
O Nordeste se consolida como um dos principais polos da retomada da indústria naval brasileira, com R$ 11,9 bilhões em investimentos previstos na carteira de projetos do Fundo da Marinha Mercante. Os dados foram apresentados pelo ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, e colocam a região como a segunda maior em volume de recursos, atrás apenas do Sul.
Do total nacional de R$ 41,7 bilhões destinados à indústria naval e à infraestrutura portuária, o Nordeste concentra 26 projetos, com expectativa de geração de 46.041 empregos diretos. A distribuição, no entanto, é altamente concentrada: a Bahia responde por 94% dos recursos regionais, somando R$ 11,2 bilhões e cerca de 45 mil postos de trabalho.
O protagonismo baiano está diretamente ligado à retomada de grandes empreendimentos, como o Estaleiro Enseada do Paraguaçu, em Maragogipe. Estruturado para atender demandas offshore de alta complexidade, o estaleiro voltou a operar em 2026 e já participa de novos contratos relevantes, incluindo a construção de embarcações de suporte submarino e navios especializados.
Entre os projetos de maior porte está o da DOF Subsea Brasil, avaliado em R$ 2,8 bilhões, voltado à construção de quatro embarcações do tipo RSV, utilizadas em operações com equipamentos submarinos. Outro destaque é o conjunto de seis navios OSRV, destinados à resposta a derramamentos de óleo, encomendados pelo grupo CMM Offshore Brasil, que somam mais de R$ 2,8 bilhões.
Outros estados também aparecem na carteira, ainda que com menor participação. O Ceará reúne R$ 636,1 milhões em um projeto de infraestrutura portuária, com previsão de mil empregos diretos. Já Pernambuco conta com iniciativas de menor escala, voltadas a serviços de reparo naval no Estaleiro Atlântico Sul, em Suape.
Apesar dos números expressivos, há uma diferença relevante entre projetos aprovados e efetivamente contratados. No ciclo 2023–2026, o FMM aprovou R$ 87,7 bilhões em investimentos no país, mas apenas R$ 14,2 bilhões foram contratados até o momento — cerca de 16% do total. No Nordeste, os R$ 11,9 bilhões seguem esse mesmo padrão, ainda dependendo de formalização junto a agentes financeiros.
O cenário reforça tanto o potencial quanto os desafios da política pública. Para o governo federal, o avanço da carteira sinaliza uma retomada consistente do setor naval, que já elevou o número de empregos diretos de cerca de 12 mil para mais de 55 mil trabalhadores nos últimos anos. A expectativa é de que novos contratos ampliem esse movimento e consolidem o Nordeste como peça-chave na logística e na competitividade industrial do país.