
O Conselho Nacional de Justiça aponta que o Nordeste começou 2026 com forte volume de judicialização trabalhista, mas ainda com baixa efetividade na resolução de conflitos por meio de acordos. Até janeiro, foram registradas 40.257 novas ações na região, acompanhadas de 2.695 audiências conciliatórias.
Apesar do esforço operacional, os resultados indicam limitações na conversão dessas audiências em acordos. Nos últimos 12 meses, o índice de audiências conciliatórias no Nordeste chegou a 68,59%, acima da média nacional de 65,97%. No entanto, o índice de conciliação ficou em 19,62%, abaixo dos 20,75% registrados no país.
Para Lucas Pena, CEO da Pact, empresa especializada em redução de passivos judiciais corporativos, o cenário revela um descompasso entre volume e efetividade. Segundo ele, a realização de audiências não tem se traduzido, na mesma proporção, em acordos que encerrem os litígios. “Quando há volume, mas não há conversão, o resultado é a manutenção da disputa e maior pressão sobre o sistema”, afirma.
Os dados regionais mostram disparidades entre os tribunais. O melhor desempenho em conciliação foi registrado pelo TRT da 19ª Região, em Alagoas, com 25,16%. Em seguida aparecem Pernambuco (22,76%) e Maranhão (20,15%). Já na outra ponta, Bahia (16,56%), Piauí (17,35%) e Sergipe (17,73%) apresentam os menores índices.
No Brasil, a Justiça do Trabalho contabilizou 245.986 novas ações até o fim de janeiro, com 19.083 audiências conciliatórias realizadas. O cenário nacional reforça que, embora o Nordeste tenha participação relevante no volume de processos, enfrenta desafios adicionais para ampliar a resolução consensual.
Especialistas apontam que a superação desse quadro passa por mudanças estruturais, incluindo maior preparo das partes, adoção de metodologias negociais e critérios mais claros para alinhamento de expectativas. O objetivo é reduzir a litigiosidade e aumentar a segurança jurídica, especialmente em regiões com alta demanda como o Nordeste.