
Além do turismo, a Paraíba está se tornando a “queridinha” do mercado imobiliário. Com o aquecimento do setor, a construtora MRV obteve um crescimento de 26,14% nas vendas de imóveis no estado, especificamente nos municípios de João Pessoa e Cabedelo, em comparação com 2024.
De acordo com Pedro Farias, gestor comercial da MRV na Paraíba, em 2025 a construtora encerrou o ano com 551 vendas, alcançando um valor geral de vendas (VGV) de R$163 milhões. Farias projeta um 2026 ainda mais bem-sucedido para a empresa, segundo ele, um dos objetivos da MRV para os próximos dois anos é dobrar o número de vendas anuais, sendo que em 2026 irão focar seus esforços na capital João Pessoa.
“Para os próximos dois anos, nossa projeção é ajustar a regional para atingir cerca de 1.000 vendas anuais. Para isso, estamos concentrando esforços na formação de um land bank (banco de terrenos) diversificado e estrategicamente distribuído, capaz de atender todas as faixas de renda e perfis de clientes”, afirma o gestor.
O que explica o crescimento da MRV?
Fundada em 1979, a empreiteira MRV se destaca no mercado com empreendimentos residenciais econômicos, com preços mais acessíveis para um público que deseja realizar o tão buscado sonho da casa própria. Segundo a empresa, já foram entregues 500 mil chaves em todo o Brasil.

Na Paraíba, a MRV atua desde 2011, e afirma que entregou 5 mil chaves no estado. Bem como no restante do país, os empreendimentos da empresa contemplam programas habitacionais como Minha Casa, Minha Vida e Sistema Brasileiro de Poupanças e Empréstimo. Mas como a MRV cresceu 26,14% e vendeu 551 imóveis na Paraíba apenas em 2025?
O notável crescimento da MRV na Grande João Pessoa vai desde fatores como boa localização de empreendimentos, mudanças estratégicas na operação, até o “boom” do mercado imobiliário pessoense. Segundo o Índice FipeZAP, a capital João Pessoa teve uma valorização de 14,51% no preço de venda de imóveis residenciais entre janeiro e novembro de 2025, sendo uma das três capitais brasileiras com maior alta, atrás apenas de Vitória e Salvador.
Pedro Farias destaca o momento imobiliário do estado como um dos fatores de crescimento da empreiteira em 2025. “A Paraíba vive uma fase singular, marcada pela forte atração de investidores de diversos estados e de pessoas que buscam uma futura moradia. A combinação de segurança, custo de vida competitivo e belezas naturais tem colocado o estado no radar nacional. Hoje, cerca de 70% das nossas vendas vêm justamente desse público de fora”, comenta Farias.
Segundo o gestor, em meio ao aquecimento do mercado, a MRV se destaca por oferecer produtos em áreas valorizadas, como Altiplano e Portal do Sol. Os preços competitivos aplicados pela empreiteira também são um diferencial para o sucesso da empresa. Para Eduardo Albuquerque, CEO da Salte Imóveis, além de imóveis mais acessíveis, a flexibilidade de pagamento é um grande trunfo do crescimento da MRV.
“Hoje, a construtora trabalha com um sistema associativo vinculado à Caixa Econômica Federal, onde ela consegue financiar durante a obra. Ou seja, a pessoa consegue comprar parcelando a entrada, a documentação, e fazendo financiamento imobiliário”, avalia Eduardo, que ainda explica que, hoje, a MRV tem como atrativo maior a facilidade de pagamento e localização, mesmo que, por vezes, não tenha um produto com a mesma qualidade de acabamento ou área de lazer completa, por exemplo.
Por fim, Farias também destaca a centralização da operação comercial na Paraíba como um elemento importante para o crescimento da MRV no estado. Ele afirma que em abril de 2025, a diretoria comercial do Nordeste separou as operações da Paraíba e do Rio Grande do Norte, que antes eram administradas conjuntamente. Pedro explica que essa mudança permitiu ações mais direcionadas, estratégias específicas e um entendimento muito mais profundo do comportamento do consumidor local, o que refletiu diretamente no desempenho.
Escolha por João Pessoa
De acordo com Pedro Farias, a escolha por João Pessoa e pela Paraíba foi devido ao potencial de expansão do estado. Para ele, além da crescente procura de investidores, existe uma demanda local muito forte. Contudo, ele destaca que o estado ainda figura entre os maiores déficits habitacionais do país, o que reforça a necessidade de novos empreendimentos. “Enxergamos aqui uma oportunidade real de contribuir para o desenvolvimento urbano e atender diferentes perfis de clientes, desde o público econômico até o de médio padrão”, comenta Farias.

Eduardo Albuquerque também observa o potencial de investimentos de João Pessoa, mas aponta a qualidade de vida da cidade como principal atrativo da cidade.
“João Pessoa traz muitas possibilidades, porque é uma cidade em crescimento. Hoje é um paraíso para as pessoas que estão aposentadas, pela cidade tranquila. É um paraíso para as pessoas também que trabalham na área de tecnologia, chamados nômades digitais, pessoas que podem trabalhar de qualquer lugar, além de ser uma cidade com muitas oportunidades”, diz Eduardo.
Além disso, o corretor cita iniciativas de leis que protegem determinadas regiões da cidade. É o caso da lei do gabarito, legislação que controla a altura de construções na orla de João Pessoa, visando preservar o patrimônio ambiental, paisagístico e cultural, com escalonamento de altura que protege a vista e a ventilação natural. Eduardo argumenta que este tipo de medida torna a cidade sustentável, mantém a atratividade e impede que regiões mais buscadas sofram um adensamento muito alto.
“Você não tem um adensamento forte de regiões que são mais procuradas. Ela tem a sua capacidade limitada à sua altura, então acaba não adensando e causando problemas nessas regiões. Então nós temos uma orla muito boa, nós somos a capital das enseadas, nós temos as enseadas em João Pessoa, que são muito bonitas, tem uma variedade de praias, todas próprias para banho, desde Cabo Branco, Manaíra, as praias de Cabedelo, e Bessa”, conclui Eduardo.
Por fim, para o corretor, é possível traçar uma tendência de crescimento para o mercado imobiliário de João Pessoa. Ele afirma que, se por um lado, as leis rígidas do plano diretor da cidade podem ser um obstáculo para empresas externas, por outro, elas oferecem uma oportunidade para o mercado de construtoras locais. De qualquer forma, a Paraíba e João Pessoa seguem sendo polos de investimento, seja para quem já é da cidade, ou para quem deseja passar a aposentadoria na capital paraibana.