
No Rio Grande do Norte, apenas 27,6% dos empregadores são mulheres, segundo dados do IBGE de novembro de 2025. O percentual coloca o estado na oitava pior posição do país e na quarta menor do Nordeste. Em números absolutos, cerca de 15 mil mulheres estão à frente de negócios com funcionários formais. Uma proporção que equivale a menos da metade dos homens na mesma condição: para cada mulher empregadora, há 2,5 homens.
O dado expõe uma desigualdade estrutural no comando de empresas no estado. Apesar dos avanços recentes na inserção feminina no mercado de trabalho, a presença das mulheres em posições de liderança empresarial ainda é limitada e isso tem impacto direto na geração de empregos e renda.
Estudos indicam que negócios liderados por mulheres tendem a contratar mais mulheres: cerca de 73% dessas empresas têm força de trabalho majoritariamente feminina. O dado sugere que ampliar o número de mulheres empregadoras significa, na prática, ampliar o acesso ao emprego para outras mulheres.
No campo do crédito, há avanços. Em 2025, o volume de financiamento a empresas lideradas por mulheres superou R$ 17,5 bilhões no Brasil, crescimento de mais de 12% em relação ao ano anterior. O aumento reflete maior demanda e inserção dessas empreendedoras em operações formais de crédito.
Mesmo assim, especialistas apontam que o acesso a financiamento, isoladamente, não resolve o problema. A combinação entre crédito, capacitação e apoio à gestão é considerada essencial para que mais mulheres consigam não apenas abrir negócios, mas mantê-los e expandi-los com geração de empregos.
Os números do Rio Grande do Norte mostram que o caminho ainda é longo. Reduzir a disparidade de gênero no empreendedorismo formal depende de condições estruturais que favoreçam a consolidação de negócios liderados por mulheres; com efeitos diretos sobre o mercado de trabalho e a economia local.