
A ampliação da isenção do Imposto de Renda para pessoas físicas, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deve se tornar um dos principais motores da economia nordestina a partir de 2026. Com efeitos previstos desde janeiro, a Lei nº 15.250/2025 deve injetar cerca de R$ 1,7 bilhão por ano na economia da região, segundo estimativa da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). O valor representa aproximadamente 7% da renúncia fiscal nacional projetada, de R$ 25,8 bilhões, e tende a beneficiar diretamente milhões de trabalhadores com renda mensal de até R$ 5 mil, além daqueles que ganham até R$ 7.350, faixa que contará com descontos no tributo.
De acordo com o estudo da Sudene, a medida deve ampliar a renda disponível no Nordeste em cerca de R$ 126,7 milhões por mês. Bahia, Pernambuco e Ceará concentram quase 70% desse impacto mensal, refletindo o peso econômico desses estados na região. Em valores absolutos, o acréscimo pode chegar a aproximadamente R$ 40 milhões mensais na Bahia, R$ 27 milhões em Pernambuco e R$ 20 milhões no Ceará, enquanto estados como Sergipe e Piauí devem registrar incrementos próximos a R$ 5 milhões por mês.
Para o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, a política reforça o poder de compra das famílias e tem potencial de dinamizar o comércio e a produção local. O economista Miguel Vieira, da autarquia, ressalta o efeito multiplicador da medida, uma vez que o aumento de renda atinge principalmente famílias com alta propensão ao consumo, estimulando desde gastos básicos até a aquisição de bens duráveis. “Por outro lado, o estímulo gerado pela renda extra pode fazer até com que as empresas tomem mais empréstimos para expandir a produção”, comenta.
Ciclo virtuoso
Esse cenário de maior circulação de renda se soma a perspectivas favoráveis para o ambiente de negócios no Nordeste em 2026. Segundo o economista-chefe do Banco do Nordeste (BNB), Rogério Sobreira, as principais oportunidades devem surgir fora das capitais, especialmente em cidades de médio porte, impulsionadas pelo aquecimento do mercado de trabalho. Comércio e serviços aparecem como setores com bom potencial de expansão, acompanhando a melhoria da renda e do emprego.
No campo da infraestrutura, estão previstos investimentos expressivos. Um dos destaques é o leilão dos sistemas de saneamento no Maranhão, que pode mobilizar R$ 18,7 bilhões. Na Bahia, os portos organizados devem receber mais de R$ 1,1 bilhão em aportes, enquanto projetos ferroviários estratégicos, como a Transnordestina, a Ferrovia Centro-Atlântica e o corredor Leste-Oeste, prometem gerar obras e oportunidades ao longo de toda a região.
A produção agrícola também segue como vetor central de crescimento, especialmente no Matopiba, área que engloba Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. O aumento da demanda internacional por soja, milho e algodão, aliado à expansão das cadeias de proteína animal e biocombustíveis, sustenta as projeções otimistas. Segundo Sobreira, a combinação de disponibilidade de terras, avanços tecnológicos e inovação consolida a fronteira agrícola como um dos pilares da economia nordestina.
Com a convergência entre renda maior para as famílias, investimentos estruturantes e expansão do agronegócio, o Nordeste entra em 2026 com a expectativa de manter um ritmo de crescimento superior à média nacional, reforçando seu papel estratégico no desenvolvimento do País.