
O Nordeste encerrou 2025 com um desempenho exportador que, à primeira vista, parece animador: as vendas externas chegaram perto dos US$ 25 bilhões, o melhor resultado dos últimos três anos e o equivalente a aproximadamente 7% do total exportado pelo Brasil no mercado internacional. Os dados constam do balanço da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e do Relatório Anual de Comércio Exterior por Porte de Empresas, divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Por baixo dos números, porém, uma análise mais cuidadosa revela um quadro de recuperação lenta, base exportadora concentrada e crescimento aquém do restante do país.
As exportações regionais são dominadas pelas médias e grandes empresas, que responderam por US$ 24,3 bilhões em vendas externas em 2025, pelo critério FOB. O valor representa uma recuperação modesta após o recuo registrado em 2023, mas ainda fica abaixo do pico de US$ 25,6 bilhões atingido em 2022. No mesmo período, o Sudeste saltou de US$ 143,7 bilhões para US$ 157,3 bilhões FOB nesse segmento — ampliando, em termos absolutos, a distância em relação ao Nordeste.
A participação da região na base exportadora nacional de médias e grandes empresas, de 8,2% das 12.094 firmas registradas no país, permanece estável desde 2012, sem qualquer trajetória de convergência com Sudeste ou Sul. O contraste é ainda mais evidente quando se considera que o Nordeste representa cerca de 14% do PIB nacional, mas suas empresas médias e grandes respondem por menos de 12% do valor exportado nesse segmento no Brasil.
No recorte estadual, Bahia e Pernambuco concentram a maior parte das médias e grandes exportadoras nordestinas, com 394 e 223 firmas respectivamente. O Ceará registrou 194, o Rio Grande do Norte 85, e a Paraíba 49. Nas exportações totais por estado, a Bahia também liderou com folga, somando US$ 11,52 bilhões, seguida pelo Maranhão, com US$ 5,49 bilhões, e Pernambuco, com US$ 2,36 bilhões.
Pequenas empresas em destaque
Se o topo da pirâmide exportadora patina, a base dá sinais mais vigorosos. As pequenas empresas exportadoras do Nordeste registraram em 2025 o maior valor da série histórica: US$ 90,6 milhões FOB, crescimento de 31,3% sobre os US$ 69 milhões de 2024. As microempresas e MEIs também bateram recorde, com US$ 79,4 milhões FOB — avanço de 15,9% em relação ao ano anterior.
Em quantidade, o segmento de pequenas empresas cresceu de 211 para 217 firmas exportadoras na região, e as microempresas e MEIs passaram de 377 para 385. Esses movimentos estão alinhados à tendência nacional impulsionada pela Política Nacional de Cultura Exportadora (PNCE), instituída pelo Decreto nº 11.593/2023, que articula União, estados, municípios e entidades privadas para ampliar a participação de empresas de menor porte no comércio exterior.
Ainda assim, os números absolutos expõem a dimensão do desafio: juntas, micro, MEI e pequenas empresas respondem por menos de 0,7% do valor exportado pela região, reforçando a dependência estrutural das grandes corporações.
Destinos e produtos
Os produtos do reino vegetal encabeçaram a pauta exportadora nordestina em 2025, com US$ 6,9 bilhões, seguidos pelos minerais, com US$ 4,6 bilhões, e pelos produtos das indústrias alimentares, com US$ 2,1 bilhões. No lado dos compradores, a China concentrou a maior fatia, com US$ 6,22 bilhões, à frente dos Estados Unidos (US$ 2,89 bilhões) e do Canadá (US$ 2,72 bilhões). Na América do Sul, a Argentina foi o principal parceiro, com US$ 1,62 bilhão.
Para o economista José Farias, coordenador-geral de Estudos e Pesquisas da Sudene, os números vão além do viés comercial. “A partir do cenário das importações, é possível identificar oportunidades e estruturar estratégias de abertura de novos negócios internacionais, agregação de valor aos produtos e geração de emprego, renda e melhoria de produtividade. A competitividade do cenário internacional não é simples, mas, neste contexto, o Nordeste tem potenciais interessantes que despertam cada vez mais o interesse internacional”, avaliou.
O recado dos dados é duplo: há avanços reais, especialmente nos segmentos menores, mas a região ainda carece de uma base exportadora mais diversificada e dinâmica para converter sua relevância econômica em protagonismo no comércio exterior brasileiro.