap [lacuna] que a Abrasel quer reduzir é a distância entre o acesso ao conhecimento e a geração efetiva de negócios”. Segundo ele, o evento foi desenhado para enfrentar esse ponto de forma prática, pois “enquanto o conteúdo qualifica a gestão, as rodadas de negócios e conexões no evento devem gerar cerca de pelo menos R$ 10 milhões em negociações”. Ele conclui afirmando que “a expectativa é que o empresário saia não só com novas ideias, mas com fornecedores definidos, parcerias iniciadas e decisões que impactem já no curto prazo”.
Ao reunir chefs, fornecedores e investidores em um ambiente de cooperação a Expo Sabores 2026 reafirma que o futuro da alimentação no Rio Grande do Norte depende da capacidade do setor de operar de forma sistêmica. A valorização do insumo regional aliada à tecnologia de ponta deixa de ser um diferencial para se tornar o requisito básico de sobrevivência em um mercado cada vez mais exigente e volátil.