Jornalismo econômico para a inovação no Nordeste -
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31 de março de 2026 12:01

Neoenergia amplia investimentos em eficiência energética no Nordeste e reforça transição para fontes renováveis

Neoenergia amplia investimentos em eficiência energética no Nordeste e reforça transição para fontes renováveis

Com mais de R$ 113 milhões em 2025, companhia direciona recursos para energia solar, modernização de prédios públicos e redução de custos operacionais
Projetos de eficiência energética da Neoenergia em prédios públicos e instituições sociais reduzem o consumo de energia e liberam recursos para áreas como saúde e educação | Foto: Divulgação/Neoenergia

A Neoenergia ampliou os investimentos em eficiência energética nas áreas de concessão do Nordeste em 2025, com foco em projetos de geração solar, modernização de prédios públicos e redução de emissões. Ao todo, a companhia aplicou mais de R$ 113 milhões no período.

O supervisor de eficiência energética da Neoenergia, Daniel Sarmento, destaca que a atuação da companhia busca promover uma cultura de consumo consciente, capaz de gerar benefícios sociais, ambientais e econômicos. Segundo ele, isso se concretiza por meio de ações práticas e iniciativas de conscientização voltadas ao uso responsável e racional da energia elétrica. “Essas ações contribuem para uma transição energética justa e reforçam nosso compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente o ODS 7, que promove o acesso à energia limpa e acessível”, afirma.

Os recursos contemplam cinco distribuidoras do grupo. No Nordeste, o destaque recai sobre operações na Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Norte, onde a empresa concentra iniciativas voltadas à transição energética e à racionalização do consumo no setor público.

Região é tratada como polo estratégico de transição energética

A gerente do Polo de Energias Renováveis do Sebrae em Natal (RN), Lorena Roosevelt, destaca que o Nordeste reúne condições naturais únicas para a produção de energia limpa, com altos índices de radiação solar e ventos constantes ao longo do litoral. “Quando esses recursos se somam às tecnologias de geração solar e eólica, o Nordeste se consolida como um dos principais polos de energia limpa do Brasil”, afirma.

A atuação da companhia posiciona o Nordeste como um ambiente de testes para soluções de eficiência energética e integração de fontes renováveis. A estratégia combina redução de custos operacionais com metas ambientais, especialmente em serviços públicos essenciais.

Na avaliação da Neoenergia, o Nordeste tem se consolidado como um laboratório importante para iniciativas de transição energética e eficiência no setor público. “Existem oportunidades na região Nordeste para atuar com foco em eficiência energética, considerando a relevância das ações educacionais na rede pública de ensino, elevado recurso para energia limpa e os desafios para combate à pobreza energética”, avalia Sarmento.

Entre as iniciativas, estão projetos de geração distribuída e substituição de equipamentos por tecnologias mais eficientes, com impacto direto sobre o consumo de energia e despesas de instituições públicas e assistenciais.

Usina solar flutuante reduz custos e emissões em Fernando de Noronha

O supervisor explica que é possível também realizar projetos inovadores como, por exemplo, a utilização da energia solar em territórios para redução da fatura de energia dos moradores.

“Em Fernando de Noronha, podemos destacar o projeto da primeira usina solar fotovoltaica flutuante da ilha, instalada no espelho d’água do Açude do Xaréu. A usina flutuante tem potência de 622 kWp e geração estimada de 1.083 MWh/ano, suficiente para suprir cerca de 30% do consumo de energia da Companhia Pernambucana de Saneamento (COMPESA) na ilha e evitar a emissão de 717 toneladas de CO₂ por ano”, exemplifica.

Primeira usina solar flutuante de Fernando de Noronha, instalada no Açude do Xaréu, tem capacidade para suprir cerca de 30% do consumo da Compesa na ilha e reduzir a emissão de CO₂, ampliando o uso de energia limpa no arquipélago | Foto: Divulgação/Neoenergia

Modernização de equipamentos amplia eficiência no setor público

Em paralelo, a empresa executa ações de modernização em larga escala. Ao todo, 235 unidades públicas e assistenciais foram beneficiadas com a substituição de 82 mil lâmpadas por modelos LED e a instalação de 55 sistemas solares fotovoltaicos.

