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9 de fevereiro de 2026 15:56

Nordeste lidera em energias renováveis, mas enfrenta maior pressão tributária

Nordeste lidera em energias renováveis, mas enfrenta maior pressão tributária

Região supera demais localidades com 60% das empresas investindo em fontes limpas, enquanto complexidade fiscal prejudica competitividade industrial
Energia Eólica – Foto: Divulgação

O Nordeste brasileiro emergiu como protagonista na transição energética do país, com seis em cada dez empresas industriais da região já investindo em fontes renováveis de energia como solar, eólica e biomassa. O resultado coloca a região na liderança nacional, superando Norte/Centro-Oeste (57%), Sul (48%) e Sudeste (44%), de acordo com pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Os dados fazem parte do levantamento “Sustentabilidade & Indústria”, conduzido pelo Instituto Nexus entre 15 de maio e 17 de junho de 2025, com mil empresas de todo o país. A média nacional de investimentos em energias renováveis é de 48%, o que torna ainda mais expressivo o desempenho nordestino.

Vocação energética impulsiona liderança

A liderança regional está diretamente ligada à vocação energética natural do Nordeste, especialmente em estados como Bahia, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí, que concentram parte significativa da matriz eólica e solar brasileira. Essas condições climáticas favoráveis têm permitido às empresas locais aproveitar recursos naturais abundantes para reduzir custos operacionais e melhorar sua pegada ambiental.

O interesse por sustentabilidade na região vai além dos investimentos já realizados. Segundo a pesquisa, 77% dos empresários nordestinos demonstraram interesse em acessar linhas de financiamento voltadas à sustentabilidade, número expressivo que supera a média nacional de 66% e fica atrás apenas do Norte/Centro-Oeste, com 85%.

“O interesse por crédito verde mostra que o setor produtivo do Nordeste está atento às exigências do mercado internacional e busca se posicionar de forma estratégica na economia de baixo carbono”, destaca o relatório da CNI.

Apesar da liderança em sustentabilidade, a região enfrenta os maiores desafios tributários do país. O levantamento revela que 55% dos industriais nordestinos citaram a bitributação e a complexidade do sistema tributário como os maiores obstáculos à competitividade do setor. O índice supera significativamente a média nacional e os percentuais observados no Sudeste (45%), Sul (43%) e Norte/Centro-Oeste (33%).

Esse contraste expõe um paradoxo regional: enquanto o Nordeste se destaca na adoção de práticas sustentáveis e tecnologias limpas, seus empresários são os que mais sofrem com a complexidade fiscal brasileira, comprometendo potenciais ganhos de competitividade.

Custo Brasil pesa R$ 1,7 trilhão por ano

O presidente da CNI, Ricardo Alban, contextualizou os desafios tributários dentro do conceito mais amplo do Custo Brasil. “Todos os fatores apresentados na pesquisa estão ligados ao valor do Custo Brasil, estimado em R$ 1,7 trilhão por ano, o que equivale a 20% do PIB brasileiro”, afirmou. “Esse conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas e econômicas encarece os custos das empresas, atrapalha investimentos e compromete a competitividade.”

O Custo Brasil engloba entraves que vão além da tributação, incluindo burocracia excessiva, deficiências logísticas, insegurança jurídica, baixa eficiência educacional e dificuldade de acesso ao crédito. Dados do Banco Mundial citados pela CNI mostram que uma empresa brasileira pode gastar até cinco vezes mais tempo para cumprir obrigações tributárias do que uma companhia de país-membro da OCDE.

No âmbito comportamental, os industriais nordestinos também demonstram consciência ambiental. A pesquisa indica que 72% dos entrevistados afirmaram evitar o desperdício de água com regularidade, e o mesmo percentual declarou sempre evitar jogar lixo nas ruas. Embora esses números estejam alinhados com a média nacional, ainda ficam abaixo dos índices registrados no Sul e Sudeste, onde as práticas ambientais rotineiras atingem patamares superiores a 80%.

Competitividade em debate

Durante o evento “Diálogos sobre a Competitividade”, promovido pela CNI em Brasília no início de julho, o vice-presidente da entidade, Léo de Castro, reforçou a urgência de reformas estruturais. “O Custo Brasil não só onera a competitividade de quem produz, como também cria um custo adicional que é pago por toda a população. Ao enfrentá-lo, fazemos com que os produtos cheguem mais baratos ao consumidor”, declarou.

Os dados revelam uma região em transformação, que lidera a sustentabilidade industrial brasileira mas ainda luta para superar entraves sistêmicos que limitam seu potencial competitivo. A combinação entre recursos naturais abundantes e interesse empresarial em financiamento verde posiciona o Nordeste como protagonista da transição energética nacional, mesmo enfrentando os maiores desafios tributários do país.

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