
A fruticultura é um dos principais pilares da economia do Rio Grande do Norte, destacando-se tanto na geração de emprego e renda quanto na movimentação financeira do estado. Segundo o secretário Estadual de Agricultura, Pecuária e Pesca (SAPE) do Rio Grande do Norte, Guilherme Saldanha, o setor tem um papel fundamental, especialmente na região do semiárido. “A fruticultura tem uma relevância muito significativa sobre dois aspectos. Primeiro, na geração de emprego, renda e oportunidade, principalmente onde as condições de trabalho formal são mais escassas. E, do ponto de vista econômico, há uma injeção de milhões de dólares todos os anos na nossa economia, oriunda de exportações para outros países”, afirmou ao Investindo Por Aí.
O secretário destaca que esses recursos movimentam a economia local, gerando investimentos e promovendo desenvolvimento. “O dinheiro que entra com as exportações não fica restrito ao setor, ele impulsiona toda a cadeia produtiva. São investimentos em tratores, implementos agrícolas e uma economia que se fortalece a partir dessa atividade”, explica Saldanha.
O Rio Grande do Norte é líder nacional na exportação de melão, além de se destacar na produção de outras frutas, como melancia, manga e mamão. O crescimento das exportações nos últimos anos reforça a força do setor. “Nos últimos nove anos, as exportações de frutas do Rio Grande do Norte cresceram mais de 100%, saímos de US$ 120 milhões para cerca de US$ 250 milhões. E podemos crescer ainda mais”, pontua o secretário.
A ampliação da infraestrutura é outro fator que fortalece o setor. “Estamos vivenciando a inauguração da barragem de Oiticica, que vai incrementar a segurança hídrica do estado com mais de 600 milhões de metros cúbicos de água. Aliado a isso, temos condições climáticas favoráveis, infraestrutura de rodovias e escoamento por portos como o de Natal e os do Ceará. Tudo isso permite continuar esse crescimento e promover ainda mais desenvolvimento para o Rio Grande do Norte”, enfatiza.
Desafios e oportunidades no mercado chinês
A expectativa do setor é que, com a abertura do mercado chinês, o volume exportado triplique nos próximos três anos, passando dos atuais 17 mil contêineres enviados anualmente para a Europa para até 51 mil contêineres anuais, somando as vendas para os chineses.
A estratégia para essa expansão foi debatida no Workshop Melão Brasil-China, realizado na Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) na terça-feira (18), em Mossoró. O evento reuniu produtores, especialistas e representantes do Comitê Executivo de Fruticultura do Rio Grande do Norte (Coex), da Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) e do Sebrae-RN.
O presidente do Coex, Fábio Queiroga, explicou que a China, apesar de ser o maior produtor mundial de melão, tem uma janela de baixa produção entre outubro e abril devido às condições climáticas. “É nesse intervalo que o melão potiguar pode se beneficiar e alavancar as exportações. Se superarmos os desafios logísticos e garantirmos que a fruta chegue à China em até 30 dias, podemos dobrar nosso volume atual de exportação”, afirmou.

A logística foi apontada como o maior gargalo a ser superado, conforme destacou o gerente de projetos da Abrafrutas, Jorge de Souza. “A China é um grande mercado, mas os desafios são proporcionais às oportunidades. A fruta potiguar tem qualidade excepcional e pode encantar os chineses, mas é perecível e precisa chegar ao destino dentro dos padrões exigidos. Para isso, precisamos reduzir o tempo de viagem”, explicou.
Apoio do Sebrae e inovação tecnológica
O Sebrae-RN tem papel fundamental na busca por soluções que viabilizem a exportação para a China. O diretor técnico da instituição, João Hélio Cavalcanti Júnior, ressaltou que a inovação e a tecnologia serão fundamentais para atender às exigências do mercado chinês. “O segredo é buscar mecanismos que retardem o amadurecimento das frutas e garantir que elas cheguem ao destino em condições ideais. Estamos apoiando esse processo desde o início e seguiremos oferecendo consultorias e conhecimento técnico”, afirmou.
Uma das iniciativas para fortalecer a presença do melão potiguar na China será uma missão empresarial a Xangai, entre os dias 12 e 20 de maio. A comitiva, formada por empresários e representantes de entidades como a Apex-Brasil, visitará importadores, centros atacadistas e participará da Feira Internacional Sial, com o objetivo de aproximar o setor produtivo brasileiro do mercado chinês.
Além disso, uma delegação de compradores chineses visitará a Feira Internacional da Fruticultura Tropical Irrigada (Expofruit), que ocorrerá de 20 a 22 de agosto, em Mossoró. A presença dos compradores visa consolidar as negociações e ampliar as oportunidades de exportação.
Crescimento sustentável e impacto econômico
O melão produzido na área livre de Mossoró foi a primeira fruta brasileira autorizada a ser comercializada com a China, e recentemente, a uva do Vale do São Francisco também recebeu essa habilitação. Segundo o secretário Guilherme Saldanha, o governo do Estado tem sido parceiro do setor, atuando para reduzir burocracias e criar um ambiente favorável ao crescimento das exportações. “Estamos atentos, quebrando barreiras e reduzindo entraves para que o setor possa se expandir ainda mais. Com a infraestrutura adequada e as condições climáticas favoráveis, temos tudo para continuar crescendo”, concluiu.
Atualmente, o Brasil produz cerca de 340 mil toneladas de melão por ano, e o Rio Grande do Norte se mantém como o maior produtor e exportador da fruta no país. Com os esforços do setor produtivo e o apoio de instituições como o Sebrae, o Estado se prepara para consolidar sua presença no exigente mercado chinês, impulsionando a economia potiguar e gerando mais empregos e oportunidades.
*Com informações do Sebrae RN