Na Bahia, 25 desses sistemas foram implantados em parceria com instituições públicas e filantrópicas, incluindo escolas municipais e unidades da Defensoria Pública, Força Aérea Brasileira e Exército Brasileiro. Os sistemas instalados no estado somam cerca de 1,9 MWp de potência e têm geração estimada de 2,9 GWh por ano.

Sarmento enfatiza que os projetos incentivam a adoção de tecnologias mais eficientes e a melhoria de hábitos de consumo, promovendo a redução efetiva do consumo de energia. “Para equipar edificações públicas e filantrópicas com energia limpa, realizamos parcerias que servem como exemplo simbólico e prático de liderança no sentido da transição energética, descarbonização e mitigação na emissão de CO2”, explica.

Além disso, o supervisor considera que os projetos promovem economia significativa para as instituições que é revertida em serviços para a sociedade.

Na Bahia, mais de 50 mil lâmpadas foram substituídas em aproximadamente 800 instituições públicas ou filantrópicas.

Impactos econômicos e limites da política energética

O professor da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e pesquisador em economia criativa e indústrias criativas, José Cláudio Rocha, avalia que a transição energética é mais relevante do que o Brasil tem reconhecido e deve gerar impactos significativos no médio e longo prazo, ainda sem a devida atenção do Estado.

Ele alerta para a redução das reservas de petróleo e o risco de uma crise energética caso não haja mudanças. Para o pesquisador, o processo vai além da substituição de fontes e exige uma transformação mais ampla da sociedade: “Será preciso rever nosso modo de vida, com mais eficiência energética, menos uso de combustíveis fósseis e maior adoção de outras fontes”.

Ao analisar os investimentos da Neoenergia, Rocha afirma que eles seguem a política pública brasileira, com foco em conscientização, modernização de prédios públicos e substituição de lâmpadas por LED — ações que, especialmente no Nordeste, contribuem para melhorar a infraestrutura e reduzir o consumo. Em 2025, a Neoenergia Coelba destinou cerca de R$48 milhões a projetos de eficiência energética, incluindo iniciativas voltadas ao poder público e à iluminação, o que permite redirecionar recursos para áreas como saúde e educação. “Esse movimento reduz custos, fortalece a economia local e abre espaço para novos investimentos”, resume.

Nesse contexto, a Bahia tem se destacado por uma atuação proativa, alinhada ao Programa Estadual de Transição Energética (Protener), ao transformar ativos públicos em modelos mais sustentáveis e atrativos para fundos de investimento em economia verde. Os dados indicam investimentos de cerca de R$ 334 mil em Itaparica para a substituição de luminárias, gerando economia superior a 350 MWh por ano. Paralelamente, a expansão de usinas solares no estado — com a implantação de dezenas de unidades pela Neoenergia — tem contribuído para dinamizar microeconomias regionais e estimular a qualificação da mão de obra local.

Para Rocha, esse conjunto de iniciativas não apenas reduz as emissões de CO₂, como também posiciona o setor público baiano entre os líderes em descarbonização, abrindo caminho para parcerias público-privadas e para a vinculação das economias geradas a fundos sociais, em linha com os princípios do direito ao desenvolvimento. “A eficiência energética, nesse cenário, deixa de ser apenas uma solução técnica e passa a se consolidar como instrumento para uma economia mais resiliente no Nordeste”, destaca.

Do ponto de vista econômico, o professor defende a ampliação da matriz energética e a redução gradual da dependência de combustíveis fósseis. “Assim como a transição do óleo de baleia para o petróleo impulsionou o desenvolvimento no passado, agora é o momento de avançar para uma nova matriz energética”, afirma.

Rocha avalia que a Bahia reúne condições favoráveis para liderar esse processo, com alto potencial solar, protagonismo em energia eólica e estímulo a fontes como o hidrogênio verde. Ainda assim, pondera que os avanços estão aquém do necessário: “É preciso ampliar o debate e a prioridade dada ao tema no estado e no país”.

Ele também faz críticas à execução das políticas, destacando a falta de protagonismo das empresas e de um propósito social mais claro. “Muitos investimentos ocorrem por obrigação legal, e não por compromisso efetivo com a transformação energética”, diz. Rocha aponta ainda problemas de transparência e governança, questionando se as ações têm impacto real ou se servem mais à reputação institucional.

