Jornalismo econômico para a inovação no Nordeste -
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30 de março de 2026 15:58

Microcrédito impulsiona empreendedorismo rural e transforma a vida de agricultores na Paraíba

Microcrédito impulsiona empreendedorismo rural e transforma a vida de agricultores na Paraíba

Já foram aplicados cerca de R$ 4,4 bilhões em créditos, distribuídos em 780.719 operações no estado
A empreendedora Maria Júlia | Foto: Arquivo pessoal

Em meio às transformações do semiárido e à diversificação da economia paraibana, o empreendedorismo rural tem se consolidado como uma das principais plataformas de empoderamento econômico no estado. Pequenos produtores, agricultores familiares e empreendedores do campo vêm ampliando renda, autonomia e capacidade de permanência no território por meio da agregação de valor, da inovação produtiva e do acesso a políticas públicas, crédito e mercados.

Entre as diversas políticas de acesso ao crédito, programas como o Crediamigo (linha voltada para empreendedores urbanos) e o Agroamigo (programa de microfinanças rurais), ambos do Banco do Nordeste, permitem que empreendedores paraibanos sonhem com uma mudança social e financeira em suas vidas.

Criado em 2005, o Agroamigo do BNB se propõe a melhorar o perfil socioeconômico das famílias do campo por meio da metodologia do Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO), lei do mesmo ano, que oferece empréstimos com juros reduzidos e consultoria a microempreendedores formais e informais com faturamento de até R$ 360 mil por ano. O objetivo primordial de ambos é impulsionar negócios através de condições mais simples para obtenção de crédito.

De acordo com o gerente estadual do Agroamigo, Adoniran Viana, o programa possui uma estrutura especializada que permite ao microcrédito ser adaptado às características de cada região.

“O programa mantém unidades e equipes distribuídas em todos os municípios de atuação, o que assegura atendimento regionalizado e contínuo. Essa presença territorial possibilita que o microcrédito seja adaptado às características locais, levando em conta clima, cadeias produtivas predominantes e dinâmicas socioeconômicas de cada região.”

Com o diferencial de ser destinado a agricultores familiares que se enquadram no Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), o Agroamigo segue se consolidando como um dos principais motores de apoio à agricultura familiar. De acordo com números do BNB, desde a sua criação em 2005, o Agroamigo já beneficiou quase 3,2 milhões de agricultores em mais de 8,9 milhões de operações e ultrapassou R$ 51,28 bilhões aplicados.

Os números paraibanos no Agroamigo também impressionam. Em 2025 o BNB injetou recursos da ordem de R$ 796 milhões, com os quais foram contratadas 63.779 operações. Ao todo, já foram aplicados cerca de R$ 4,4 bilhões em créditos, distribuídos em 780.719 operações e 279.925 clientes.

A grandiosidade dos valores apresentados pelo Banco do Nordeste não dá a real dimensão da importância do programa para a transformação social e econômica dos milhares de clientes beneficiados ao longo de 20 anos de Agroamigo. Cada operação contratada significa um novo começo para as famílias contempladas.

É o recomeço que define a relação da empreendedora Maria Júlia com o crédito fornecido pelo Banco do Nordeste. Dona de um dos engenhos mais tradicionais da Paraíba, e responsável por uma das cachaças mais famosas do Brasil, Maria Júlia se agarrou ao empréstimo do BNB quando viu parte da sua produção queimar em um incêndio que assolou parte de sua propriedade em 2024.

“Todas as nossas máquinas de engarrafar foram destruídas, ou seja, 30 anos de trabalho foram perdidos nesse incêndio. Então eu recorri ao Banco do Nordeste, e a agência de Alagoa Grande prontamente me atendeu. A gente conseguiu esse crédito, de cerca de oito por cento ao ano, da forma mais rápida que a burocracia permite. E isso nos permitiu que pudéssemos trabalhar com tranquilidade, apesar do incêndio que sofremos”, conta a empreendedora.

Para Suênia Félix Belmont, do Senar-PB, o microcrédito rural possibilita, ao empreendedor, seja ele do semiárido ou não, uma mudança da agricultura familiar voltada apenas para subsistência e permite a transição para uma lógica de geração de excedente em um curto prazo. Já a médio e longo período, a administradora acredita que o crédito diminui migrações de trabalhadores.

“A médio prazo eu vejo que o microcrédito reduz o êxodo rural, porque o pequeno produtor começa a enxergar a viabilidade econômica na sua propriedade, ele começa a ter esperanças em produzir. É através do microcrédito que eles voltam a ter esse desejo de empreender despertado”, afirma Suênia.

Suênia ainda afirma que com o microcrédito, o produtor deixa de depender apenas de uma cultura e passa a investir em outras, bem como passa a se preocupar mais com infraestrutura a partir do momento que ele tem acesso a esse recurso.

“Então, eles podem utilizar esse microcrédito para melhorar sua infraestrutura, seja instalação de placas solares, cisternas, tornando assim a propriedade mais eficiente e mais resiliente ao clima quando se trata da necessidade de abastecimento de água para poder produzir”, exemplifica Suênia.

Com mais de R$ 4 bilhões movimentados na Paraíba ao longo dos 20 anos de programa, Adoniran Viana afirma que o Banco do Nordeste avalia o Agroamigo como um sucesso e ainda projeta crescimento para a ação.

“O Banco do Nordeste avalia o sucesso do Agroamigo pelo crescimento contínuo do volume de crédito contratado, pelo aumento do número de clientes atendidos e pela inclusão de novos agricultores ao sistema financeiro. Também considera a elevada adimplência do programa, resultado da metodologia de crédito orientado e do acompanhamento próximo realizado pelos agentes”, explica o gerente.

Adoniran Viana | Foto: Arquivo pessoal

Além disso, Adoniran afirma que relatórios do BNB apontam para impactos socioeconômicos relevantes, como geração de renda, fortalecimento da agricultura familiar e melhoria das condições de vida no campo. Estimativas do último levantamento do banco apontam para 132,9 mil empregos diretos ou indiretos gerados ou mantidos e um aumento de R$ 1,9 bilhão na massa salarial.

Mesmo com o sucesso inquestionável do Agroamigo, Adoniran garante que o Banco do Nordeste segue buscando inovações e aperfeiçoamentos ao programa. Entre as melhorias previstas, o gerente afirma que o Banco vem ampliando linhas temáticas, digitalizando processos e fortalecendo parcerias para qualificar projetos e assistência técnica.

Políticas públicas, como as realizadas pelo BNB, seguem permitindo a agricultores paraibanos sonharem em empreender com aquilo que amam, como é o caso de Maria Júlia, que descobriu no campo e no empreendedorismo rural a sua verdadeira paixão.

“As políticas públicas são fundamentais para quem trabalha no agro, tanto para o pequeno, quanto para o médio e o grande. E se não fossem elas, não só teria mais fome, tanto no Brasil quanto no mundo como também teria mais violência social, inclusive as violências domésticas”, conjectura. “E as políticas públicas de crédito para o agro são fundamentais para o desenvolvimento do Brasil, para uma sociedade mais justa e para apoiar aqueles que acreditam neste país do agro”.

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