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9 de fevereiro de 2026 14:15

Mercado projeta mais uma queda na safra de cana-de-açúcar, mas Nordeste apresenta resiliência

Mercado projeta mais uma queda na safra de cana-de-açúcar, mas Nordeste apresenta resiliência

Segundo dados do Conab, Nordeste deve ter um crescimento de 3,5% em relação à safra anterior
Foto: Divulgação/Governo da Bahia

A cana-de-açúcar, forte commodity do Nordeste, pode sofrer mais uma queda na safra 2025/26. Segundo levantamento promovido pela NovaCana, o mercado projeta uma diminuição em moagem e debate divergências nos números e em relação à produção de açúcar e etanol.

De acordo com o estudo da NovaCana, que ouviu 20 empresas distintas, há uma unanimidade entre as instituições que haverá uma moagem inferior ao ciclo anterior, mas o tamanho dessa queda é ponto de divergências. Cássio Besarria, economista e professor da Universidade Federal da Paraíba comentou que a queda da moagem está associada à redução da produção. “Conforme apontado pelos especialistas e produtores, a queda da produção é derivada de uma redução na produtividade e um produto (cana-de-açúcar) de menor qualidade do que obtido nas safras anteriores”, afirma Besarria.

A queda da qualidade na cana também está entre as concordâncias das empresas consultadas. Considerando o Açúcar Total Recuperável (ATR) – índice que mede a quantidade de açúcar presente na cana, o que indica o potencial de conversão em açúcar ou álcool durante o processo industrial – é esperado uma redução de 2,1% por tonelada.

Por outro lado, as divergências entre o mercado residem na estimativa de queda da produção de cana-de-açúcar para a  safra 2025/26. Segundo o levantamento da NovaCana, a média das estimativas das 20 empresas resulta em uma produção esperada de 596,42 milhões de toneladas. Os dados de abril deste ano variam entre 581 milhões de toneladas da Archer Consulting e 618 milhões calculados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

De acordo com levantamento da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a primeira estimativa para a produção de cana-de-açúcar 2025/26 é de 663,4 milhões de toneladas, o que significa uma diminuição de 2% em relação ao ano passado.

O clima desfavorável durante a fase de desenvolvimento das lavouras em 2024, é o principal vilão para a queda da produtividade, que está estimado em 75,45 kg/ha. A Conab aponta que o estado de São Paulo foi um dos que mais sofreram com as condições climáticas devido às baixas pluviosidades e altas temperaturas, a Companhia também relata que foram registrados  alguns focos de incêndios ,o que afetou parte dos canaviais.

Ao comparar a safra 2025/26 por regiões produtoras, é possível identificar dois cenários distintos. O primeiro é a queda acentuada na produção do sudeste, que como dito, sofreu mais com mudanças climáticas. Já as demais regiões obtiveram um crescimento, ainda que pequeno, ou estabilidade na produção de cana de açúcar.

Destaque para a região Nordeste, que estima o maior crescimento da commodity na atual safra 2025/26 com 3,5% de alta, chegando a 56,30 milhões de toneladas para este ano.

Outro ponto de discordância para as empresas que produziram o levantamento para o site NovaCana está em relação ao açúcar e etanol. Segundo o portal, 9 empresas acreditam em um volume de açúcar abaixo do observado na temporada anterior, por outro lado, outras 9 apostam no cenário inverso, ou seja, em uma produção superior ao ciclo 2024/25. De acordo com o Conab, a produção está estimada em 45,9 milhões de toneladas, um acréscimo de 4% sobre a obtida na safra anterior e configurando-se como a maior da série histórica. A companhia afirma que em praticamente todas as regiões é observada maior produção de açúcar e esse cenário é justificado pelo mercado favorável ao adoçante.

Já o etanol, por variar devido a fatores como adoção do E30 (um tipo de gasolina que contém 30% de etanol anidro em sua composição), a remuneração de açúcar frente ao biocombustível, a capacidade de cristalização das usinas e o tamanho do potencial do incremento do renovável de milho é mais difícil de prever. Contudo, o levantamento da NovaCana para 2025/26 acredita que o etanol terá uma baixa de 0,8%.

Cássio Besaria também apontou para os preços como uma variável que pode variar a produção do etanol. “O açúcar é uma commodity, ela tem seu preço definido no mercado internacional, então se a tendência de preços está em alta, a expectativa é que a produção do açúcar ganhe um maior espaço em relação a outros produtos.  Isso implica em redução, por exemplo, na produção de etanol. Portanto, o preço é a principal referência para essa tomada de decisão”, salienta.

O primeiro levantamento do Conab para a safra de cana-de-açúcar também contempla as expectativas vividas em relação ao etanol. Segundo a companhia, o Etanol Total (milho e cana-de-açúcar) deve ter redução de 1% em relação à safra anterior. O Etanol total de cana-de-açúcar deve ter uma baixa estimada em 4,2% frente a 2024/25, devendo atingir 28,11 bilhões de litros. Por fim, o Etanol total de milho pode ir para um caminho oposto, isso porque a estimativa é para mais um recorde na produção de biocombustível, estimada em 8,7 bilhões de litros, um aumento de 11%.

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