Por fim, defende que pesquisa e desenvolvimento em energias renováveis devem se tornar eixo estruturante para o Nordeste. Para ele, iniciativas como as voltadas ao hidrogênio verde são promissoras, mas ainda carecem de um ecossistema integrado. “Faltam políticas articuladas, apoio aos atores locais e maior participação das universidades para transformar potencial em desenvolvimento”, conclui.

Nordeste avança como polo de energia limpa; Rio Grande do Norte se destaca

Lorena Roosevelt reforça que o Nordeste tem avançado como polo de energia limpa e desenvolvimento econômico. Nesse contexto, o Rio Grande do Norte se destaca de forma expressiva. Segundo ela, mesmo com pequena extensão territorial, o estado responde por cerca de 30% da geração eólica nacional e também ocupa posição relevante na geração solar centralizada, proveniente de usinas de maior porte.

Esse protagonismo, explica, é resultado de um ciclo contínuo de investimentos que já dura mais de duas décadas na energia eólica e quase uma na solar. “Trata-se de uma cadeia produtiva complexa, que envolve desde infraestrutura e importação de equipamentos até engenharia, logística, construção civil, pesquisa, operação e manutenção”, detalha. Como resultado, bilhões de reais circulam na economia regional, impulsionando empregos, novos negócios e a arrecadação de tributos para estados e municípios.

Investimentos em fontes renováveis reforçam a estratégia de transição energética no Nordeste, com foco na redução de emissões e na ampliação da geração limpa. | Foto: Divulgação/Neoenergia

Sob a perspectiva ambiental, Lorena Roosevelt destaca que as fontes renováveis, especialmente a solar, apresentam baixo impacto em comparação a outras formas de geração, com intervenções menos invasivas e forte regulação. Segundo ela, a legislação brasileira estabelece critérios rigorosos para licenciamento e sustentabilidade dos empreendimentos.

Nesse cenário, o Nordeste se consolida como eixo estratégico para a diversificação e segurança energética do país. Com cerca de 90% da matriz elétrica composta por fontes renováveis, o Brasil se posiciona como referência internacional; com a energia solar ocupando a segunda posição e a eólica a terceira, atrás apenas da hídrica.

Apesar dos avanços, a gerente aponta desafios, como a necessidade de equilibrar a distribuição de tributos entre estados produtores e consumidores e de atrair atividades intensivas em energia para as regiões geradoras. “A instalação de indústrias, data centers e projetos de hidrogênio verde próximos aos polos de geração pode representar um salto estratégico para o Nordeste”, afirma.

Segundo Lorena, a integração entre energia limpa e desenvolvimento industrial tem potencial para transformar a economia regional, reduzir desigualdades e posicionar o Nordeste como protagonista de uma nova economia baseada em inovação e sustentabilidade.

No caso do Rio Grande do Norte, ela avalia que o estado já exemplifica, na prática, a transição energética. Após décadas como líder na produção de petróleo em terra, houve uma reconfiguração com o amadurecimento dos campos e a migração de investimentos da Petrobras para o offshore. Em paralelo, a expansão acelerada da energia eólica e solar consolidou o estado como um dos principais polos renováveis do país.

Esse movimento também impulsionou a adaptação da cadeia produtiva local, com fornecedores do setor de óleo e gás migrando para as energias renováveis. “Houve uma mudança estrutural: o protagonismo do petróleo deu lugar ao avanço das fontes limpas”, resume. O resultado é a redução relativa das emissões e o fortalecimento de uma matriz energética mais sustentável.

Nesse contexto, o Polo Sebrae de Energias Renováveis atua como articulador desse novo ciclo, apoiando pequenas e médias empresas com capacitação, inovação e acesso a mercado. A iniciativa também estimula o desenvolvimento de fornecedores locais e a diversificação de serviços, ampliando a capacidade do estado de capturar valor econômico.

Além disso, o Polo promove conhecimento e articulação institucional, fortalecendo o posicionamento do Rio Grande do Norte para novos investimentos. “Temas como hidrogênio verde, armazenamento e digitalização do setor elétrico fazem parte dessa agenda”, destaca.

Para Lorena, o desafio é fazer com que o avanço das renováveis vá além da geração de energia. “A ideia é transformar esse crescimento em desenvolvimento econômico, inovação e fortalecimento empresarial”, conclui.

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