
Aracaju e Barra dos Coqueiros devem ganhar, nos próximos anos, uma nova ligação que promete mudar a cara da Região Metropolitana e de todo o litoral norte de Sergipe. Trata-se da construção de uma ponte estaiada, orçada em mais de R$ 1 bilhão, acompanhada de três viadutos interligados ao bairro Coroa do Meio. A licitação está prevista para dezembro e, segundo o Governo de Sergipe, o empreendimento será a maior obra pública em execução no país em termos de valor e escala.
Além de aliviar a sobrecarga da atual ponte Construtor João Alves, a nova estrutura deve criar um corredor logístico e turístico estratégico, com reflexos diretos no acesso a serviços, no turismo e no desenvolvimento econômico regional.
Investimento fiscal sustentável
A magnitude do investimento — mais de R$ 1 bilhão — levanta naturalmente questionamentos sobre o impacto fiscal para o Estado. A secretária da Fazenda, Sarah Tarsila Andreozzi, assegura que Sergipe se preparou para executar a obra sem riscos às finanças públicas.
“Sem dúvida, o montante a ser investido representa um patamar importante para Sergipe. O Estado, entretanto, se preparou para possibilitar esse investimento de forma segura, responsável e sustentável. Construímos um cenário favorável para a captação de recursos junto ao sistema financeiro em condições vantajosas, aumentamos a arrecadação e aprimoramos o ambiente de negócios local”, explicou.
Para ela, o projeto é símbolo da responsabilidade fiscal que vem sendo conduzida nos últimos anos. “Do ponto de vista fiscal e orçamentário, não há perspectiva de qualquer impacto negativo, pois possuímos capacidade para investir em obras de forma sustentável e responsável”, reforçou a secretária.
Em relação à aplicação dos recursos, Andreozzi destacou que o governo aposta nos instrumentos já vigentes de controle e prestação de contas. “A gestão já é baseada em transparência e eficiência no uso dos recursos públicos. O controle social pode ser exercido por meio do Portal de Transparência do Estado, da Lei de Acesso à Informação e dos relatórios da LRF publicados periodicamente”, disse.
Ela lembrou, ainda, a atuação dos órgãos de fiscalização. “O Tribunal de Contas do Estado e a Assembleia Legislativa têm legalmente a atribuição de aprofundar esse controle sempre que julgarem necessário. A sociedade terá total acesso às informações sobre cada etapa da obra”, garantiu.
Desafios técnicos e logísticos
Do ponto de vista da engenharia, a ponte é um marco de complexidade técnica. A Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano e Infraestrutura (Sedurbi) aponta o estuário do rio Sergipe como o principal desafio.

“O grande desafio está na localização. O estuário exige soluções complexas para a fundação dos pilares, incluindo processos de perfuração em solo. Além disso, por se tratar de uma ponte estaiada com estrutura mista — parte em concreto e parte metálica —, a logística de transporte e montagem é bastante sofisticada”, informou o secretário da pasta, Luiz Roberto Dantas.
A obra terá contratação integrada: a empresa vencedora será responsável por todos os projetos de engenharia, além da execução. “Não se trata apenas de uma ponte, mas de um complexo viário com três viadutos na Coroa do Meio. Nosso compromisso é entregar a obra dentro do prazo e com qualidade. Obra boa é obra concluída, entregue à sociedade”, destacou Dantas.
Os estudos de tráfego apontam que, sem a intervenção, a atual ponte Construtor João Alves alcançaria nível de serviço crítico em 20 anos. “A nova ponte antecipa a solução para esse gargalo e garante fluidez tanto para quem circula entre Aracaju e Barra dos Coqueiros quanto para quem acessa a avenida Delmiro Gouveia. É uma solução pensada para o presente e para o futuro”, acrescentou ao secretário
Crescimento econômico e urbano
Além da mobilidade, o impacto econômico é um dos pontos centrais. Para a Sefaz, a obra representa um “divisor de águas” para Sergipe.
“No primeiro momento, haverá ganhos pela própria execução da obra, com geração de empregos, aumento do consumo e atração de investimentos. No médio e longo prazo, os ganhos de mobilidade devem valorizar regiões de ambas as cidades, impulsionar a criação de novos negócios e atrair ainda mais investidores ao estado”, afirmou Sarah Andreozzi.
Ela destacou ainda a relevância urbana. “Estamos falando de uma verdadeira reconfiguração urbana e turística que vai influenciar várias decisões dos cidadãos e moldar o futuro da Região Metropolitana de Aracaju”, acrescentou.
A dimensão do empreendimento exige atenção aos impactos ambientais. O presidente da Adema, Carlos Anderson Pedreira, esclareceu que o órgão está na fase de análise dos documentos apresentados pelo empreendedor. “As condicionantes só são estabelecidas após a emissão da Licença Prévia, que ainda não foi concedida. O EIA/RIMA apresentado elenca possíveis impactos nos meios físico, biótico e socioeconômico, além de análises de risco ambiental”, explicou.
O estudo prevê medidas mitigadoras e compensatórias reunidas em um Plano Básico Ambiental. “São 28 planos e programas, que incluem monitoramento da qualidade das águas, controle de drenagem e erosão, gerenciamento de resíduos sólidos e da construção civil, conservação e resgate de fauna, apoio às comunidades tradicionais e supervisão ambiental da obra”, detalhou Pedreira.
Entre as compensações, está o replantio de cerca de 2 hectares de vegetação nativa no mesmo bioma e a compensação financeira de até 0,5% do valor total da obra. “O objetivo é equilibrar desenvolvimento e preservação ambiental, integrando comunidades, protegendo ecossistemas sensíveis e elevando a qualidade de vida regional”, destacou.
Turismo e descentralização
Do ponto de vista turístico, a obra é considerada estratégica. Para a secretária de Estado do Turismo em exercício, Daniela Mesquita, a ponte deve ampliar o fluxo e diversificar os roteiros.
“A construção representa um marco para o turismo sergipano. Vai ampliar o acesso ao litoral norte, fortalecendo praias como Barra dos Coqueiros, Pirambu, Pacatuba e Brejo Grande. Além disso, vai ampliar a permanência média no estado, com um roteiro integrado e mais atrativos à disposição dos turistas”, afirmou.

Mesquita defendeu ainda que a ponte ajudará a descentralizar o turismo. “Hoje, Aracaju concentra a maior parte do fluxo. Com a nova ponte, vamos ampliar oportunidades de investimento em hotelaria e serviços também na Barra e em municípios vizinhos. Isso gera novos empregos e consolida o turismo como vetor de desenvolvimento regional”, disse.
A Secretaria já trabalha em estratégias para aproveitar o novo cenário. “Entre as ações, estão a promoção do litoral norte em campanhas, o diálogo com municípios e a articulação para atrair investimentos privados. Também vamos promover capacitações para qualificação profissional, garantindo atendimento de qualidade ao turista. Nosso objetivo é que a ponte seja o símbolo de uma nova fase para o turismo sergipano”, concluiu.
Com a expectativa de início da licitação em dezembro, a nova ponte Aracaju–Barra dos Coqueiros promete não apenas desafogar o trânsito, mas também redefinir o papel do litoral norte no mapa turístico e econômico de Sergipe. Entre desafios técnicos, compromissos ambientais e promessas de desenvolvimento, o projeto se apresenta como um marco de infraestrutura capaz de projetar o estado para um novo ciclo de crescimento sustentável.