
O Nordeste vai receber um aporte de R$ 10 bilhões em investimentos por meio do programa Chamada Nordeste, lançado na última quarta-feira (28). A iniciativa é fruto de articulação do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável do Nordeste (CNE) e integra o Programa Nova Indústria Brasil (NIB), com o objetivo de estimular o desenvolvimento industrial, tecnológico e sustentável da região.
O programa abrange áreas estratégicas como energias renováveis, bioeconomia, hidrogênio verde, data centers verdes e automação e máquinas agrícolas. Os investimentos serão realizados por meio de diferentes modalidades de fomento, incluindo crédito, subvenção econômica, participação acionária e recursos não reembolsáveis, voltados especialmente para projetos cooperativos entre empresas e instituições tecnológicas.
As propostas devem ser submetidas até o dia 15 de setembro, e os interessados precisam apresentar planos de negócio com orçamento mínimo de R$ 10 milhões. O programa é destinado a cooperativas, empresas brasileiras e estrangeiras que já atuem na região ou que planejem novos investimentos no Nordeste.
A coordenação dos recursos será feita por instituições como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), Banco do Brasil (BB), Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e Caixa Econômica Federal (CEF), com apoio técnico da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).
As propostas devem se enquadrar em ao menos uma das cinco áreas temáticas definidas pelo programa:
1. Energias Renováveis – foco em armazenamento
Projetos voltados ao desenvolvimento de tecnologias para armazenamento de energia renovável, como baterias de alta eficiência, sistemas térmicos e de hidrogênio, além de soluções para armazenamento de longa duração e gestão de carga, com o objetivo de aumentar a autonomia das redes elétricas sustentáveis.
2. Bioeconomia – Foco em Fármacos
Iniciativas que combinem biotecnologia e inovação para a criação de fármacos a partir de recursos biológicos renováveis, priorizando eficiência produtiva e redução de impactos ambientais.
3. Descarbonização – foco em hidrogênio verde (H2V)
Projetos que acelerem a produção e aplicação de hidrogênio verde, com tecnologias para eletrólise da água movida a energia renovável, sistemas de armazenamento e integração com cadeias industriais.
4. Data Center verde
Propostas que busquem a implantação ou modernização de data centers sustentáveis, com uso de energia limpa, reaproveitamento térmico, sistemas de resfriamento inovadores e gestão inteligente de recursos.
5. Automotiva e máquinas agrícolas
Desenvolvimento de tecnologias que melhorem a eficiência energética, desempenho estrutural e incorporem combustíveis sustentáveis e propulsão alternativa. O foco também está em máquinas voltadas ao agronegócio e à agricultura familiar, incluindo autopeças e veículos comerciais.
A expectativa dos organizadores é que os recursos alavanquem a inovação e o crescimento econômico sustentável do Nordeste, colocando a região como protagonista na nova indústria brasileira.